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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Homem-Formiga.


Por André Brandalise

Sinopse: O bioquímico dr. Hank Pym (Michael Douglas) usa sua mais recente descoberta, um grupo de partículas subatômicas, para criar uma roupa de alteração de tamanho. Com sua nova tecnologia, o doutor passa a ter a capacidade de diminuir em escala mas crescer em força. É então que o vigarista Scott Lang (Paul Rudd) precisa assumir o lado heróico e ajudar seu mentor a proteger os segredos por trás do espetacular traje do Homem-Formiga de uma nova geração de ameaças. Juntos, precisam salvar o planeta.

A Marvel segue o caminho traçado em Guardiões da Galáxia e traz mais um filme divertido, que não se leva a sério e, ao mesmo tempo, se leva a sério. Não se pode, de forma alguma, desmerecer o filme por se imaginar a impossibilidade científica de um homem normal tornar-se do tamanho de uma formiga, antes disso, devemos olhar elo lado pessoal de cada personagem.

É claro que se trata de mais um filme de herói fantástico, empolgante e divertido, que também apresenta um homem buscando a redenção. Depois de sair da prisão, após cumprir sua pena, o personagem principal, Scott Lang, tenta reconstruir a sua vida pensando em sua filha. Quer fugir do crime e opta pela mudança de caminho.

Muitos de nós passamos por isso, todo dia, a vida toda, quando somos colocados à prova diante de situações de pecado que aparecem à nossa frente. Algumas vezes caímos e temos sempre a chance de buscar a remissão de nossos pecados, o perdão divino de nossos erros.

O mesmo vale para aqueles que cometeram crimes e foram presos. No entanto, assim como para se ter uma boa confissão, a mudança de vida somente ocorrerá se houver uma decisão pessoal e firme de mudança de vida. Não é a prisão ou qualquer outra Instituição que vai fazer com que a pessoa mude, pois isso somente ocorrerá quando ela decidir mudar.

São João Paulo II já nos falou sobre isso na Exortação Apostólica Reconciliatio et Paenitentia:

“No fundo de cada situação de pecado, porém, encontram-se sempre pessoas pecadoras. Isto é tão verdadeiro que, se tal situação vier a ser mudada nos seus aspectos estruturais e institucionais pela força da lei, ou — como acontece com mais frequência, infelizmente — pela lei da força, a mudança revela-se, na realidade, incompleta, de pouca duração e, no fim de contas, vã e ineficaz — para não dizer mesmo contraproducente — se não se converterem as pessoas direta ou indiretamente responsáveis por essa mesma situação.”

O filme nos traz essa realidade, ainda que de forma divertida, onde pessoas que passaram pela prisão acabam retornando à vida do crime, e somente há a mudança de caminho quando tomam a decisão verdadeira de não caírem mais no erro.

Um ponto interessante é que, para Scott Lang mudar de vida, teve que fazer-se pequeno… literalmente. Claro que não foi intenção do roteiro fazer este paralelo, mas, com certeza, seria algo a se pensar neste processo de transformação.

Como fã de quadrinhos e bons personagens, digo para ir ao cinema porque é diversão garantida. Como católico, recomendo que veja para reflexão sobre o que te move para ser uma pessoa melhor e se está fazendo de tudo para isso.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Divertida Mente


Por André Brandalise.

Uma animação para crianças e adultos!

Sinopse: Riley é uma garota divertida de 11 anos de idade, que deve enfrentar mudanças importantes em sua vida quando seus pais decidem deixar a sua cidade natal, no centro dos Estados Unidos, para viver em São Francisco. Dentro do cérebro de Riley, convivem várias emoções diferentes, como a Alegria, o Medo, a Raiva, o Nojinho e a Tristeza. Embora esses grupos sejam normalmente organizados, a chegada de Riley a uma nova escola faz com que todas as emoções se misturem.

A Pixar tem o [bom] hábito de nos trazer belas animações que, assim como a trilogia Toy Story, servem para adultos e crianças. Divertida Mente é um desses casos, em que as crianças, com certeza, irão se apaixonar pelos personagens, dar risadas e chorar com cada um deles, mas os adultos terão ótimas lições para a sua vida e de seus filhos/netos/sobrinhos/afilhados.

As personagens que estão na cabeça de Riley (e dos pais também … quer dizer, de todo mundo) foram muito bem caracterizados, tanto na personalidade específica de cada um, como nas cores e trejeitos. Cada detalhe foi colocado de forma simples e, ao mesmo tempo, brilhante.

Cada um tem na cabeça algo que podemos chamar de “torre de controle”, em que as emoções controlam as reações da pessoa. Em alguns momentos, vemos as diferenças de “mentalidade” da filha, da mãe e do pai, mostrando não só a maturidade, em razão da idade, como a diferença em virtude do sexo (o que também vale para as emoções que habitam na respectiva “torre”).

A beleza do filme está em mostrar o relacionamento das emoções e como tentamos afastar (ou abafar) a tristeza e deixar a alegria tomar conta. Nós, os adultos, no desejo de proteger as crianças, tentamos fazer o mesmo com elas. Esquecemos que a tristeza faz parte do crescimento, amadurecimento e formação da personalidade de cada pessoa e que, muitas vezes, ela é necessária em diversos momentos para se aprender a enfrentar as diversas dificuldades da vida.

O papel dos pais é estar presente, é ajudar a enfrentar os momentos tristes e participar dos alegres. É também ser o ombro amigo, e quando necessário a autoridade que dá os limites. É tudo isso e muito mais, mas sem controlar a criança, como se ela fosse programável igual a uma máquina.

