Sinopse:O bioquímico dr. Hank Pym (Michael
Douglas) usa sua mais recente descoberta, um grupo de partículas
subatômicas, para criar uma roupa de alteração de tamanho. Com sua nova
tecnologia, o doutor passa a ter a capacidade de diminuir em escala mas crescer
em força. É então que o vigarista Scott Lang (Paul Rudd) precisa assumir o lado
heróico e ajudar seu mentor a proteger os segredos por trás do espetacular
traje do Homem-Formiga de uma nova geração de ameaças. Juntos, precisam salvar
o planeta.
A Marvel segue o
caminho traçado em Guardiões da Galáxia e traz mais um filme
divertido, que não se leva a sério e, ao mesmo tempo, se leva a sério. Não se
pode, de forma alguma, desmerecer o filme por se imaginar a impossibilidade
científica de um homem normal tornar-se do tamanho de uma formiga, antes disso,
devemos olhar elo lado pessoal de cada personagem.
É claro que se trata
de mais um filme de herói fantástico, empolgante e divertido, que também
apresenta um homem buscando a redenção. Depois de sair da prisão,
após cumprir sua pena, o personagem principal, Scott Lang, tenta reconstruir a
sua vida pensando em sua filha. Quer fugir do crime e opta pela mudança de
caminho.
Muitos de nós passamos
por isso, todo dia, a vida toda, quando somos colocados à prova diante de
situações de pecado que aparecem à nossa frente. Algumas vezes caímos e
temos sempre a chance de buscar a remissão de nossos pecados, o perdão
divino de nossos erros.
O mesmo vale para
aqueles que cometeram crimes e foram presos. No entanto, assim como para se ter
uma boa confissão, a mudança de vida somente ocorrerá se houver uma decisão
pessoal e firme de mudança de vida. Não é a prisão ou qualquer outra
Instituição que vai fazer com que a pessoa mude, pois isso somente ocorrerá
quando ela decidir mudar.
“No fundo de cada situação
de pecado, porém, encontram-se sempre pessoas pecadoras. Isto é tão
verdadeiro que, se tal situação vier a ser mudada nos seus aspectos estruturais
e institucionais pela força da lei, ou — como acontece com mais frequência,
infelizmente — pela lei da força, a mudança revela-se, na realidade,
incompleta, de pouca duração e, no fim de contas, vã e ineficaz — para não
dizer mesmo contraproducente — se não se converterem as pessoas direta ou
indiretamente responsáveis por essa mesma situação.”
O filme nos traz
essa realidade, ainda que de forma divertida, onde pessoas que passaram
pela prisão acabam retornando à vida do crime, e somente há a mudança de
caminho quando tomam a decisão verdadeira de não caírem mais no erro.
Um ponto
interessante é que, para Scott Lang mudar de vida,
teve que fazer-se pequeno… literalmente. Claro que não foi intenção do
roteiro fazer este paralelo, mas, com certeza, seria algo a se pensar neste
processo de transformação.
Como fã de
quadrinhos e bons personagens, digo para ir ao cinema porque é diversão
garantida. Como católico, recomendo que veja para reflexão sobre o que
te move para ser uma pessoa melhor e se está fazendo de tudo para isso.
Sinopse:Riley é uma garota divertida de 11 anos de
idade, que deve enfrentar mudanças importantes em sua vida quando seus pais
decidem deixar a sua cidade natal, no centro dos Estados Unidos, para viver em
São Francisco. Dentro do cérebro de Riley, convivem várias emoções diferentes,
como a Alegria, o Medo, a Raiva, o Nojinho e a Tristeza. Embora esses grupos
sejam normalmente organizados, a chegada de Riley a uma nova escola faz com que
todas as emoções se misturem.
A Pixar tem o [bom]
hábito de nos trazer belas animações que, assim como a trilogia Toy
Story, servem para adultos e crianças. Divertida Mente é
um desses casos, em que as crianças, com certeza, irão se apaixonar pelos
personagens, dar risadas e chorar com cada um deles, mas os adultos terão
ótimas lições para a sua vida e de seus filhos/netos/sobrinhos/afilhados.
As personagens que
estão na cabeça de Riley (e dos pais também … quer dizer, de todo mundo) foram
muito bem caracterizados, tanto na personalidade específica de cada um, como
nas cores e trejeitos. Cada detalhe foi colocado de forma simples e, ao
mesmo tempo, brilhante.
Cada um tem na
cabeça algo que podemos chamar de “torre de controle”, em que as emoções
controlam as reações da pessoa. Em alguns momentos, vemos as diferenças de
“mentalidade” da filha, da mãe e do pai, mostrando não só a maturidade, em
razão da idade, como a diferença em virtude do sexo (o que também vale para as
emoções que habitam na respectiva “torre”).
A beleza do
filme está em mostrar o relacionamento das emoções e como tentamos
afastar (ou abafar) a tristeza e deixar a alegria tomar conta. Nós, os adultos,
no desejo de proteger as crianças, tentamos fazer o mesmo com
elas. Esquecemos que a tristeza faz parte do crescimento, amadurecimento e
formação da personalidade de cada pessoa e que, muitas vezes, ela é
necessária em diversos momentos para se aprender a enfrentar as diversas
dificuldades da vida.
O papel dos pais
é estar presente, é ajudar a enfrentar os momentos tristes e participar dos
alegres. É também ser o ombro amigo, e quando necessário a autoridade que dá os
limites. É tudo isso e muito mais, mas sem controlar a criança, como se ela
fosse programável igual a uma máquina.
“Portanto, a
primeira necessidade é precisamente esta: que o pai esteja presente na família.
Que se encontre próximo da esposa, para compartilhar tudo, alegrias e dores,
dificuldades e esperanças. E que esteja perto dos filhos no seu crescimento: quando
brincam e quando se aplicam, quando estão descontraídos e quando se sentem
angustiados, quando se exprimem e quando permanecem calados, quando ousam e
quando têm medo, quando dão um passo errado e quando voltam a encontrar o
caminho; pai presente, sempre. Estar presente não significa ser controlador,
porque os pai demasiado controladores anulam os filhos e não os deixam
crescer. (…)
Um pai bom sabe
esperar e perdoar, do profundo do coração. Sem dúvida, também sabe corrigir com
firmeza: não se trata de um pai fraco, complacente, sentimental. O pai que sabe
corrigir sem aviltar é o mesmo que sabe proteger sem se poupar.”
