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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Santo Antônio Maria Claret


Por Ana Maria Bueno

"Um filho do Imaculado Coração de Maria é um homem que arde em caridade e abrasa por onde  passa; que deseja eficazmente e procura por todos os meios inflamar o mundo no fogo do divino amor. Nada o detém. Alegra-se nas privações. Enfrenta os trabalhos. Abraça os sacrifícios. Compraz-se nas calúnias. Alegra-se nos tormentos e dores que sofre e gloria-se na cruz de Jesus Cristo. Não pensa  senão em como  seguir e imitar a Cristo na oração, no trabalho e no sofrimento, procurando sempre e unicamente a maior glória de Deus e a salvação dos homens" (Por Santo Antônio Maria Claret - Missionário Apostólico - Emilio Vicente - Ed Ave-Maria - pag 68)

Assim Santo Antônio Maria Claret definiu sua vocação, - e assim a viveu plenamente.  Quantas lutas, quantas batalhas, quantas renuncias, mas quantas vitórias em Cristo Jesus. Sua vida fiel ao chamado de Deus nos faz exultar de alegria e nos faz glorificar as maravilhas do Senhor no chamado que faz aos homens. Santo Antônio desejava ser um missionário no estilo de Jesus narrado pelos Evangelhos: Simples e claro. O lucro, o interesse pessoal, o prazer, a honra, nunca os moveram - o que recebeu em vida foi sempre a pobreza, a fadiga, os insultos, as calúnias, os sofrimentos em Cristo, com Cristo e para Cristo. O que queria no fundo de seu coração era a Glória de Deus e a salvação dos homens. Não descansava e não se consolava enquanto não evangelizava, enquanto não se colocava a caminho e anunciava a Cristo e sua doutrina santa.

Nossa Senhora era sua companheira em tudo que fazia. Tinha com ela um relacionamento intimo e confiante, e se encomendava a ela em todas as suas missões. A tinha como mãe, amiga, intercessora, modelo, mestra, o seu tudo depois de Jesus. Para que seu trabalho tivesse maior eficácia, Santo Antônio recorria a oração - 4 horas por dia era o mínimo que o fazia . A catequese de crianças e adultos - para ele a formação religiosa era fundamental para se formar um bom cristão, um bom cidadão, um filho de Deus -, os exercícios espirituais, os sermões, as missões populares, livros e folhetos, as conversações familiares e os objetos religiosos, tudo era usado para evangelizar e aplacar sua sede de almas. Não perdia tempo, tudo era usado para seu objetivo.

Dizia que um missionário deveria refletir Cristo, testemunhar até com o sangue de necessário fosse - coisa que com ele aconteceu por várias vezes. Sua humildade era latente, possuía pouquíssimos bens - um par de sapatos, duas mudas de roupas, sua Bíblia  e o breviário eram suficientes. Era modesto, manso e se mortificava constantemente - Sabia que o povo tem um mau conceito de um missionário que não sabe dominar nem refrear seus desejos e caprichos: "Quem não se domina, não pode ser bom testemunho do Senhor', dizia ele.

Santo Antônio Maria Claret, nasceu numa época difícil. A França havia invadido a Península Ibérica, e a guerra causou muitos sofrimentos e perseguições à Igreja. Sua família era numerosa e bela, - era o quinto filho de onze irmãos. Seu pai tinha uma pequena indústria têxtil e ele tinha grande aptidão para este trabalho. Para se especializar foi estudar em Barcelona, conseguiu êxitos, mas o desejo de servir a Deus já pulsava em seu coração, precisa apenas responder a voz que o chamava constantemente. O fez, depois de passar por vários episódios difíceis, sendo o mais grave a iminente morte por afogamento. Sua vida foi poupada e no meditar da palavra de Deus resolve ingressar num Seminário. A partir daí, viveu para Deus até o último dia de sua vida.