Que maravilhosa lição aos pais, algo que o Papa Francisco já nos falou (audiência geral de 04/02/15):

“Portanto, a primeira necessidade é precisamente esta: que o pai esteja presente na família. Que se encontre próximo da esposa, para compartilhar tudo, alegrias e dores, dificuldades e esperanças. E que esteja perto dos filhos no seu crescimento: quando brincam e quando se aplicam, quando estão descontraídos e quando se sentem angustiados, quando se exprimem e quando permanecem calados, quando ousam e quando têm medo, quando dão um passo errado e quando voltam a encontrar o caminho; pai presente, sempre. Estar presente não significa ser controlador, porque os pai demasiado controladores anulam os filhos e não os deixam crescer. (…)

Um pai bom sabe esperar e perdoar, do profundo do coração. Sem dúvida, também sabe corrigir com firmeza: não se trata de um pai fraco, complacente, sentimental. O pai que sabe corrigir sem aviltar é o mesmo que sabe proteger sem se poupar.”

Ao mesmo tempo é uma outra lição para nós adultos, que esquecemos muitos de nossos momentos na vida, de aprendizados, de coisas que gostamos. Em alguns momentos eu pensei em mim, ainda criança ou adolescente, as mudanças próprias da idade, o enfrentamento das dificuldades, minhas tristezas e alegria, as coisas que tive que deixar pelo caminho e outras que acolhi. Sim, assim como tantos outros filmes da Pixar, meus olhos ficaram marejados … e tenho certeza de que você passará por uma experiência semelhante. Pode não ser a melhor animação da Pixar, mas está facilmente entre as melhores.


Que possamos assistir (de preferência no cinema e até mesmo dublado – ótima dublagem) de coração aberto, vendo a vida com os olhos de cada emoção na “torre de controle”, pensando no crescimento de tantas crianças ao nosso redor e lembrando de nós mesmos.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Sniper Americano.


Por André Brandalise


Sinopse: Chris Kyle, maior atirador do exército americano, é enviado para o Iraque e logo se torna uma lenda conforme as histórias da sua coragem e as vidas que salvou vão se espalhando. Ao mesmo tempo que precisa se proteger dos inimigos que o fizeram de alvo, Kyle ainda tem que lidar com as dificuldades de ser um bom pai e marido mesmo estando do outro lado do mundo.

Sempre que vejo um filme com a direção de Clint Eastwood eu me interesso, sendo, com certeza, um dos meus diretores preferidos. Também me chamou a atenção os comentários da crítica quanto à atuação de Bradley Cooper. O somatório dos dois resultou, para mim, em um ótimo filme.

Vemos uma pessoa que, movida pelo patriotismo típico do norte-americano, busca as forças armadas para defender sua pátria. Para quem tem aversão aos Estados Unidos este filme será ruim, pois, desde o início, já começará a condenar o protagonista e qualquer ação do exército ianque no Iraque. No entanto, este não pode ser visto como um novo “Rambo”, porque é uma produção baseada em uma autobiografia, que mostra um homem impactado pelo ato terrorista de 11/09/01 que decide lutar pela liberdade. Chris Kyle foi apenas um, entre vários que fizeram o mesmo, e o filme não trata apenas de seus feitos como soldado, mas também das dificuldades do homem, marido e pai.

Como costuma fazer, Clint Eastwood traz um belo filme com muito mais do que imagens de guerra, nos fazendo entender e interagir com o protagonista. Para mim, é uma obra a ser comparada ao fantástico “Cartas de Iwo Jima”, outra produção de Clint.

Mas e sob a visão católica, o que podemos dizer?

Primeiro, devemos ter em mente que, muito embora a Igreja Católica seja contra a guerra, reconhece a necessidade da existências das forças armadas e da sua atuação quando necessário, como podemos ver no Compêndio da Doutrina Social da Igreja:

502 As exigências da legítima defesa justificam a existência, nos Estados, das forças armadas, cuja ação deve ser posta ao serviço da paz: os que com tal espírito tutelam a segurança e a liberdade de um País, dão um autêntico contributo à paz. Toda a pessoa que presta serviço nas forças armadas é concretamente chamada a defender o bem, a verdade e a justiça no mundo; não poucos são aqueles que nas forças armadas sacrificaram a própria vida por tais valores e para defender vidas inocentes. O crescente número de militares que atuam no seio de forças multinacionais, no âmbito das «missões humanitárias e de paz», promovidas pelas Nações Unidas, é um fato significativo.

Ainda, quando se fala de terrorismo, no mesmo documento existe o posicionamento da Igreja:

514 O terrorismo deve ser condenado do modo mais absoluto. Este manifesta o desprezo total da vida humana e nenhuma motivação pode justificá-lo, pois que o homem é sempre fim e nunca meio. Os atos de terrorismo atentam contra a dignidade do homem e constituem uma ofensa para a humanidade inteira: «Existe por isso um direito a defender-se do terrorismo». Tal direito não pode, todavia ser exercido no vácuo de regras morais e jurídicas, pois que a luta contra o terrorismo deve ser conduzida no respeito dos direitos do homem e dos princípios de um Estado de direito. A identificação dos culpados deve ser devidamente provada, pois a responsabilidade penal é sempre pessoal e, portanto, não pode ser estendida às religiões, às nações, às etnias, às quais os terroristas pertencem.

É claro que a invasão dos Estados Unidos ao Iraque pode gerar uma imensa discussão sobre motivos e etc., mas temos que lembrar que os soldados norte-americanos estavam atuando motivados pelo ocorrido em 11/09/01 e, no caso do protagonista deste filme, isso fica muito evidente.


Entendo ser uma ótima produção e indico a qualquer pessoa, mas em termos de “Projeções de Fé” qualifico como vale conferir, porém, valendo indicar também que seja visto sob os olhos do homem Chris Kyle e seus anseios.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

O destino de Júpiter.


Por André Brandalise.

Sinopse: Jupiter Jones (Mila Kunis) nasceu sob um céu noturno, com sinais de que estava destinada a algo maior. Agora já crescida, Jupiter sonha com as estrelas, mas acorda para a realidade fria do seu trabalho de limpar banheiros e uma interminável luta contra o mau caminho. É somente quando Caine (Channing Tatum), um caçador ex-militar geneticamente modificado, chega à Terra para localizá-la que Jupiter começa a vislumbrar o destino reservado à ela desde o início – sua assinatura genética a marca como a próxima na fila para uma herança extraordinária que poderia alterar o equilíbrio do cosmos.