Ao mesmo tempo é uma
outra lição para nós adultos, que esquecemos muitos de nossos momentos na vida,
de aprendizados, de coisas que gostamos. Em alguns momentos eu pensei em mim,
ainda criança ou adolescente, as mudanças próprias da idade, o enfrentamento
das dificuldades, minhas tristezas e alegria, as coisas que tive que deixar
pelo caminho e outras que acolhi. Sim, assim como tantos outros filmes da
Pixar, meus olhos ficaram marejados … e tenho certeza de que você passará por
uma experiência semelhante. Pode não ser a melhor animação da Pixar,
mas está facilmente entre as melhores.
Que possamos
assistir (de preferência no cinema e até mesmo dublado – ótima dublagem) de
coração aberto, vendo a vida com os olhos de cada emoção na “torre de
controle”, pensando no crescimento de tantas crianças ao nosso redor e
lembrando de nós mesmos.
Sinopse:Chris Kyle, maior atirador do
exército americano, é enviado para o Iraque e logo se torna uma lenda conforme
as histórias da sua coragem e as vidas que salvou vão se espalhando. Ao mesmo
tempo que precisa se proteger dos inimigos que o fizeram de alvo, Kyle ainda
tem que lidar com as dificuldades de ser um bom pai e marido mesmo estando do
outro lado do mundo.
Sempre que vejo um filme com a direção
de Clint Eastwood eu me interesso, sendo, com certeza, um dos meus diretores
preferidos. Também me chamou a atenção os comentários da crítica quanto à
atuação de Bradley Cooper. O somatório dos dois resultou, para mim, em um
ótimo filme.
Vemos uma pessoa que, movida pelo
patriotismo típico do norte-americano, busca as forças armadas para
defender sua pátria. Para quem tem aversão aos Estados Unidos este filme
será ruim, pois, desde o início, já começará a condenar o
protagonista e qualquer ação do exército ianque no Iraque. No entanto,
este não pode ser visto como um novo “Rambo”, porque é uma produção
baseada em uma autobiografia, que mostra um homem impactado pelo ato terrorista
de 11/09/01 que decide lutar pela liberdade. Chris Kyle foi apenas
um, entre vários que fizeram o mesmo, e o filme não trata apenas de seus feitos
como soldado, mas também das dificuldades do homem, marido e pai.
Como costuma fazer, Clint Eastwood traz
um belo filme com muito mais do que imagens de guerra, nos fazendo
entender e interagir com o protagonista. Para mim, é uma obra a ser comparada
ao fantástico “Cartas de Iwo Jima”, outra produção de Clint.
Mas e sob a visão católica, o que
podemos dizer?
Primeiro, devemos ter em mente que,
muito embora a Igreja Católica seja contra a guerra, reconhece a necessidade da
existências das forças armadas e da sua atuação quando necessário,
como podemos ver no Compêndio da Doutrina Social da Igreja:
502As exigências da legítima
defesa justificam a existência, nos Estados, das forças armadas, cuja ação deve
ser posta ao serviço da paz: os que com tal espírito tutelam a segurança e a
liberdade de um País, dão um autêntico contributo à paz. Toda a pessoa que
presta serviço nas forças armadas é concretamente chamada a defender o bem, a
verdade e a justiça no mundo; não poucos são aqueles que nas forças armadas
sacrificaram a própria vida por tais valores e para defender vidas inocentes. O
crescente número de militares que atuam no seio de forças multinacionais, no
âmbito das «missões humanitárias e de paz», promovidas pelas Nações Unidas, é
um fato significativo.
Ainda, quando se fala de terrorismo, no
mesmo documento existe o posicionamento da Igreja:
514O terrorismo deve ser
condenado do modo mais absoluto. Este manifesta o desprezo total da vida humana
e nenhuma motivação pode justificá-lo, pois que o homem é sempre fim e nunca
meio. Os atos de terrorismo atentam contra a dignidade do homem e
constituem uma ofensa para a humanidade inteira: «Existe por isso um direito a
defender-se do terrorismo». Tal direito não pode, todavia ser exercido no vácuo
de regras morais e jurídicas, pois que a luta contra o terrorismo deve ser
conduzida no respeito dos direitos do homem e dos princípios de um Estado de
direito. A identificação dos culpados deve ser devidamente provada, pois a
responsabilidade penal é sempre pessoal e, portanto, não pode ser estendida às
religiões, às nações, às etnias, às quais os terroristas pertencem.
É claro que a invasão dos Estados
Unidos ao Iraque pode gerar uma imensa discussão sobre motivos e etc., mas
temos que lembrar que os soldados norte-americanos estavam atuando motivados
pelo ocorrido em 11/09/01 e, no caso do protagonista deste filme, isso fica
muito evidente.
Entendo ser uma ótima produção e indico
a qualquer pessoa, mas em termos de “Projeções de Fé” qualifico como
vale conferir, porém, valendo indicar também que seja visto sob
os olhos do homem Chris Kyle e seus anseios.
Sinopse:Jupiter Jones (Mila Kunis)
nasceu sob um céu noturno, com sinais de que estava destinada a algo maior.
Agora já crescida, Jupiter sonha com as estrelas, mas acorda para a realidade
fria do seu trabalho de limpar banheiros e uma interminável luta contra o mau
caminho. É somente quando Caine (Channing Tatum), um caçador ex-militar
geneticamente modificado, chega à Terra para localizá-la que Jupiter começa a
vislumbrar o destino reservado à ela desde o início – sua assinatura genética a
marca como a próxima na fila para uma herança extraordinária que poderia
alterar o equilíbrio do cosmos.
O filme é dos mesmos criadores de Matrix,
e apresenta diversos elementos que podemos identificar em outros filmes. Embora
não tenha a mesma pegada filosófica da trilogia “Matrix”, podemos
ver alguns conceitos semelhantes. Também podemos
identificar influência de “Star Wars” e algumas naves com
design próximo ao se viu em “John Carter: Entre dois mundos”.