Isaías 61 era seu texto base. Deus o falava ali e quanto mais o lia, mais tinha forças para levar adiante seu desejo de ser missionário, que não tinha paradas. Tudo que queria era ser livre para ir onde Deus o mandasse. Ordenado sacerdote em 1835, foi para sua cidade natal - Sallent - onde permaneceu por quatro anos. Lá passou por grandes dificuldades e perseguições pela guerra em curso. A paróquia consistia um entrave em seu desejo de Evangelizar, de caminhar para levar a boa nova, e por conta disso, depois de um pedido ao Bispo, deixou a paróquia e se ofereceu ao Papa, para que o enviasse onde fosse necessário. Colocou-se então, a serviço da Congregação para a Evangelização dos Povos. Foi em Roma que pode se unir aos jesuítas e ali muito aprendeu com eles, mas foi acometido por uma grave enfermidade na perna direita. Em meados de 1840, de Roma foi à Catalunha e daí à Viladrau onde foi nomeado pároco. Ali tudo faltava e Santo Antônio se preocupava tanto com o espiritual como o material para aquele povo sofrido. Foram tempos movimentados e muito frutuosos. Mais uma vez o desejo de viver sua vocação como missionário estava comprometido com tanto a se fazer.  Pediu então, ao seu Bispo que o exonerasse o ministério e dali então foi a Vic ser como ele mesmo dizia: "Missionário de Jesus, como Jesus".

Santo Antônio Maria Claret, amava a leitura, a escrita e tudo o levava a escrever. Fundou a Livraria religiosa, criou associações, tudo para saciar a fome da Palavra de quem o ouvia, - a messe era enorme e os operários sempre poucos. Sua forma de evangelizar atraiu amigos fieis e logo pode então - em 16 de julho de 1849, fundar a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria. Mas Deus tinha outros planos e Santo Antônio foi então nomeado Arcebispo de Santiago de Cuba o que olhe causou grande tristeza, mas por obediência aceitou, tendo no coração o desejo de fazer daquele lugar um reduto de suas missões e de sua pregação. Não foi fácil, a carência material e espiritual eram enormes. Havia opressão, escravidão, pobreza, ignorância. Durante os seis anos passados ali, tudo fez pelas almas. Fundou bibliotecas, escolas profissionalizantes, comunidades, ajuda medicinais ao povo doente, lutou pela liberdade e dignidade humana, rechaçando com todas as forças o domínio do poder sobre os cidadãos. Ali também sofreu um grave atentado que quase ceifou sua vida. Foi neste tempo que foi chamado a ser o confessor da rainha Isabel II e em 1857, deixou Cuba e regressou a Espanha.

Sentia-se preso e a opulência do palácio o maltratava, já que a pobreza era sua alegria. Sentia-se como ele mesmo dizia: "Um pássaro em gaiola de outro". Por 11 anos foi seu confessor e em suas viagens pode evangelizar não perdendo tempo algum, mesmo que escasso para tal. Para ele, foram seus anos mais duros, mas soube aproveitar seu tempo que lhe sobrava para evangelizar. Na corte sofreu em silencio, houve perseguições e calúnias e tudo isso só o fazia mais forte no sofrimento. Sem poder pregar nas Igrejas, pregava nos conventos, atendia a confissões, escrevia, organizava associações. Fundou uma importante Academia de São Miguel  que era uma associação de artistas, escritores, cientistas e intelectuais a serviço da evangelização. Santo Antônio conseguia atrair a muitos e a todos dava a incumbência de levar Cristo aos homens. Era mesmo incansável e esta era sua maior marca. Tudo fazia para evangelizar. O fogo abrasava sua alma e a sede delas o movia.