O filme é dos mesmos criadores de Matrix, e apresenta diversos elementos que podemos identificar em outros filmes. Embora não tenha a mesma pegada filosófica da trilogia “Matrix”, podemos ver alguns conceitos semelhantes. Também podemos identificar influência de “Star Wars” e algumas naves com design próximo ao se viu em “John Carter: Entre dois mundos”.

Isso significa que o filme é um emaranhado de ideias de outros filmes? Não, o filme vai além disso, mas destaquemos três pontos bem relevantes e que merecem a sua atenção.

Muitos têm por hábito rotular as pessoas pelo que fazem, e não pelo que são. Ao mesmo tempo, existem pessoas que rotulam a si mesmos por uma condição específica, como se isso definisse quem elas são. No filme vemos Júpiter que se julga uma perdedora (que odeia a sua vida) pela condição social que tem, sem saber que, na verdade, é muito mais do que a aparência mostra. Seu valor não está no banheiro que limpa ou no quarto que arruma, mas em algo interior que nem ela mesma se dá conta. Esta é uma lição muito importante para todos nós:não importa o que você faz, mas quem você é na verdade – filho (a) de Deus!

Quando reconhecemos e assumimos esta verdade, até mesmo o “limpar um banheiro” pode se tornar algo mais fácil e valorizado, além do que não devemos ser cristãos apenas no nome, mas também no dia a dia. Não basta bater no peito e autoproclamar-se cristão, devemos agir como tal, como já nos exortou o Papa Francisco:


Outro ponto interessante está no sacrifício (vamos tentar explorar a situação sem dar spoiler). Todos nós buscamos conforto e defender os nossos amigos e parentes, mas até que ponto você está disposto a sacrificar a si mesmo e os seus amigos e parentes, pensando na coletividade? Este é um desafio complicado para todos nós, ainda mais levando em conta que podemos sacrificar quem mais amamos em defesa de quem não conhecemos.

E, finalmente, e não menos importante, temos muitos na sociedade que gostam de “sugar” os outros para seu próprio proveito. Pode ser uma relação de emprego, amizade, parentesco, etc., em que alguém serve apenas como objeto útil que será descartado assim que perder a sua utilidade. Existem pessoas que fazem isso sem o menor pudor, achando que é algo necessário para que sejam felizes e para se manterem “por cima da carne seca”. Esta mentalidade utilitarista já foi duramente criticada pelo Papa Bento XVI (homilia de 3 de junho de 2012):

“A mentalidade utilitarista tende a estender-se também às relações interpessoais e familiares, reduzindo-as a precárias convergências de interesses individuais e minando a solidez do tecido social.”

O filme é divertido, agitado, como ótima produção gráfica, mas tem algumas falhas de roteiro (existem situações que acontecem muito rápido) ainda que não estraguem a produção. O que desanima um pouco é a atuação forçada e caricata demais do ator Eddie Redmayne. Mas vale pela ação, romance, atuação de Channing Tatum e Mila Kunis, e o belíssimo visual gráfico.

Atenção 1: eu vi em 3D e digo que é completamente desnecessário, chegando, inclusive, a atrapalhar. Quando temos muitas cenas rápidas e com muitos elementos visuais, o 3D se perde e incomoda especialmente quem já usa óculos e tem que usar o do cinema também. Se puderem evitar, melhor.


Atenção 2: o filme tem indicação de idade para 12 anos, e é importante que isso seja destacado. Têm duas cenas de nudez de costas que, em si, não são agressivas, mas é importante que isso seja destacado para se evitar surpresas desagradáveis. Também, há uma cena em que se sugere um tipo de relação sexual de um homem com várias alienígenas. Apesar de não mostrar “nada demais”, é outro momento em que os mais descuidados poderão se assustar. Apesar dessas considerações é um filme interessante a ser visto.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos.


Por André Brandalise

“2. (…) Mas para um cristão, consciente da sua responsabilidade também perante o mais pequeno de seus irmãos, não há tranqüilidade preguiçosa, nem há lugar à fuga; (…)
57. (…) Vós, cruzados voluntários de uma nova e nobre sociedade, erguei o novo lábaro da redenção moral e cristã, declarai luta às trevas da apostasia de Deus, à frialdade da discórdia fraterna; lutai em nome de uma humanidade gravemente enferma e que é preciso curar em nome da consciência levantada pelo cristianismo.”
(Papa Pio XII, radiomensagem do Natal de 1942)


Finalmente chegamos ao final da trilogia de O Hobbit (leu nossos textos anteriores? O Hobbit – Uma Jornada Inesperada e O Hobbit: A Desolação de Smaug).

Sinopse: Terceira parte – e última – do prequel da famosa trilogia O Senhor dos Anéis. A história, ambientada 60 anos antes da saga do Anel, mostra a inesperada aventura de Bilbo Bolseiro, tio do jovem Frodo, ao lado do mago Gandalf, do anão Thorin Escudo de Carvalho e seus 13 companheiros, no resgate de um tesouro da família de Thorin, que foi roubado pelo temido dragão Smaug.

O título do filme já nos leva ao grande momento da trilogia (muito embora a visão do dragão Smaug no segundo filme seja excepcional) em que poderemos ver exércitos de homens, elfos e anões juntos. Em “O Senhor dos Anéis” tivemos a união destas raças, mas não vimos os exércitos atuando em conjunto.

Somos jogados em uma produção de fantasia em que anões montam bodes, Thranduil (o grande rei élfico) monta um alce com chifres gigantes, isso sem falar em elfos, anões, orcs, etc.. Diante de filmes que buscam ser cada vez mais reais (mesmo os de super-heróis), é ótimo ver uma autêntica fantasia para encher nossos olhos. Mesmo assim existem grandes lições que podemos tirar.

No mundo criado por JRR Tolkien, desde a criação existe a rivalidade entre elfos e anões, e aos homens (que são os seres mais fracos entre eles) resta ter que administrar esta disputa. Em alguns momentos apoiarão os elfos, em outros apoiarão os anões, mas todas as vezes que foi necessário as três raças uniram-se para enfrentar o grande mal que ameaça matar o bem.