Isso significa que o filme é um
emaranhado de ideias de outros filmes? Não, o filme vai além disso, mas
destaquemos três pontos bem relevantes e que merecem a sua atenção.
Muitos têm por hábito rotular as
pessoas pelo que fazem, e não pelo que são. Ao mesmo tempo, existem pessoas que
rotulam a si mesmos por uma condição específica, como se isso definisse quem
elas são. No filme vemos Júpiter que se julga uma perdedora (que odeia a sua
vida) pela condição social que tem, sem saber que, na verdade, é muito mais do
que a aparência mostra. Seu valor não está no banheiro que limpa ou no quarto
que arruma, mas em algo interior que nem ela mesma se dá conta. Esta
é uma lição muito importante para todos nós:não importa o que você faz, mas
quem você é na verdade – filho (a) de Deus!
Quando reconhecemos e assumimos esta
verdade, até mesmo o “limpar um banheiro” pode se tornar algo mais fácil e
valorizado, além do que não devemos ser cristãos apenas no nome, mas também no
dia a dia. Não basta bater no peito e autoproclamar-se cristão, devemos agir
como tal, como já nos exortou o Papa Francisco:
Outro ponto interessante está no
sacrifício (vamos tentar explorar a situação sem dar spoiler).
Todos nós buscamos conforto e defender os nossos amigos e parentes, mas
até que ponto você está disposto a sacrificar a si mesmo e os
seus amigos e parentes, pensando na coletividade? Este é um desafio complicado
para todos nós, ainda mais levando em conta que podemos sacrificar quem mais
amamos em defesa de quem não conhecemos.
E, finalmente, e não menos importante,
temos muitos na sociedade que gostam de “sugar” os outros para seu próprio
proveito. Pode ser uma relação de emprego, amizade, parentesco, etc., em que
alguém serve apenas como objeto útil que será descartado assim que perder a sua
utilidade. Existem pessoas que fazem isso sem o menor pudor, achando que é algo
necessário para que sejam felizes e para se manterem “por cima da carne seca”.
Esta mentalidade utilitarista já foi duramente criticada pelo Papa Bento
XVI (homilia de 3 de junho de 2012):
“A mentalidade utilitarista tende a
estender-se também às relações interpessoais e familiares, reduzindo-as a
precárias convergências de interesses individuais e minando a solidez do tecido
social.”
O filme é divertido, agitado, como
ótima produção gráfica, mas tem algumas falhas de roteiro (existem
situações que acontecem muito rápido) ainda que não estraguem a produção. O que
desanima um pouco é a atuação forçada e caricata demais do ator Eddie Redmayne.
Mas vale pela ação, romance, atuação de Channing Tatum e Mila Kunis, e o
belíssimo visual gráfico.
Atenção 1: eu vi em 3D e digo que é
completamente desnecessário, chegando, inclusive, a atrapalhar. Quando temos
muitas cenas rápidas e com muitos elementos visuais, o 3D se perde e incomoda
especialmente quem já usa óculos e tem que usar o do cinema também. Se puderem
evitar, melhor.
Atenção 2: o filme tem indicação deidade para 12 anos, e é importante que isso seja
destacado. Têm duas cenas de nudez de costas que, em si, não são agressivas,
mas é importante que isso seja destacado para se evitar surpresas
desagradáveis. Também, há uma cena em que se sugere um tipo de relação sexual
de um homem com várias alienígenas. Apesar de não mostrar “nada demais”, é
outro momento em que os mais descuidados poderão se assustar. Apesar dessas
considerações é um filme interessante a ser visto.
“2. (…) Mas para um cristão, consciente da sua
responsabilidade também perante o mais pequeno de seus irmãos, não há
tranqüilidade preguiçosa, nem há lugar à fuga; (…)
57. (…) Vós, cruzados voluntários de uma nova e nobre
sociedade, erguei o novo lábaro da redenção moral e cristã, declarai luta às
trevas da apostasia de Deus, à frialdade da discórdia fraterna; lutai em nome
de uma humanidade gravemente enferma e que é preciso curar em nome da
consciência levantada pelo cristianismo.”
(Papa Pio XII, radiomensagem do Natal de 1942)
Finalmente
chegamos ao final da trilogia de O Hobbit (leu nossos textos anteriores? O
Hobbit – Uma Jornada Inesperada e O Hobbit: A Desolação de Smaug).
Sinopse:
Terceira parte – e última – do prequel da famosa trilogia O Senhor dos Anéis. A
história, ambientada 60 anos antes da saga do Anel, mostra a inesperada
aventura de Bilbo Bolseiro, tio do jovem Frodo, ao lado do mago Gandalf, do
anão Thorin Escudo de Carvalho e seus 13 companheiros, no resgate de um tesouro
da família de Thorin, que foi roubado pelo temido dragão Smaug.
O
título do filme já nos leva ao grande momento da trilogia (muito embora a visão
do dragão Smaug no segundo filme seja excepcional) em que poderemos ver
exércitos de homens, elfos e anões juntos. Em “O Senhor dos Anéis” tivemos a
união destas raças, mas não vimos os exércitos atuando em conjunto.
Somos
jogados em uma produção de fantasia em que anões montam bodes, Thranduil (o
grande rei élfico) monta um alce com chifres gigantes, isso sem falar em elfos,
anões, orcs, etc.. Diante de filmes que buscam ser cada vez mais reais (mesmo
os de super-heróis), é ótimo ver uma autêntica fantasia para encher nossos
olhos. Mesmo assim existem grandes lições que podemos tirar.
No
mundo criado por JRR Tolkien, desde a criação existe a rivalidade entre elfos e
anões, e aos homens (que são os seres mais fracos entre eles) resta ter que
administrar esta disputa. Em alguns momentos apoiarão os elfos, em outros
apoiarão os anões, mas todas as vezes que foi necessário as três raças
uniram-se para enfrentar o grande mal que ameaça matar o bem.