Em 1868 foi exilado com a rainha, foi a Paris e depois, mesmo doente participou do Concílio Vaticano I. Morreu em 24 de outubro de 1870 - foi beatificado pelo papa Pio XI e no dia 7 de maio de 1950 foi finalmente canonizado por Pio XII

Frases de Santo Antônio Maria Claret:

 - Não deixes para ninguém o que tu mesmo podes fazer"
 - Não disponhas do dinheiro, antes de te-lo em mãos
 - Não compres alguma, por mais barata que seja, se não necessitas dela.
 - Evita o orgulho, porque é pior do que a fome, a sede e o frio.
 - Nunca te arrependas de ter comido pouco
 - Se estiveres zangado, conte até dez antes de responder; e se estiveres ofendido, será melhor contar até cem.
 - Fale bem do teu amigo; e de teu inimigo não fales nem bem nem mal.
 - A resposta suave e tranquila quebranta a ira, as palavras duras excitam o furor.

 - Pense bem antes de dar conselhos e esteja sempre pronto para servir  (Mensagens dos santos - Pedro Teixeira Cavalcante - Paulus - pag 37)

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Santo Antônio de Pádua, presbítero e doutor.


Por Ana Maria Bueno Cunha

Sacerdote, Religioso e Doutor da Igreja

Próprio dos Santos: 13 de junho

Sugestão de leitura - Comum dos Santos: Isaías 61, 1 – 3a – O Senhor me ungiu para anunciar a Boa Nova e a Esperança; Lucas 10, 1 – 9 – Ide como cordeiro entres os lobos

“Ele Veio a Ti para Poderes ir a Ele“ 

“Fala em línguas quem está repleto do Espírito Santo. As diversas línguas são o testemunho que devemos dar em favor de Cristo, a saber, humildade, pobreza, paciência e obediência. Quando os outros virem em nós estas virtudes, estaremos nós falando a eles. Nossa linguagem é penetrante quando é nosso agir que fala. Eu vos conjuro, pois, deixai vossa boca emudecer-se e vossas ações falar! Nossa vida está tão cheia de belas palavras e tão vazia de boas obras”. (Santo Antônio de Pádua. Sermões sobre São Mateus 23,1-12 comentado pelo Santo Doutor).

Santo António com o Menino Jesus
em pintura de Stephan Kessler.
Santo Antônio é conhecido como o Santo de Lisboa. Nascido em Lisboa, Portugal em 1195, de família guerreira, seu nome de registro é Fernando de Bulhões y Taveira de Azevedo. Apesar de ter pais exemplares, o mesmo não ocorria no ambiente social da nobreza: a futilidade e o desperdício invadiam palácios e castelos. Decepcionado e desprezando aquela vida, Fernando dobrava o seu tempo de oração e pedia a Nossa Senhora que o iluminasse. Depois, decidido, renunciou à herança paterna e aos títulos de nobreza e ingressou na comunidade dos cônegos regulares de Santo Agostinho, no mosteiro de São Vicente de Fora, localizado nos arredores de Lisboa, onde permaneceu por dois anos. Fernando acabava de completar 16 anos.

Em razão da proximidade do mosteiro com a capital, Fernando recebia muitas visitas dos parentes e amigos, que perturbavam a paz que ele havia escolhido. Por este motivo decidiu abandonar aquele local e transferir-se para o mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, sem trocar de ordem religiosa, onde permaneceu durante nove anos.

 Nesse mosteiro de Coimbra, hospedaram-se os frades Franciscanos do convento de Santo Antônio dos Olivais, quando viajavam para converter os muçulmanos no Marrocos, na África. Pouco tempo depois, os restos mortais desses frades - martirizados no Marrocos - voltaram a Portugal, para o sepultamento. Nessa ocasião, - Santo Antônio -, sentiu grande desejo de evangelizar Marrocos e imitar os mártires. Por isso, no verão de 1220, entrou para a Ordem dos Franciscanos de Santo Antônio de Coimbra, mudou seu nome para Antônio, que era o titular do convento franciscano dos Olivais e foi mandado para lá.