Neste filme vimos tudo isso e somos jogados em uma grande batalha em que não há espaço para se esconder ou ficar para proteger seus tesouros. É uma batalha de vida ou morte e quem não a toma para si assume um tipo de morte. Nós vivemos esta batalha todos os dias, a cada momento em que somos convocados a assumir a Cristo. É o bom combate a ser combatido, ainda mais em um mundo que busca afastar Deus.

A batalha nos trará novos amigos, mas ao mesmo tempo perderemos outros. Conseguiremos ultrapassar desafios, e quando formos jogados ao chão teremos sempre alguém para nos ajudar a levantar, como um apoio providencial. Em alguns momentos seremos forçados a fazer sacrifícios por nós e por outros, isso sem esperar recompensa. Não serão decisões fáceis, mas com certeza serão decisões necessárias para aqueles que almejam mais em suas vidas.


Que ao assistir este filme possamos deixar nossa teimosia de anão, nosso orgulho de elfo e ganância de homem de lado, para buscarmos a sabedoria dos magos (seres angelicais – vejam o texto sobre o filme O Hobbit – Uma Jornada Inesperada) e a simplicidade dos hobbits para enfrentar a maior batalha de todos os tempos … a batalha pela vida eterna.

sábado, 6 de dezembro de 2014

A saga de Percy Jackson.


Por André Brandalise

Antes de falar sobre os filmes, entendo que devemos fazer uma apresentação sobre a saga. Então vamos lá...

Percy Jackson & the Olympians (Percy Jackson e os Olimpianos no Brasil) é uma série de cinco livros juvenis de aventura escrita por Rick Riordan, retratando a mitologia grega no século XXI. O personagem principal é Percy Jackson, que descobre ser um meio-sangue, filho de Poseidon, deus do mar, com uma humana. Além dele, outros personagens notórios são Annabeth Chase, filha de Atena, Grover Underwood, um sátiro adolescente, Thalia Grace, filha de Zeus, Luke Castellan, filho de Hermes, entre outros.

Os livros fazem uma adaptação moderna das estórias de Hércules, Perseu, Aquiles, etc., que segundo a mitologia grega seriam filhos de deuses do Olimpo com humanos, portanto, semideuses. Estes personagens fizeram parte de diversos livros, filmes, seriados e desenhos durante muitos anos, o que veio a dar mais "graça" às aulas de história sobre a Grécia Antiga.

E essa releitura da mitologia, de que modo nos atinge? Bom, para chegarmos a esta resposta precisamos conhecer sobre os filmes, e por isso colocarei as sinopses de cada um.

Percy Jackson & the Olympians: The Lightning Thief (no Brasil, Percy Jackson e o Ladrão de Raios)

Percy Jackson (Logan Lerman) é um jovem que enfrenta problemas na escola, devido ao que acredita ser dislexia e déficit de atenção. Ele foi criado por sua mãe, Sally (Catherine Keener), e vive com Gabe Ugliano (Joe Pantoliano), seu padrasto, que odeia. Após ser atacado em plena excursão escolar, é revelado a Percy que ele é um semideus, ou seja, filho do deus Poseidon (Kevin McKidd) com uma humana, e possui poderes. Protegido por Grover Underwood (Brandon T. Jackson), ele é levado ao acampamento dos meio sangue, onde está em segurança. Lá ele tem Chiron (Pierce Brosnan) como tutor e passa a treinar para se tornar um grande guerreiro. Só que Percy é acusado de ter roubado o raio de Zeus (Sean Bean), uma poderosa arma de destruição que pode fazer com que os deuses entrem em guerra. É quando Hades (Steve Coogan) visita o acampamento e oferece a Percy uma troca: que ele entregue o raio, o qual não possui, em troca da devolução de sua mãe, que faleceu em meio à fuga. Ele então parte para chegar ao Mundo Inferior, onde vivem Hades e Perséfone (Rosario Dawson), juntamente com Grover e Annabeth Chase (Alexandra Daddario), uma poderosa guerreira que conheceu no acampamento.

Percy Jackson: Sea of Monsters (no Brasil, Percy Jackson e o Mar de Monstros)

O aniversário de 17 anos de Percy Jackson (Logan Lerman) foi surpreendentemente calmo, sem ataques de monstros ou algo do tipo. Entretanto, uma inocente partida faz com que Percy e seus amigos se vejam desafiados a um jogo de vida ou morte contra um grupo de gigantes canibais. A chegada de Annabeth (Alexandra Daddario) traz ainda outra má notícia: a proteção mágica do Acampamento Meio-Sangue foi enveneada por uma arma misteriosa e, ao menos que seja curada, todos os semideuses serão mortos. Não demora muito para que Percy e seus amigos tenham que enfrentar o mar de monstros para salvar o local.

Quando falamos de filmes, desenhos, livros, etc, que envolve alguma mitologia, devemos lembrar que é essencial que as crianças que forem assistir devem receber antes uma preparação dentro da fé católica. Acredito que isso seria importante mesmo nos casos em que não se tratam de mitologias, pois se não soubermos lidar com os contos de fadas, deveríamos evitar que as crianças tivessem contato com este gênero do cinema e literatura.

De qualquer forma, é sempre importante lembrar o que já citamos no texto sobre A Origem dos Guardiões:

(...) Contos de fada, pois, não são responsáveis por levar às crianças medo, ou qualquer dos contornos do medo; contos de fada não dão à criança a ideia do mal ou do feio; isso já está nela, porque já está no mundo. Contos de fada não dão à criança sua primeira noção de bicho-papão. O que os contos de fada lhe dão é sua primeira ideia clara da possível derrota do monstro. O bebê conhece o dragão em seu íntimo desde o momento em que sobreveio a imaginação. O que o conto de fada lhe proporciona é um São Jorge para matar o dragão. O que o conto de fada faz é exatamente isso: habitua-o, por uma série de imagens claras, à ideia de que esses terrores ilimitados têm um limite, de que esses inimigos sem forma têm inimigos nos cavaleiros de Deus, de que há algo no universo mais místico que a escuridão e mais forte que o medo. (...)
(CHESTERTON, G.K. "Tremendous Trifles", XVII: "The Red Angel")

Sobre os filmes propriamente ditos, gostaria de fazer duas analogias que me chamaram a atenção:

- o distanciamento dos deuses do Olimpo com seus filhos

Zeus proibiu os deuses do Olimpo de manter contato com seus filhos, o que causa para alguns dos adolescentes decepção, tristeza, raiva, desejo de vingança ou como fazem alguns, vivem sua vida na esperança de ter a atenção de seus pais.