Neste
filme vimos tudo isso e somos jogados em uma grande batalha em que não há
espaço para se esconder ou ficar para proteger seus tesouros. É uma batalha de
vida ou morte e quem não a toma para si assume um tipo de morte. Nós vivemos
esta batalha todos os dias, a cada momento em que somos convocados a assumir a
Cristo. É o bom combate a ser combatido, ainda mais em um mundo que busca
afastar Deus.
A
batalha nos trará novos amigos, mas ao mesmo tempo perderemos outros.
Conseguiremos ultrapassar desafios, e quando formos jogados ao chão teremos
sempre alguém para nos ajudar a levantar, como um apoio providencial. Em alguns
momentos seremos forçados a fazer sacrifícios por nós e por outros, isso sem
esperar recompensa. Não serão decisões fáceis, mas com certeza serão decisões
necessárias para aqueles que almejam mais em suas vidas.
Que
ao assistir este filme possamos deixar nossa teimosia de anão, nosso orgulho de
elfo e ganância de homem de lado, para buscarmos a sabedoria dos magos (seres
angelicais – vejam o texto sobre o filme O Hobbit – Uma Jornada Inesperada) e a
simplicidade dos hobbits para enfrentar a maior batalha de todos os tempos … a
batalha pela vida eterna.
Antes de falar sobre
os filmes, entendo que devemos fazer uma apresentação sobre a saga. Então vamos
lá...
Percy Jackson
& the Olympians (Percy
Jackson e os Olimpianos no Brasil) é uma série de cinco livros juvenis de
aventura escrita por Rick Riordan, retratando a mitologia grega no século XXI.
O personagem principal é Percy Jackson, que descobre ser um meio-sangue, filho
de Poseidon, deus do mar, com uma humana. Além dele, outros personagens
notórios são Annabeth Chase, filha de Atena, Grover Underwood, um sátiro
adolescente, Thalia Grace, filha de Zeus, Luke Castellan, filho de Hermes,
entre outros.
Os livros fazem uma
adaptação moderna das estórias de Hércules, Perseu, Aquiles, etc., que segundo
a mitologia grega seriam filhos de deuses do Olimpo com humanos, portanto,
semideuses. Estes personagens fizeram parte de diversos livros, filmes,
seriados e desenhos durante muitos anos, o que veio a dar mais
"graça" às aulas de história sobre a Grécia Antiga.
E essa releitura da
mitologia, de que modo nos atinge? Bom, para chegarmos a esta resposta
precisamos conhecer sobre os filmes, e por isso colocarei as sinopses de cada
um.
Percy Jackson & the Olympians: The Lightning Thief (no Brasil, Percy
Jackson e o Ladrão de Raios)
Percy Jackson
(Logan Lerman) é um jovem que enfrenta problemas na escola, devido ao que
acredita ser dislexia e déficit de atenção. Ele foi criado por sua mãe, Sally
(Catherine Keener), e vive com Gabe Ugliano (Joe Pantoliano), seu padrasto, que
odeia. Após ser atacado em plena excursão escolar, é revelado a Percy que ele é
um semideus, ou seja, filho do deus Poseidon (Kevin McKidd) com uma humana, e
possui poderes. Protegido por Grover Underwood (Brandon T. Jackson), ele é
levado ao acampamento dos meio sangue, onde está em segurança. Lá ele tem
Chiron (Pierce Brosnan) como tutor e passa a treinar para se tornar um grande
guerreiro. Só que Percy é acusado de ter roubado o raio de Zeus (Sean Bean),
uma poderosa arma de destruição que pode fazer com que os deuses entrem em
guerra. É quando Hades (Steve Coogan) visita o acampamento e oferece a Percy
uma troca: que ele entregue o raio, o qual não possui, em troca da devolução de
sua mãe, que faleceu em meio à fuga. Ele então parte para chegar ao Mundo
Inferior, onde vivem Hades e Perséfone (Rosario Dawson), juntamente com Grover
e Annabeth Chase (Alexandra Daddario), uma poderosa guerreira que conheceu no
acampamento.
Percy Jackson:
Sea of Monsters (no Brasil, Percy
Jackson e o Mar de Monstros)
O aniversário de
17 anos de Percy Jackson (Logan Lerman) foi surpreendentemente calmo, sem
ataques de monstros ou algo do tipo. Entretanto, uma inocente partida faz com
que Percy e seus amigos se vejam desafiados a um jogo de vida ou morte contra
um grupo de gigantes canibais. A chegada de Annabeth (Alexandra Daddario) traz
ainda outra má notícia: a proteção mágica do Acampamento Meio-Sangue foi
enveneada por uma arma misteriosa e, ao menos que seja curada, todos os
semideuses serão mortos. Não demora muito para que Percy e seus amigos tenham
que enfrentar o mar de monstros para salvar o local.
Quando falamos de
filmes, desenhos, livros, etc, que envolve alguma mitologia, devemos lembrar
que é essencial que as crianças que forem assistir devem receber antes uma
preparação dentro da fé católica. Acredito que isso seria importante mesmo nos
casos em que não se tratam de mitologias, pois se não soubermos lidar com os
contos de fadas, deveríamos evitar que as crianças tivessem contato com este
gênero do cinema e literatura.
De qualquer forma, é
sempre importante lembrar o que já citamos no texto sobre A Origem dos
Guardiões:
(...) Contos de
fada, pois, não são responsáveis por levar às crianças medo, ou qualquer dos
contornos do medo; contos de fada não dão à criança a ideia do mal ou do feio;
isso já está nela, porque já está no mundo. Contos de fada não dão à criança
sua primeira noção de bicho-papão. O que os contos de fada lhe dão é sua
primeira ideia clara da possível derrota do monstro. O bebê conhece o dragão em
seu íntimo desde o momento em que sobreveio a imaginação. O que o conto de fada
lhe proporciona é um São Jorge para matar o dragão. O que o conto de fada faz é
exatamente isso: habitua-o, por uma série de imagens claras, à ideia de que
esses terrores ilimitados têm um limite, de que esses inimigos sem forma têm
inimigos nos cavaleiros de Deus, de que há algo no universo mais místico que a
escuridão e mais forte que o medo. (...)