Igreja de Santo António, em Lisboa,
erguida sobre a casa onde segundo a
tradição nasceu o santo português.
No início de novembro de 1220, Santo Antônio desembarcou em Marrocos, mas terrível enfermidade o reteve na cama todo o inverno e resolveram devolvê-lo para Portugal.  Por pura providência divina, o navio de volta a Portugal foi levado pelos ventos para a Itália. Desembarcou na Sicília e se dirigiu para Assis, onde se encontrou pela primeira vez com São Francisco.

 Então, participou de um Capítulo Geral da Ordem, que começou a 20 de maio de 1221, em Assis. Inteligente, estudioso, carismático, humilde e um imitador inigualável de Cristo, Santo Antônio tinha um dom extraordinário para pregar o Evangelho.  Amante da pobreza e dos pobres, defendia os deserdados e explorados, amava a natureza e a solidão, talvez por influência de São Francisco da  qual era discípulo.

 Passava muitos dias em meditação e oração em lugares afastados, longe do barulho e da agitação das cidades. Viveu como eremita no convento e foi incumbido das humildes funções de cozinheiro vivendo na obscuridade até que seus superiores perceberam seus extraordinários dons de pregador. Em setembro de 1221, fazendo o sermão em Forli, na ordenação sacerdotal de franciscanos e dominicanos, surpreendeu o Provincial e todos ficaram maravilhados. Por conta disso, o Provincial o encarregou da ação apostólica contra os hereges na região da Romagna e no norte da Itália, quando se tornou extraordinário pregador popular.

Milagre dos peixes em Rimini.
Em Rimini, os hereges impediam o povo de ir aos seus sermões, então, apelou para o milagre. Foi à costa do Adriático e começou pregar aos peixes, que acorreram em multidão, mostrando a cabeça fora da água. Este milagre invadiu a cidade com entusiasmo e os hereges ficaram envergonhados.

Após alguns anos de frade itinerante foi nomeado, por carta, por São Francisco, o primeiro ‘Leitor de Teologia’ da Ordem. Mas, este magistério de teologia para os franciscanos de Bolonha demorou pouco porque o Papa mobilizou todos os pregadores dominicanos e franciscanos para combater a heresia albigense na França. Passou três anos lecionando, pregando e fazendo milagres no sul da França – Montpellier, Toulouse, Lê Puy, Bourges, Arles e Limoges. Como ocupava o cargo de custódio do convento de Limoges, foi para Assis participar do Capítulo Geral da Ordem, convocado por Frei Elias, a 30 de maio de 1227. Nesse Capítulo, foi eleito Provincial da Romagna, cargo que ocupou com êxito até 1230.

Aparição do menino Jesus a Santo Antônio de Pádua.
Autor da imagem desconhecido.
Na solidão do claustro, Santo Antônio entregou-se com empenho à oração e ao estudo. Aprofundou-se na doutrina do grande doutor da igreja, santo Agostinho, e começou a saborear a doçura e a suavidade do Senhor. Dedicou sua aguda inteligência a conhecer mais profundamente as Sagradas Escrituras. Vale destacar que, na leitura dos Santos Padres da Igreja, guardava na memória tudo o que lia, levantando a admiração dos monges que o cercavam. Os anos que permaneceu em Coimbra foram determinantes para o conhecimento das ciências sagradas. Entretanto, esses progressos eram mais frutos da graça de Deus e de seu esforço pessoal do que do ambiente monacal e do trabalho dos mestres competentes, pois naqueles anos os monges do mosteiro estavam envolvidos nas intrigas políticas de seu país, muito nefastas e cruéis.

 Foi chamado “arca do Testamento” pelo Papa Gregório IX e Tomás de Vercelli, por causa de seu método de exegese e também de “martelo dos hereges.” Foi considerado exímio teólogo, perito exegeta e perfeito frade menor, porque num tempo de grave crise da Ordem, fez da pregação como que uma cátedra itinerante, considerando -a como uma lição de teologia.

Passava muitos dias em meditação e oração e enquanto rezava em um desses eremitérios recebeu a visita do Menino Jesus. Em razão dessa aparição, Santo Antônio é representado carregando o Menino Jesus nos braços. O lírio que aparece nos braços ou nos pés é o símbolo da pureza.