Fazendo um paralelo com a nossa vida cristã, vemos que muitos reagem da mesma forma que os personagens (adolescentes) dos filmes. Muita gente diz que Deus esqueceu da humanidade e não consegue enxergar o que Ele faz e como se faz presente, e diante disso se rebelam com seu Pai. 

O que precisamos ver é que Deus não nos trata como formigas em um aquário, mas sim que cuida de cada um de nós de forma especial e única. O Papa Bento XVI já nos lembrou essa situação:
“Deus não é um ser obscuro ou impassível, mas manifesta-se como uma pessoa que ama as suas criaturas”.

Os filmes nos mostram o risco que corremos ao não vermos a presença de Deus em nossas vidas, e de não reconhecer sua ação de Pai. Ao mesmo tempo, ao nos distanciarmos de Deus estamos nos afastamos de nós mesmos, como já nos alertou o Papa Bento XVI:

"Isto é importante: quem está longe de Deus também está longe de si mesmo, alienado de si mesmo, e só pode encontrar a si se se encontra com Deus. Deste modo, consegue chegar a seu verdadeiro eu, sua verdadeira identidade."

- a disputa entre os filhos dos diferentes deuses do Olimpo

Os filhos de cada deus do Olimpo moram juntos no acampamento, formando uma família de meio-irmãos que defendem a sua "casa", lutando para mostrar aos demais que seria o melhor. Claro que entre as casas existem algumas amizades, mas a rivalidade é gigante. Uma única diferença está em Percy Jackson, que mesmo tentando mostrar seus valor e vencer as provas para a sua casa (que a princípio só tem a ele mesmo, já que é o filho único de Poseidon - sem nenhuma comparação ou referência a Cristo), muitas vezes deixa a rivalidade de lado para ajudar alguém de outra família que precisa de ajuda, e assim perder a disputa.

Se fizermos um paralelo com o que temos entre as diferentes religiões no mundo, vemos algo semelhante. São conflitos entre judeus e muçulmanos, muçulmanos e cristãos, e por aí vai. Hoje o Papa Francisco nos lembrou de algo muito importante:

"Jesus quer-nos dizer com esta afirmação quase paradoxal que a fé não é algo de decorativo. A fé obriga-nos a uma opção fundamental a escolher Deus como critério-base. Com Jesus o ser humano passou a conhecer Deus. E um Deus com rosto humano. Jesus trás a paz e a reconciliação mas não a qualquer preço. E seguir Jesus - continuou o Papa Francisco - implica renunciar ao mal, ao egoísmo e escolher o bem, a verdade, a justiça mesmo quando isso nos obriga a sacrifícios. E isto divide, mesmo as relações mais próximas. Mas, atenção não é Jesus que divide!

Desta forma, esta palavra do Evangelho não autoriza ao uso da força para difundir a fé. É precisamente o contrário: a verdadeira força do cristianismo é a força da verdade e do amor, que comporta renunciar a todo o tipo de violência. Fé e violência são incompatíveis!"

Ou seja, de certa forma o Papa Francisco nos pede para agirmos como Percy Jackson, e em vez de mostrar a todos o valor do cristianismo à força, devemos agir conforme Cristo nos deu o exemplo e escolher fazer o bem. Esta é a melhor forma de mostrar o nosso valor, e assim não criar divisão. Manter-se nos caminhos da fé, sem dúvida, mas respeitar quem pensa diferente (ainda que não concordemos com seu pensamento e nos posicionemos de forma contrária). ·


ENFIM, os filmes não são obras que causam risco à fé se forem visto como mitologia/conto de fadas, mas ao mesmo tempo não apresentam tantos elementos que mereçam destaque.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Interestelar.


Por André Brandalise

Interestelar “Nós sempre nos definimos pela capacidade de superar o impossível.” (Cooper)

Sinopse: A Terra está à beira do colapso. Boa parte de suas reservas naturais acabaram e um grupo de astronautas recebe a missão de encontrar um planeta para receber a população mundial, possibilitando a continuação da espécie. Cooper (Matthew McConaughey) é chamado para liderar o grupo e aceita a missão sabendo que pode nunca mais ver os filhos. Ao lado de Brand (Anne Hathaway), Jenkins (Marlon Sanders) e Doyle (Wes Bentley), ele seguirá em busca de uma nova casa.

Christopher Nolan “brinca” com ficção científica há algum tempo, em bons filmes como “Amnésia” (2000), “O Grande Truque” (2006) e “A Origem” (2010), mas em Interestelar supera e muito seus limites. Ao contrário do que possa parecer, não se trata de uma discussão sobre se estamos sozinhos no universo ou não (como já vimos no filme Contato - que já foi analisado e recomendado por nós), mas todo o enredo é sobre a sobrevivência da espécie humana e até que ponto estamos dispostos a arriscar ou lutar por ela.

Durante todo o filme são exploradas várias teorias da física, como o buraco negro, buraco de minhoca e relatividade, tudo com apoio e embasamento trazido pelo físico teórico Kip Thorne. Buscou-se uma “fidelidade científica” em todas as teorias físicas apresentadas, o que traz maior mérito à produção, mas alguns questionamentos sociais e morais feitos são o grande motor do filme: o quanto você estaria disposto a arriscar ou sacrificar pela humanidade ou pelos que lhe são próximos?

Em um mundo já condenado, com a comida escassa e as mínimas chances de sobrevivência, aparece uma chance de salvar a humanidade. Se você … sim, meu caro leitor, VOCÊ … pudesse fazer algo neste projeto, até onde iria? Arriscaria a sua vida?