(CHESTERTON, G.K. "Tremendous Trifles",
XVII: "The Red Angel")
Sobre os filmes
propriamente ditos, gostaria de fazer duas analogias que me chamaram a atenção:
- o
distanciamento dos deuses do Olimpo com seus filhos
Zeus proibiu os
deuses do Olimpo de manter contato com seus filhos, o que causa para alguns dos
adolescentes decepção, tristeza, raiva, desejo de vingança ou como fazem
alguns, vivem sua vida na esperança de ter a atenção de seus pais.
Fazendo um paralelo
com a nossa vida cristã, vemos que muitos reagem da mesma forma que os
personagens (adolescentes) dos filmes. Muita gente diz que Deus esqueceu da
humanidade e não consegue enxergar o que Ele faz e como se faz presente, e
diante disso se rebelam com seu Pai.
O que precisamos ver
é que Deus não nos trata como formigas em um aquário, mas sim que cuida de cada
um de nós de forma especial e única. O Papa Bento XVI já nos lembrou essa
situação:
“Deus não é um
ser obscuro ou impassível, mas manifesta-se como uma pessoa que ama as suas
criaturas”.
Os filmes nos
mostram o risco que corremos ao não vermos a presença de Deus em nossas vidas,
e de não reconhecer sua ação de Pai. Ao mesmo tempo, ao nos distanciarmos de
Deus estamos nos afastamos de nós mesmos, como já nos alertou o Papa Bento XVI:
"Isto é
importante: quem está longe de Deus também está longe de si mesmo, alienado de
si mesmo, e só pode encontrar a si se se encontra com Deus. Deste modo,
consegue chegar a seu verdadeiro eu, sua verdadeira identidade."
- a disputa entre
os filhos dos diferentes deuses do Olimpo
Os filhos de cada
deus do Olimpo moram juntos no acampamento, formando uma família de meio-irmãos
que defendem a sua "casa", lutando para mostrar aos demais que seria
o melhor. Claro que entre as casas existem algumas amizades, mas a rivalidade é
gigante. Uma única diferença está em Percy Jackson, que mesmo tentando mostrar
seus valor e vencer as provas para a sua casa (que a princípio só tem a ele
mesmo, já que é o filho único de Poseidon - sem nenhuma comparação ou
referência a Cristo), muitas vezes deixa a rivalidade de lado para ajudar
alguém de outra família que precisa de ajuda, e assim perder a disputa.
Se fizermos um
paralelo com o que temos entre as diferentes religiões no mundo, vemos algo
semelhante. São conflitos entre judeus e muçulmanos, muçulmanos e cristãos, e
por aí vai. Hoje o Papa Francisco nos lembrou de algo muito importante:
"Jesus
quer-nos dizer com esta afirmação quase paradoxal que a fé não é algo de
decorativo. A fé obriga-nos a uma opção fundamental a escolher Deus como
critério-base. Com Jesus o ser humano passou a conhecer Deus. E um Deus com
rosto humano. Jesus trás a paz e a reconciliação mas não a qualquer preço. E
seguir Jesus - continuou o Papa Francisco - implica renunciar ao mal, ao
egoísmo e escolher o bem, a verdade, a justiça mesmo quando isso nos obriga a
sacrifícios. E isto divide, mesmo as relações mais próximas. Mas, atenção não é
Jesus que divide!
Desta forma, esta
palavra do Evangelho não autoriza ao uso da força para difundir a fé. É
precisamente o contrário: a verdadeira força do cristianismo é a força da
verdade e do amor, que comporta renunciar a todo o tipo de violência. Fé e
violência são incompatíveis!"
Ou seja, de certa
forma o Papa Francisco nos pede para agirmos como Percy Jackson, e em vez de
mostrar a todos o valor do cristianismo à força, devemos agir conforme Cristo
nos deu o exemplo e escolher fazer o bem. Esta é a melhor forma de mostrar o
nosso valor, e assim não criar divisão. Manter-se nos caminhos da fé, sem
dúvida, mas respeitar quem pensa diferente (ainda que não concordemos com seu
pensamento e nos posicionemos de forma contrária). ·
ENFIM, os filmes não são obras que causam risco à fé se
forem visto como mitologia/conto de fadas, mas ao mesmo tempo não apresentam
tantos elementos que mereçam destaque.
Interestelar “Nós
sempre nos definimos pela capacidade de superar o impossível.” (Cooper)
Sinopse: A Terra está
à beira do colapso. Boa parte de suas reservas naturais acabaram e um grupo de
astronautas recebe a missão de encontrar um planeta para receber a população
mundial, possibilitando a continuação da espécie. Cooper (Matthew McConaughey)
é chamado para liderar o grupo e aceita a missão sabendo que pode nunca mais
ver os filhos. Ao lado de Brand (Anne Hathaway), Jenkins (Marlon Sanders) e
Doyle (Wes Bentley), ele seguirá em busca de uma nova casa.
Christopher Nolan “brinca”
com ficção científica há algum tempo, em bons filmes como “Amnésia” (2000), “O
Grande Truque” (2006) e “A Origem” (2010), mas em Interestelar supera e muito
seus limites. Ao contrário do que possa parecer, não se trata de uma discussão
sobre se estamos sozinhos no universo ou não (como já vimos no filme Contato -
que já foi analisado e recomendado por nós), mas todo o enredo é sobre a
sobrevivência da espécie humana e até que ponto estamos dispostos a arriscar ou
lutar por ela.
Durante todo o filme
são exploradas várias teorias da física, como o buraco negro, buraco de minhoca
e relatividade, tudo com apoio e embasamento trazido pelo físico teórico Kip
Thorne. Buscou-se uma “fidelidade científica” em todas as teorias físicas
apresentadas, o que traz maior mérito à produção, mas alguns questionamentos
sociais e morais feitos são o grande motor do filme: o quanto você estaria
disposto a arriscar ou sacrificar pela humanidade ou pelos que lhe são
próximos?
Em um mundo já
condenado, com a comida escassa e as mínimas chances de sobrevivência, aparece
uma chance de salvar a humanidade. Se você … sim, meu caro leitor, VOCÊ …
pudesse fazer algo neste projeto, até onde iria? Arriscaria a sua vida?