Em 1231 quando sua pregação atingiu o vértice, Santo Antônio retirou-se para uma localidade perto da cidade de Pádua. Com a saúde debilitada pelo excesso de trabalho apostólico, pelo jejum e pela penitência, recolheu-se no convento de Arcela dos frades franciscanos, em Camposampiero, perto do castelo de um amigo nobre e conde. Havia perto ao castelo um bosque com uma grande árvore onde Santo Antonio obteve do amigo uma pequena cela construída sobre sua copa, onde passava horas em contemplação. Ali escreveu uma série de sermões para domingos e dias santificados, alguns dos quais seriam reunidos e publicados entre 1895 e 1913. Dentro da Ordem Franciscana, Santo Antônio liderou um grupo que se insurgiu contra os abrandamentos introduzidos na regra pelo superior Elias.

Um dia, enquanto fazia a refeição no convento de Argela foi acometido por um forte mal-estar, que paralisou todos os membros do seu corpo. Os frades o levantaram e deitaram sobre um leito de palhas. Santo Antônio foi piorando progressivamente. Pediu a presença de um religioso para se confessar, que lhe ministrou também o sacramento da unção dos enfermos e depois de ter comungado, entoou seu hino predileto dedicado a Nossa Senhora, a quem sempre demonstrara grande devoção: ("Ó Senhora gloriosa excelsa sobre as estrelas").

A língua, bem como todo o aparelho vocal de
Santo Antônio de Pádua encontra-se incorrupto.
Depois com um sorriso e uma expressão de paz imensa, disse aos que o cercava: "Vejo o meu Senhor", e entregou a alma a Deus, o que aconteceu em 13 de junho de 1231. Tantos foram seus milagres e tal sua popularidade, que foi canonizado no ano seguinte, 1232, pelo Papa Gregório IX. É chamado de "doutor do Evangelho”, pela grandeza com que soube pregá-lo. A profundidade dos textos doutrinários de Santo Antônio fez com que em 1946 o Papa Pio XII o declarasse Doutor da Igreja. Apesar de sua erudição, o monge franciscano conhecido tem sido, ao longo dos séculos, objeto de grande devoção popular.

Brasil e Portugal o veneram de forma mais intensa, sendo muito amado pelo reconhecimento de sua cultura, de sua nobreza espiritual e pelo seu amor aos pobres. Santo Antônio é invocado também para o encontro de objetos perdidos. Sobre seu túmulo, em Pádua, foi construída a basílica a ele dedicada. Quando o corpo foi desenterrado sua língua foi encontrada intacta e é venerada há mais de 700 anos. Tal foi seu amor ao Filho de Deus feito homem, que a pregação sobre o mistério da Encarnação de Verbo era o ponto mais excelente.

Ensinamentos de Santo Antonio:

-"Ele veio a ti, para poderes ir a Ele"

-"Quem ama não conhece nada que seja difícil"

-"Se alguém se retira do mundo inquieto para a solidão e aí descansa a este aparece o Senhor"

-"Desde o sacrifício de Cristo, está aberto o portão para o reino de Deus"

-"A face do Pai é o Filho"

-"A criatura carregou no seio seu Criador e a pobre Virgem o Filho de Deus. Tu és ao mesmo tempo o mais alto e o mais humilde. Senhor dos Anjos e súdito dos homens! O Criador do mundo obedece a um carpinteiro, o Deus de eterna majestade se submete a uma Virgem"

-"Onde há excesso de riqueza e de prazeres, aí se instala a lepra dos vícios"

-"O pregador fala com dois lábios, com sua vida e com sua boa fama"

-"A vida do corpo é a alma, a vida da alma é Deus"

-"O amor a nós O prendeu tão intimamente à nossa natureza que o fez descer até nossa miséria, como se no céu já não pudesse permanecer sem nós"

-"A confissão é semelhante a uma travessia, pois o homem atravessa pela confissão da margem do pecado para a margem da reparação".