Vale lembrar as palavras do Papa Francisco em sua homilia na Missa de Ramos de 2013:

“E não devemos ter medo do sacrifício. Pensai numa mãe ou num pai: quantos sacrifícios! Mas porque os fazem? Por amor! E como os enfrentam? Com alegria, porque são feitos pelas pessoas que amam. Abraçada com amor, a cruz de Cristo não leva à tristeza, mas à alegria.”


Claro que não é a melhor produção de ficção científica já feita, mas não pode ser desconsiderada e muito menos seus questionamentos. Vale ser visto de preferência no cinema (IMAX ou XD – não precisa ser 3D) e depois se questionar sobre até onde vai a sua capacidade de “superar o impossível”.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Questão de tempo.


Por André Brandalise

“O meu passado, Senhor, à Tua misericórdia. O meu presente, ao Teu amor. O meu futuro, à Tua Providência” (Santo Padre Pio de Pietrelcina)

Sinopse: Tim (Domhnall Gleeson) faz parte de uma família de viajantes do tempo. Após descobrir o seu dom, ele passa a usá-lo em seu próprio proveito, principalmente para conquistar mulheres. É aí que ele conhece Mary (Rachel McAdams), uma garota linda, porém insegura. Usando suas habilidades nada convencionais, ele altera o tempo para construir uma linda história de amor. Mas ele também vai perceber que nem tudo está sob o nosso domínio.

Algumas vezes nos deparamos com filmes que tratam dessa temática: a volta no tempo e mudança de decisões e atos que acabam repercutindo no futuro. O primeiro ótimo registro desse tema foi com o livro de H.G. Wells, “A Máquina do Tempo”, que já foi adaptado para o cinema algumas vezes. Também tivemos a ótima trilogia “De Volta para o Futuro”, em que acompanhamos Marty McFly tentando salvar o passado, presente e futuro de uma vez só.

Nesta produção temos contato novamente com esta temática, em que o rapaz descobre que tem o dom de voltar ao passado e alterar os atos, o que, com certeza, gera consequências no presente e futuro. É uma solução fácil para aqueles que se arrependem de algo que fizeram, ou então, uma forma de evitar sofrimentos.

Todo esse vai e vem no tempo, durante o filme, nos leva a acompanhar ótimas experiências, como a excelente relação entre pai e filho e o que isso gera na vida deles no presente e futuro (inclusive com uma nova geração vindo), torcendo para que o jovem protagonista consiga viver sua vida com felicidade, corrigindo erros do passado ou melhorando situações do presente, ainda que fúteis, inclusive com alguns momentos cômicos.

Tudo isso nos leva a pensar o que mudaríamos no nosso passado… Mas, creio que nenhum dos leitores tem este dom de voltar ao passado, então, para cada um de nós vale lembrar as palavras de Gandalf em “O Senhor dos Anéis”:  “O que nos cabe é decidir o que fazer com o tempo que nos é dado”.

Seria ótimo podermos retornar e apagar de nossa história os erros que cometemos, mudar as situações vexatórias que passamos, impedir que viéssemos a conhecer pessoas que nos causassem mal, entre tantas outras coisas, mas como não podemos, devemos aprender com o passado, confessar nossos pecados (quando arrependidos) e, no presente, agirmos pensando em nosso futuro, mas cientes de que este a Deus pertence.

O Papa Francisco, em uma de suas homilias na Casa Santa Marta, diz que toda a nossa vida está fundada em três pilares: um no passado, um no presente e outro no futuro. O pilar do passado, explicou, “é o da eleição do Senhor”, que Ele nos disse “venha”. O futuro, ao invés, diz respeito ao “caminhar rumo a uma Promessa”, o Senhor “fez uma promessa conosco”. Por fim, o presente “é a nossa resposta a esse Deus tão bom que nos elegeu”.

E finalizou assim:

“Esquecer o passado, não aceitar o presente, desfigurar o futuro: é o que fazem as riquezas e as preocupações. O Senhor nos diz: ‘Estejam tranquilos! Busquem o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais lhes será acrescentado. Peçamos ao Senhor a graça de não errar com as preocupações, com a idolatria da riqueza e de sempre lembrar que temos um Pai, que nos elegeu; lembrar que este Pai nos promete uma coisa boa, que é caminhar rumo àquela promessa e ter a coragem de aceitar o presente como vem. Peçamos essa graça ao Senhor!”


Vale a pena assistir este filme, seja para refletirmos conforme colocado acima, ou apenas pelo bom filme que é.

domingo, 7 de setembro de 2014

Como treinar seu dragão … 1 e 2


Por André Brandalise

Ser der asas ao homem, o mundo se tornará pequeno.

A DreamWorks trouxe ao cinema duas belíssimas produções baseadas nos livros infanto-juvenis criados pela escritora Cressida Cowell, que contam as estórias de Soluço e seu povo, incluindo os dragões. Os filmes, ainda que tenham mudado bastante coisa, se comparados aos livros, conquistaram vários fãs de diversas idades.

São filmes para serem vistos em família, entre amigos, no grupo de oração ou de jovens, e até mesmo na catequese.

COMO TREINAR SER DRAGÃO

Sinopse: Soluço é um viking adolescente que não combina muito bem com a longa tradição de sua tribo de heroicos matadores de dragões. Seu mundo vira de cabeça para baixo quando ele encontra Banguela, um dragão que desafia tanto ele quanto seus amigos a encararem o mundo a partir de outro ponto de vista.

O primeiro filme nos mostra que, mesmo tendo um grande inimigo, mais forte e poderoso, podemos buscar uma nova forma de convivência em vez da batalha, que tanto o Papa Francisco tem insistido: a cultura do encontro. Na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium o Papa nos coloca uma missão:

67. (…) Enquanto no mundo, especialmente em alguns países, se reacendem várias formas de guerras e conflitos, nós, cristãos, insistimos na proposta de reconhecer o outro, de curar as feridas, de construir pontes, de estreitar laços e de nos ajudarmos “a carregar as cargas uns dos outros” (Gl 6,2).