Vale lembrar as
palavras do Papa Francisco em sua homilia na Missa de Ramos de 2013:
“E não devemos ter
medo do sacrifício. Pensai numa mãe ou num pai: quantos sacrifícios! Mas porque
os fazem? Por amor! E como os enfrentam? Com alegria, porque são feitos pelas
pessoas que amam. Abraçada com amor, a cruz de Cristo não leva à tristeza, mas
à alegria.”
Claro que não é a
melhor produção de ficção científica já feita, mas não pode ser desconsiderada
e muito menos seus questionamentos. Vale ser visto de preferência no cinema
(IMAX ou XD – não precisa ser 3D) e depois se questionar sobre até onde vai a
sua capacidade de “superar o impossível”.
“O meu passado, Senhor, à Tua misericórdia. O meu
presente, ao Teu amor. O meu futuro, à Tua Providência” (Santo Padre Pio de
Pietrelcina)
Sinopse: Tim
(Domhnall Gleeson) faz parte de uma família de viajantes do tempo. Após
descobrir o seu dom, ele passa a usá-lo em seu próprio proveito, principalmente
para conquistar mulheres. É aí que ele conhece Mary (Rachel McAdams), uma
garota linda, porém insegura. Usando suas habilidades nada convencionais, ele
altera o tempo para construir uma linda história de amor. Mas ele também vai
perceber que nem tudo está sob o nosso domínio.
Algumas vezes nos
deparamos com filmes que tratam dessa temática: a volta no tempo e mudança de
decisões e atos que acabam repercutindo no futuro. O primeiro ótimo registro
desse tema foi com o livro de H.G. Wells, “A Máquina do Tempo”, que já foi
adaptado para o cinema algumas vezes. Também tivemos a ótima trilogia “De Volta
para o Futuro”, em que acompanhamos Marty McFly tentando salvar o passado,
presente e futuro de uma vez só.
Nesta produção temos
contato novamente com esta temática, em que o rapaz descobre que tem o dom de
voltar ao passado e alterar os atos, o que, com certeza, gera consequências no
presente e futuro. É uma solução fácil para aqueles que se arrependem de algo
que fizeram, ou então, uma forma de evitar sofrimentos.
Todo esse vai e vem
no tempo, durante o filme, nos leva a acompanhar ótimas experiências, como a
excelente relação entre pai e filho e o que isso gera na vida deles no presente
e futuro (inclusive com uma nova geração vindo), torcendo para que o jovem
protagonista consiga viver sua vida com felicidade, corrigindo erros do passado
ou melhorando situações do presente, ainda que fúteis, inclusive com alguns
momentos cômicos.
Tudo isso nos leva a
pensar o que mudaríamos no nosso passado… Mas, creio que nenhum dos leitores
tem este dom de voltar ao passado, então, para cada um de nós vale lembrar as
palavras de Gandalf em “O Senhor dos Anéis”:
“O que nos cabe é decidir o que fazer com o tempo que nos é dado”.
Seria ótimo podermos
retornar e apagar de nossa história os erros que cometemos, mudar as situações
vexatórias que passamos, impedir que viéssemos a conhecer pessoas que nos
causassem mal, entre tantas outras coisas, mas como não podemos, devemos
aprender com o passado, confessar nossos pecados (quando arrependidos) e, no
presente, agirmos pensando em nosso futuro, mas cientes de que este a Deus
pertence.
O Papa Francisco, em
uma de suas homilias na Casa Santa Marta, diz que toda a nossa vida está
fundada em três pilares: um no passado, um no presente e outro no futuro. O
pilar do passado, explicou, “é o da eleição do Senhor”, que Ele nos disse
“venha”. O futuro, ao invés, diz respeito ao “caminhar rumo a uma Promessa”, o
Senhor “fez uma promessa conosco”. Por fim, o presente “é a nossa resposta a
esse Deus tão bom que nos elegeu”.
E finalizou assim:
“Esquecer o passado, não aceitar o presente,
desfigurar o futuro: é o que fazem as riquezas e as preocupações. O Senhor nos
diz: ‘Estejam tranquilos! Busquem o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o
mais lhes será acrescentado. Peçamos ao Senhor a graça de não errar com as
preocupações, com a idolatria da riqueza e de sempre lembrar que temos um Pai,
que nos elegeu; lembrar que este Pai nos promete uma coisa boa, que é caminhar
rumo àquela promessa e ter a coragem de aceitar o presente como vem. Peçamos
essa graça ao Senhor!”
Vale a pena assistir
este filme, seja para refletirmos conforme colocado acima, ou apenas pelo bom
filme que é.
Ser der asas ao homem, o mundo se tornará pequeno.
A DreamWorks trouxe ao cinema duas
belíssimas produções baseadas nos livros infanto-juvenis criados pela escritora
Cressida Cowell, que contam as estórias de Soluço e seu povo, incluindo os
dragões. Os filmes, ainda que tenham mudado bastante coisa, se comparados aos
livros, conquistaram vários fãs de diversas idades.
São filmes para
serem vistos em família, entre amigos, no grupo de oração ou de jovens, e até
mesmo na catequese.
COMO TREINAR SER DRAGÃO
Sinopse: Soluço é um
viking adolescente que não combina muito bem com a longa tradição de sua tribo
de heroicos matadores de dragões. Seu mundo vira de cabeça para baixo quando
ele encontra Banguela, um dragão que desafia tanto ele quanto seus amigos a
encararem o mundo a partir de outro ponto de vista.
O primeiro filme nos
mostra que, mesmo tendo um grande inimigo, mais forte e poderoso, podemos
buscar uma nova forma de convivência em vez da batalha, que tanto o Papa
Francisco tem insistido: a cultura do encontro. Na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium o Papa nos coloca uma
missão:
67. (…) Enquanto no mundo, especialmente em alguns
países, se reacendem várias formas de guerras e conflitos, nós, cristãos,
insistimos na proposta de reconhecer o outro, de curar as feridas, de construir
pontes, de estreitar laços e de nos ajudarmos “a carregar as cargas uns dos
outros” (Gl 6,2).