"Santo Antonio de Pádua: Rogai por nós!:

Responsório de Santo Antonio
Se milagres desejais,
Recorrei a Santo Antônio,
Vereis fugir o demônio,
E as tentações infernais

Recupera-se o perdido,
Rompe-se a dura prisão
E no auge do furacão
Cede o mar embravecido.

Todos os males humanos
Se moderam, se retiram,
Digam-no aqueles que o viram,
E digam-no os paduanos.

Recupera-se o perdido,
Rompe-se a dura prisão
E no auge do furacão
Cede o mar embravecido.

Pela sua intercessão
Foge a peste, o erro, a morte,
O fraco torna-se forte
E torna-se o enfermo, são.

Recupera-se o perdido,
Rompe-se a dura prisão
E no auge do furacão
Cede o mar embravecido.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

Recupera-se o perdido,
Rompe-se a dura prisão
E no auge do furacão
Cede o mar embravecido.

V.: Rogai por nós, bem-aventurado Santo Antônio.

R.: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo, Amém!

sábado, 3 de maio de 2014

São João Apóstolo e Evangelista.


Por Ana Maria Bueno.

"Atrevo-me a dizer que a flor das Escrituras são os Evangelhos e a flor dos Evangelhos é o de São João. Mas ninguém saberá compreender o seu sentido se não repousou no peito de Jesus e recebeu Maria como Mãe. Para ser João, é preciso poder, como ele, ser mostrado por Jesus como outro Jesus. Com efeito, se Maria não teve outros filhos além de Jesus, e Jesus diz a Sua Mãe: 'Eis aí teu filho', e não 'eis aí outro filho', então é como se Ele dissesse: 'Aí tens Jesus, a quem tu deste a vida'. Efetivamente, qualquer pessoa que se identificou com Cristo já não vive para si, mas Cristo vive nele (cfr Gal 2,20), e visto que nele vive Cristo, dele diz Jesus a Maria: 'Eis aí o teu filho: Cristo'"
(Orígenes - In Ioann. Comm. 19,26-27 - Bíblia de Navarra pag 1113)

São João, o Apóstolo, por El Greco c. 1600,
Museu do Prado, Madrid.
Se existe um apóstolo de Nosso Senhor que nos leva a amar os tempos apostólicos e reconhecer o valor de um testemunho, este é São João Evangelista. Como uma águia, ele percorre os mistérios divinos para nos revelar Jesus Messias, o Filho de Deus, que vem a este mundo, encarnado no seio da Virgem, para nos obter a vida eterna. São João com maestria, guiado pelo Divino Espírito de Deus, nos leva ao cume da divindade de Cristo, vislumbra a Verdade e a devolve para nós, os agora seguidores de Cristo, fazendo-nos crer e desejar ser também testemunhas fiéis e perseverantes deste Filho amado de Deus.

Foi o apóstolo que mais captou a essência de Deus e ao dizer: "Deus é amor", revelou um Deus que ama, que é misericórdia e que age na história dos homens, justamente porque o ama. Mostra-nos um Deus efetivo porque "Deus amou tanto o mundo que entregou seu Filho único". João revela o amor concreto de Deus: Jesus Cristo, o Verbo que se faz carne e salva o homem decaído pelo pecado. Sim, Jesus nos amou e amou até o fim e nos convida a amar a todos "como Ele nos amou". Aqui se mostra - e João o faz muito bem - , a essência do Cristianismo: O pai que é amor, o Filho que corresponde a Ele se entregando como vítima de expiação e nós, que recebemos a graça, haveremos de responder também amando.