Não podemos nos limitar aos nossos medos, e antes de realmente entrar em uma batalha, devemos oferecer a outra face e buscar uma solução amigável.

sábado, 9 de agosto de 2014

Os Guardiões da Galáxia


Por André Brandalise

Então aqui estamos: um ladrão, dois bandidos, uma assassina e um louco. Mas não vamos ficar esperando o mal apagar a galáxia. Eu acho que nós estamos presos juntos, parceiros. (Peter Quill … ou Star-Lord)

Qualquer pessoa que ver o trailer deste filme logo vai imaginar que o Projeções de Fé vai indicar assistir como “just for fun” (apenas por diversão), mas estaria um pouco equivocada. Apesar de ser o filme mais divertido já produzido pela Marvel Studios, não há como deixar de ver lições atuais para o homem.

Sinopse: Peter Quill (Chris Pratt) rouba uma esfera desejada pelo vilão Ronan. Devido ao furto, passa a ser procurado por vários caçadores de recompensas. Na tentativa de escapar, une-se a quatro personagens: Groot, uma árvore humanóide (dublada por Vin Diesel), Gamora (Zoe Saldana), o texugo Rocket Racoon (com voz de Bradley Cooper) e Drax, o Destruidor (Dave Bautista). O personagem principal descobre que a esfera roubada possui um poder capaz de transformar o universo e passa a proteger o objeto para salvar o futuro. O longa é baseado nas HQs da Marvel.

Os cinco principais personagens apresentam, de forma geral, problemas durante a sua vida que os fizeram tomar a decisão de seguir o caminho da marginalidade, movidos por raiva, vingança, ódio ou apenas comodismo. Cada ação egoísta ou violenta é fruto desta decisão.

Durante o filme vemos que cada um é colocado à frente de si mesmo, em que passa a se questionar qual a atitude que tomará diante dos grandes problemas que aparecem em sua frente: escondo-me e tento me proteger, ou enfrento e tento ajudar os outros?

Para quem sempre teve uma visão egoísta e sem se importar com os demais, esta encruzilhada poderá ser uma grande mudança de vida. O Papa Francisco, quando esteve no Brasil, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude em 2013, disse:

“A realidade pode mudar, o homem pode mudar. Procurem ser vocês os primeiros a praticar o bem, a não se acostumarem ao mal, mas a vencê-lo”.

No filme, os personagens passam por esta encruzilhada e tomam uma decisão, mudando as realidades e a vida deles, e nós podemos fazer o mesmo todo dia, pois a cada momento somos provados, de alguma maneira.

Você poderá assistir o filme apenas como diversão, e não estaria errado por isso, afinal, trata-se do filme mais divertido já lançado pela Marvel Studios até hoje. Todos os detalhes do filme foram muito bem pensados, trabalhados de forma a cativar seu público. Desde o início você vai conhecendo e se importando com os personagens, com suas dores e alegrias, e acaba rindo muito com as piadas (várias, diga-se de passagem) lançadas no decorrer das cenas, mesmo quando entrelaçadas com cenas de ação (que também são muitas).


E também poderá colocar um tempero e pensar nas suas decisões diante das encruzilhadas da sua vida.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

A culpa é das estrelas.


Por Cleiton Robson

“Nos dias mais sombrios, o Senhor coloca as melhores pessoas na sua vida.”

“A Culpa é das Estrelas” se trata de uma obra para ser sentida.  Ainda que isso implique na possibilidade de você começar a soluçar no cinema. O importante é sentir. A trama apresenta Hazel (Shailene Woodley), uma jovem adolescente com câncer terminal, que conhece e se apaixona por um carismático jovem chamado Gus (Ansel Elgort). Juntos, o casal acaba descobrindo o prazer pela vida e pelo amor, à medida em que se apaixonam. O ator protagonista, “bonito e charmoso”, encarna perfeitamente o adolescente comum que se sente imortal depois de superar os obstáculos e com a certeza de que encontrou a mulher de sua vida.

Fazia tempo que não gostava tanto de um filme como gostei desse! Tudo bem que já fui predisposto a uma grande obra, como de fato foi… Mas este, realmente me surpreendeu pela fidelidade ao livro e ao uso dos jargões contidos nele. Chorei ao ver o olhar de apaixonados dos dois atores, ao ver os olhos brilhando, ao ver o amor dos pais deles e fiquei me questionando se realmente quero ser lembrado por todos ou se somente por uma pessoa. Se pelo que faço ou se por quem sou. Tanto no livro quanto no filme, um dos pontos-chave é: quem vai lembrar de mim, ou para quem eu quero ser importante? E, talvez, este seja o norte que tomo para esta reflexão.

Uma das temáticas que mais me chamou a atenção no livro e que fez com que esperasse ansiosamente pelo filme foi o que o autor – John Green (que estudou para ser Padre e daí entender o motivo do seu livro ser cheio de citações de filósofos e de metáforas existenciais) – tocou como problemática de todos nós: “o medo de ser esquecido”, pois podemos ser bem cegos quando o assunto são os sentimentos das outras pessoas, uma vez que, por natureza, nos fechamos em nosso egoísmo e  fazemos de tudo para que sejamos reconhecidos, seja pelo nosso jeito, seja pelo que lemos, escrevemos, pelo modo como trabalhos, falamos, agimos… Tudo na tentativa de sermos aceitos no meio em que convivemos.

Muitas vezes, somos metidos a “durões”, insensíveis… No fundo, somos mesmo é molengas e altamente sensíveis; Porém, por medo de não sermos aceitos, não mostramos quem ou como realmente somos; Criamos um personagem, uma imagem de quem ou como gostaríamos de ser. Por isso que, quando nos deparamos com cenas, pessoas, livros, situações, músicas que nos “tocam” de alguma maneira, choramos; E o choro é sinal de que algo nos tocou. Seja uma dor, seja algo muito bom. O choro é sinal visível do encontro com o nosso eu mais íntimo; Encontro este que é com a alma de Deus e que toca a nossa própria.