Não podemos nos
limitar aos nossos medos, e antes de realmente entrar em uma batalha, devemos
oferecer a outra face e buscar uma solução amigável.
Então aqui
estamos: um ladrão, dois bandidos, uma assassina e um louco. Mas não vamos
ficar esperando o mal apagar a galáxia. Eu acho que nós estamos presos juntos,
parceiros. (Peter Quill … ou
Star-Lord)
Qualquer pessoa que
ver o trailer deste filme logo vai imaginar que o Projeções de Fé vai indicar
assistir como “just for fun” (apenas por diversão), mas estaria um pouco
equivocada. Apesar de ser o filme mais divertido já produzido pela Marvel
Studios, não há como deixar de ver lições atuais para o homem.
Sinopse:Peter Quill (Chris Pratt) rouba uma esfera
desejada pelo vilão Ronan. Devido ao furto, passa a ser procurado por vários
caçadores de recompensas. Na tentativa de escapar, une-se a quatro personagens:
Groot, uma árvore humanóide (dublada por Vin Diesel), Gamora (Zoe Saldana), o
texugo Rocket Racoon (com voz de Bradley Cooper) e Drax, o Destruidor (Dave
Bautista). O personagem principal descobre que a esfera roubada possui um poder
capaz de transformar o universo e passa a proteger o objeto para salvar o
futuro. O longa é baseado nas HQs da Marvel.
Os cinco principais
personagens apresentam, de forma geral, problemas durante a sua vida que os
fizeram tomar a decisão de seguir o caminho da marginalidade, movidos por
raiva, vingança, ódio ou apenas comodismo. Cada ação egoísta ou violenta é
fruto desta decisão.
Durante o filme
vemos que cada um é colocado à frente de si mesmo, em que passa a se questionar
qual a atitude que tomará diante dos grandes problemas que aparecem em sua
frente: escondo-me e tento me proteger, ou enfrento e tento ajudar os outros?
Para quem sempre
teve uma visão egoísta e sem se importar com os demais, esta encruzilhada
poderá ser uma grande mudança de vida. O Papa Francisco, quando esteve no
Brasil, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude em 2013, disse:
“A realidade pode
mudar, o homem pode mudar. Procurem ser vocês os primeiros a praticar o bem, a
não se acostumarem ao mal, mas a vencê-lo”.
No filme, os
personagens passam por esta encruzilhada e tomam uma decisão, mudando as
realidades e a vida deles, e nós podemos fazer o mesmo todo dia, pois a cada
momento somos provados, de alguma maneira.
Você poderá assistir
o filme apenas como diversão, e não estaria errado por isso, afinal, trata-se
do filme mais divertido já lançado pela Marvel Studios até
hoje. Todos os detalhes do filme foram muito bem pensados, trabalhados de forma
a cativar seu público. Desde o início você vai conhecendo e se importando com
os personagens, com suas dores e alegrias, e acaba rindo muito com as piadas
(várias, diga-se de passagem) lançadas no decorrer das cenas, mesmo quando
entrelaçadas com cenas de ação (que também são muitas).
E também poderá
colocar um tempero e pensar nas suas decisões diante das encruzilhadas da sua
vida.
“Nos dias mais
sombrios, o Senhor coloca as melhores pessoas na sua vida.”
“A Culpa é das
Estrelas” se trata de uma obra para ser sentida. Ainda que isso implique na possibilidade de
você começar a soluçar no cinema. O importante é sentir. A trama apresenta
Hazel (Shailene Woodley), uma jovem adolescente com câncer terminal, que
conhece e se apaixona por um carismático jovem chamado Gus (Ansel Elgort).
Juntos, o casal acaba descobrindo o prazer pela vida e pelo amor, à medida em
que se apaixonam. O ator protagonista, “bonito e charmoso”, encarna
perfeitamente o adolescente comum que se sente imortal depois de superar os
obstáculos e com a certeza de que encontrou a mulher de sua vida.
Fazia tempo que não
gostava tanto de um filme como gostei desse! Tudo bem que já fui predisposto a
uma grande obra, como de fato foi… Mas este, realmente me surpreendeu pela
fidelidade ao livro e ao uso dos jargões contidos nele. Chorei ao ver o olhar
de apaixonados dos dois atores, ao ver os olhos brilhando, ao ver o amor dos
pais deles e fiquei me questionando se realmente quero ser lembrado por todos
ou se somente por uma pessoa. Se pelo que faço ou se por quem sou. Tanto no
livro quanto no filme, um dos pontos-chave é: quem vai lembrar de mim, ou para
quem eu quero ser importante? E, talvez, este seja o norte que tomo para esta
reflexão.
Uma das temáticas
que mais me chamou a atenção no livro e que fez com que esperasse ansiosamente
pelo filme foi o que o autor – John Green (que estudou para ser Padre e daí
entender o motivo do seu livro ser cheio de citações de filósofos e de
metáforas existenciais) – tocou como problemática de todos nós: “o medo de ser
esquecido”, pois podemos ser bem cegos quando o assunto são os sentimentos das
outras pessoas, uma vez que, por natureza, nos fechamos em nosso egoísmo e fazemos de tudo para que sejamos
reconhecidos, seja pelo nosso jeito, seja pelo que lemos, escrevemos, pelo modo
como trabalhos, falamos, agimos… Tudo na tentativa de sermos aceitos no meio em
que convivemos.
Muitas vezes, somos
metidos a “durões”, insensíveis… No fundo, somos mesmo é molengas e altamente
sensíveis; Porém, por medo de não sermos aceitos, não mostramos quem ou como
realmente somos; Criamos um personagem, uma imagem de quem ou como gostaríamos de
ser. Por isso que, quando nos deparamos com cenas, pessoas, livros, situações,
músicas que nos “tocam” de alguma maneira, choramos; E o choro é sinal de que
algo nos tocou. Seja uma dor, seja algo muito bom. O choro é sinal visível do
encontro com o nosso eu mais íntimo; Encontro este que é com a alma de Deus e
que toca a nossa própria.