Sua pequena idade, seu amor a Jesus, sua intimidade com Ele e com sua Santíssima Mãe, - porque coube a ele leva-la para casa, quando Nosso Senhor foi crucificado -, a visita ao túmulo vazio, a visão do Ressuscitado, sua presença na transfiguração e o fato de ele mesmo se chamar de o "discípulo amado", fazem deste apóstolo uma inspiração para nós e motivo de louvores a Deus por dar tão grande graça a um homem, além de fazer dele um dos principais discípulos do Senhor e sua testemunha fiel.

João de Patmos, por Alonso Cano, 1640
São João era natural de Betsaida, cidade da Galileia, nas margens do famoso lago de Tiberíades. Era pescador, filho de Zebedeu e Salomé e tinha como irmão, Tiago, o Maior. João teve a graça de ter uma família envolvida com Cristo - disposta a servi-lo e amá-lo, tanto que o Evangelho de São Marcos mostra sua mãe prestando grande ajuda a Nosso Senhor, chegando com Ele até o Calvário. (Mc 15, 40-41). O exemplo dos pais, o ter sido discípulo de São João Batista e o coração de jovem, disposto a amar, aliado à graça de Deus, eram ingredientes fortes o suficiente para seu sim a Cristo e quando chamado por Ele não teve dúvidas: deixou tudo e O seguiu. Seguiu com ardor de menino, ardor de jovem, errando às vezes, mas manifestando ardentemente seu amor e desejo de mudança, tanto que teve afetos e aconchegos que a nenhum outro foi dado. 

A sua pequena idade lhe rendeu alguns contratempos com Nosso Senhor, mas nada que sua bondade e misericórdia não pudessem colocar no lugar tamanha petulância, afinal, foi por conta de seus arroubos de bravura, como querer mandar fogo do céu ou em não permitir que alguém que não andasse com eles falassem em nome do Senhor, que foi apelidado por Cristo, juntamente com seu irmão - como Boanarges - filhos do trovão. Mas sua docilidade no ouvir e em efetivamente crescer, tanto que vemos lendo seus escritos, a grandeza espiritual com que ele foi cumulado, fez de São João o apóstolo mais espiritual que nos mostra os santos Evangelhos e que finalmente teve a honra de em suas visões contemplar a Deus.

 Jesus, Nosso Senhor, deu a ele muitos motivos de verdadeira amizade e confiança, afinal, o próprio São João se designa o discípulo amado que se deitou em seus ombros, esteve com Ele em momentos especiais e, por último, o  fato de ter recebido a graça especialíssima de levar A Virgem Santíssima para casa. Tal como Cristo, conviveu intimamente com sua mãe, e com certeza, esta intimidade fez de São João este apóstolo tão amado, tão sensível aos mistérios divinos e em consequência, cresceu em santidade perseverando até o fim.

As Escrituras nos mostram que São João teve uma relação muito íntima com São Pedro, tanto que já o conhecia mesmo antes do chamado de Nosso Senhor. A preparação da Ceia Pascal lhes foi confiada (LC 22,8), e na noite da paixão, diz a Tradição que provavelmente é São João que introduz Pedro na casa do Sumo Sacerdote e são eles, que juntos vão ao sepulcro na manhã da Páscoa. Não podemos nos esquecer também que São João, num gesto de docilidade e reconhecimento de autoridade, quem permitiu que São Pedro testemunhasse primeiro a Ressurreição do Senhor ao ver o  sepulcro vazio. E foi São João, a reconhecer Jesus, na beira do lago, quando este já ressuscitado vem para o meio deles. Estar ao lado do chefe dos apóstolos, foi primordial para seu crescimento e para a condução de sua vida e de seus ensinamentos.