Toda a adaptação do filme é muito bem “costurada”, intercalando, como no livro, momentos de alegria, tristeza, decepção, ansiedade… Encontro! Encontro de almas! Fala-se de “amor verdadeiro e único”, daquele que é eterno. “Eterno” significa aquilo que não tem começo nem fim; Simplesmente sempre existiu e sempre existirá. O que acontece no filme e na nossa vida é uma “adaptação” do que seja este “eterno”, para algo “infinito”. Daí o autor colocar na boca do escritor querido pela Hazel que “Alguns infinitos são maiores que outros”, uma metáfora, entre tantas outras que a obra oferece. O que é infinito pode ter tido um começo, mas não terá um fim. Assim somos nós quando nos percebemos envolvidos pelo “Amor verdadeiro”, que nos toca e este toque é tão marcante que nos faz chorar.

Este choro que, numa trama robustecida pelo agravante de um câncer, nos faz pensar sobre o valor que damos às pessoas ao nosso redor, ao tempo que lhes dispensamos, a querer fazer mais coisas de que gostamos… A querer viver, a querer amar e ser amado – o grande dilema do ser humano. Nessa busca, nos permitimos sonhar e até poetizar alguns momentos da nossa existência. Neste sentido, John Green foi feliz ao nomear o livro com a negação da afirmação de Shakespeare: “A culpa é das estrelas”.

Numa situação de um câncer, não há quem ou o que culpar; Como o poeta inglês afirma, a “culpa” das escolhas feitas em nossa vida é realmente nossa. Porém, que culpa têm as pessoas que são acometidas por doenças como o câncer? Nenhuma. Este é o paradoxo que o autor da trama procura desenvolver ao longo de todo o livro e pouco tocado no filme, pois esta não foi a preocupação no momento da adaptação, mas mostrar que, mesmo aquelas pessoas que têm alguma enfermidade como um câncer, ainda que terminal, têm a possibilidade e o direito de amar e de serem amadas, de viverem um amor tão intenso, que supera os momentos de dores físicas e emocionais, ainda que com os pés no chão, de modo bem concreto e como enfatizado no filme, “a dor precise ser sentida”.

Com maestria, John Green levanta problemáticas filosóficas e existenciais, tanto no livro quanto no filme. Um destes momentos é quando Gus se declara para Hazel:

“… sei que o amor é apenas um grito no vácuo, e que o esquecimento é inevitável, e que estamos todos condenados ao fim, e que haverá um dia em que tudo o que fazemos voltará ao pó, e sei que vai engolir a única Terra que podemos chamar de nossa…”

Fazendo um paralelo com o que afirmou o teólogo alemão Rudolf Otto, citado no livro e no filme, em relação ao que seja o Amor, podemos dizer que é um “discreto sussurro do espírito no coração, mas que é possível encontrá-lo em eventos, fatos, pessoas…”. Neste sentido, é que entendemos que “alguns infinitos são maiores que outros”, pois, só na eternidade dentro dos dias numerados” é que conseguimos enxergar a ação do “amor verdadeiro”, que, ao contrário do que muitos afirmam, liberta e não aprisiona, não é possessivo, tudo alcança.

É inegável que a declaração de Augustus a Hazel se faz a partir da consciência que ele tem do que é realmente sagrado e crê nisso, como afirma. Se forçarmos um pouco, também é possível fazer uma analogia de tal declaração e de todo o romance dos dois com o hino de São Paulo à Caridade, em Coríntios 13.

É muito fácil em momentos de crises e dores, nos perguntarmos onde está Deus… E, neste questionamento, esquecer da Sua existência ou de que, independentemente da nossa fidelidade, Ele continua a nos amar e jamais abandona, pois é o Puro Amor, é o Verdadeiro Amor, é Amor.

No entanto, como afirmei acima, no fundo de tudo, “o que nós queremos é ser notados pelo universo, fazer com que o universo dê alguma bola para o que acontece com a gente, como indivíduo”; Essa carência, na maior parte das vezes, só é suprida quando entendemos que “o verdadeiro amor supera e lança fora todo temor” (Cf.: 1 Jo 4,18b); Só amamos porque e quando nos percebemos amados. E isto, em vista de que, nos momentos de tristeza, percebemos que ela não nos muda, mas nos desvela e nos revela tais quais somos. Daí entendermos que “as marcas que as pessoas deixam em nós, com frequência, são cicatrizes”. Por isso tememos amar… E não permitimos sermos amados.

O grande desafio que a obra e o autor deixam para cada um de nós é aquele já tão falado e, por vezes, calejado: o desejo de amar e de se permitir ser amado e, a partir disso, aceitar as escolhas feitas, pois devem ser mostras livres do Amor em Si: Deus mesmo. E nisto seremos lembrados: pelo quanto e não pelo como amamos.

Recomendo vivamente este filme e a leitura das obras do John Green, uma vez que seus dramas existenciais tocam e mexem não somente com adolescentes, mas – por tratarem de vidas – com cada um que se aventura a querer buscar a eterna juventude, amando.

Ficha Técnica:

Gênero: Drama.
Direção: Josh Boone.
Roteiro: Michael H. Weber, Scott Neustadter.
Elenco: Allegra Carpenter, Amber Myers, Ana Dela Cruz, Ansel Elgort, Apurva Padubidri, Bethany Leo, Camera Chatham Bartolotta, David Whalen, Emily Bach, Emily Peachey, Eric Filo, Frankie Palombi, Garit Rathmell, Jean Brassard, Johanna McGinley, Laura Dern, Lotte Verbeek, Maddox Rathmell, Mike Birbiglia, Milica Govich, Nat Wolff, Randy Kovitz, Sam Trammell, Shailene Woodley, Silvio Wolf Busch, Viviana Cardenas, Willem Dafoe, Wyatt McClure.
Produção: Marty Bowen, Wyck Godfrey.
Duração: 125 min.
Ano: 2014.
País: Estados Unidos.
Estreia: 05/06/2014 (Brasil).
Estúdio: Temple Hill Entertainment.
Classificação: 12 anos.
Informação complementar: Baseado no best-seller homônimo de John Green.

Assista ao trailer.