Toda a adaptação do
filme é muito bem “costurada”, intercalando, como no livro, momentos de
alegria, tristeza, decepção, ansiedade… Encontro! Encontro de almas! Fala-se de
“amor verdadeiro e único”, daquele que é eterno. “Eterno” significa aquilo que
não tem começo nem fim; Simplesmente sempre existiu e sempre existirá. O que
acontece no filme e na nossa vida é uma “adaptação” do que seja este “eterno”,
para algo “infinito”. Daí o autor colocar na boca do escritor querido pela
Hazel que “Alguns infinitos são maiores que outros”, uma metáfora, entre tantas
outras que a obra oferece. O que é infinito pode ter tido um começo, mas não
terá um fim. Assim somos nós quando nos percebemos envolvidos pelo “Amor
verdadeiro”, que nos toca e este toque é tão marcante que nos faz chorar.
Este choro que, numa
trama robustecida pelo agravante de um câncer, nos faz pensar sobre o valor que
damos às pessoas ao nosso redor, ao tempo que lhes dispensamos, a querer fazer
mais coisas de que gostamos… A querer viver, a querer amar e ser amado – o
grande dilema do ser humano. Nessa busca, nos permitimos sonhar e até poetizar
alguns momentos da nossa existência. Neste sentido, John Green foi feliz ao
nomear o livro com a negação da afirmação de Shakespeare: “A culpa é das
estrelas”.
Numa situação de um
câncer, não há quem ou o que culpar; Como o poeta inglês afirma, a “culpa” das
escolhas feitas em nossa vida é realmente nossa. Porém, que culpa têm as
pessoas que são acometidas por doenças como o câncer? Nenhuma. Este é o
paradoxo que o autor da trama procura desenvolver ao longo de todo o livro e
pouco tocado no filme, pois esta não foi a preocupação no momento da adaptação,
mas mostrar que, mesmo aquelas pessoas que têm alguma enfermidade como um
câncer, ainda que terminal, têm a possibilidade e o direito de amar e de serem
amadas, de viverem um amor tão intenso, que supera os momentos de dores físicas
e emocionais, ainda que com os pés no chão, de modo bem concreto e como
enfatizado no filme, “a dor precise ser sentida”.
Com maestria, John
Green levanta problemáticas filosóficas e existenciais, tanto no livro quanto
no filme. Um destes momentos é quando Gus se declara para Hazel:
“… sei que o amor é
apenas um grito no vácuo, e que o esquecimento é inevitável, e que estamos
todos condenados ao fim, e que haverá um dia em que tudo o que fazemos voltará
ao pó, e sei que vai engolir a única Terra que podemos chamar de nossa…”
Fazendo um paralelo
com o que afirmou o teólogo alemão Rudolf Otto, citado no livro e no filme, em
relação ao que seja o Amor, podemos dizer que é um “discreto sussurro do
espírito no coração, mas que é possível encontrá-lo em eventos, fatos,
pessoas…”. Neste sentido, é que entendemos que “alguns infinitos são maiores
que outros”, pois, só na eternidade dentro dos dias numerados” é que
conseguimos enxergar a ação do “amor verdadeiro”, que, ao contrário do que
muitos afirmam, liberta e não aprisiona, não é possessivo, tudo alcança.
É inegável que a
declaração de Augustus a Hazel se faz a partir da consciência que ele tem do
que é realmente sagrado e crê nisso, como afirma. Se forçarmos um pouco, também
é possível fazer uma analogia de tal declaração e de todo o romance dos dois
com o hino de São Paulo à Caridade, em Coríntios 13.
É muito fácil em
momentos de crises e dores, nos perguntarmos onde está Deus… E, neste
questionamento, esquecer da Sua existência ou de que, independentemente da
nossa fidelidade, Ele continua a nos amar e jamais abandona, pois é o Puro
Amor, é o Verdadeiro Amor, é Amor.
No entanto, como
afirmei acima, no fundo de tudo, “o que nós queremos é ser notados pelo
universo, fazer com que o universo dê alguma bola para o que acontece com a
gente, como indivíduo”; Essa carência, na maior parte das vezes, só é suprida
quando entendemos que “o verdadeiro amor supera e lança fora todo temor” (Cf.:
1 Jo 4,18b); Só amamos porque e quando nos percebemos amados. E isto, em vista
de que, nos momentos de tristeza, percebemos que ela não nos muda, mas nos
desvela e nos revela tais quais somos. Daí entendermos que “as marcas que as
pessoas deixam em nós, com frequência, são cicatrizes”. Por isso tememos amar…
E não permitimos sermos amados.
O grande desafio que
a obra e o autor deixam para cada um de nós é aquele já tão falado e, por
vezes, calejado: o desejo de amar e de se permitir ser amado e, a partir disso,
aceitar as escolhas feitas, pois devem ser mostras livres do Amor em Si: Deus
mesmo. E nisto seremos lembrados: pelo quanto e não pelo como amamos.
Recomendo vivamente
este filme e a leitura das obras do John Green, uma vez que seus dramas
existenciais tocam e mexem não somente com adolescentes, mas – por tratarem de
vidas – com cada um que se aventura a querer buscar a eterna juventude, amando.
Ficha Técnica:
Gênero: Drama.
Direção: Josh Boone.
Roteiro: Michael H.
Weber, Scott Neustadter.
Elenco: Allegra
Carpenter, Amber Myers, Ana Dela Cruz, Ansel Elgort, Apurva Padubidri, Bethany
Leo, Camera Chatham Bartolotta, David Whalen, Emily Bach, Emily Peachey, Eric
Filo, Frankie Palombi, Garit Rathmell, Jean Brassard, Johanna McGinley, Laura
Dern, Lotte Verbeek, Maddox Rathmell, Mike Birbiglia, Milica Govich, Nat Wolff,
Randy Kovitz, Sam Trammell, Shailene Woodley, Silvio Wolf Busch, Viviana
Cardenas, Willem Dafoe, Wyatt McClure.
Produção: Marty Bowen, Wyck Godfrey.
Duração: 125 min.
Ano: 2014.
País: Estados
Unidos.
Estreia: 05/06/2014
(Brasil).
Estúdio: Temple Hill Entertainment.
Classificação: 12
anos.
Informação
complementar: Baseado no best-seller
homônimo de John Green.