São João, escultura de Donatello.
São João é descrito por São Paulo como uma das colunas da Igreja de Jerusalém, onde teve papel importante na condução do primeiro grupo de cristãos. Juntamente com São Pedro, percorreu cidades, foi ao Sinédrio  para defender o poder e a veracidade de seu testemunho; esteve com ele também muitas vezes no Templo para rezar.  São João foi usado por Deus não para fundar comunidades, mas para levá-lo aos homens, "um verdadeiro comunicador da fé", como nos diz o Santo Padre Papa Bento XVI em uma de suas audiências (5 de julho de 2006)

A Igreja Oriental o chama de "o Teólogo", justamente por sua capacidade de mostrar de forma visível o invisível, de trazer ao homem de uma forma acessível, o belo, o santo, as coisas divinas. A devoção a ele se consolidou a partir da cidade de Éfeso, onde lá trabalhou  Teve construída em sua homenagem, pelo imperador Justiniano, uma basílica onde é muito venerado. É representado já em idade avançada em ato de profunda contemplação, como se convidasse a todos ao silêncio onde é possível se aproximar do mistério de Deus.

O amor é o grande tema desenvolvido por São João, justamente porque viveu ao lado dele e soube ver e compreender, pela graça de Deus, seu poder e manifestação real. São João em todos os seus escritos nos convida a todos a desejar a Deus, não O temer e ter total confiança de receber o perdão caso pequemos, afinal, foi ele mesmo que nos disse que se pecarmos, é bom que saibamos que temos um justo, um intercessor, um redentor, que nos perdoa sempre e que nos leva a Deus, pela sua bondade e misericórdia. Impossível  ler São João e não desejar ver a Deus.

Nosso Senhor ainda lhe dá uma graça especialíssima, ser o autor de um dos livros mais instigantes da Bíblia - o Apocalipse - e ele, ao contrário do Evangelho e de suas cartas, leva seu nome. Atesta sua fidelidade para podermos acreditar em sua verdade porque narrou coisas inimagináveis, mas reais, porque são inspiradas pelo próprio Deus.

São João estava em Patmos, ilha do mar Egeu, deportado "por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus (Ap 1,9), e fala às sete Igrejas da Ásia, que enfrentavam perseguições e dificuldades internas. Como um pai fala a elas com um zelo pastoral impressionante, solidificando sua fé e levando a todas a buscarem o bem, a justiça, a fidelidade a toda prova.

A figura impressionante que São João nos faz ver em Apocalipse é Jesus como Cordeiro de pé, como que imolado, diante do trono onde Deus está sentado. Esta figura nos mostra Jesus vencedor, porque já está ao lado do trono e tem todo poder em suas mãos, pois venceu a morte, violenta é certo, mas a venceu pela sua Ressurreição. Por isso apesar de imolado, está em pé e viverá para sempre porque todo poder lhe pertence.  Esta imagem não é um convite para que as comunidades e os homens resistam firmes na fé? Afinal, Cristo pela Cruz, pelo sofrimento, pela ressurreição vence a morte, e os seus, se fieis forem, vencerão também.

São João mostra também a Mulher vestida de Sol e perseguida, figura da Igreja e de Maria, ambas perseguidas pelo mundo e pelo demônio porque trazem Deus ao mundo. Eles os rejeitam para destruí-los, mas o poder e a mão de Deus está sobre ambos que, apesar de toda luta, vencerão ao final de todas as coisas. São João é o verdadeiro apóstolo da esperança na luta, porque viu a vitória e nos convida a dizer como ele "Vem! Senhor Jesus!


São João Evangelista - Rogai por nós!

domingo, 13 de abril de 2014

São João Batista Maria Vianney - O santo Cura d´Ars

Por Ana Maria Bueno 

“Conta-se que, ao aproximar-se a ordenação de João Batista, o Vigário Geral de Lyon, reunido com alguns padres, ponderaram a inconveniência em conceder-lhe o sacramento da Ordem, porque “era muito burro”, conforme comentaram entre si num momento de reunião, não com maldade, mas com a sinceridade de quem estava convencido da incapacidade intelectual de quem iria assumir tão elevado cargo.

Nesse momento, João Batista estava a chegar e ouviu ainda na sala de espera, o constrangedor comentário. Aguardou a saída dos padres e foi ter com o Vigário. Antes de iniciar a conversa, o Santo pediu licença para falar e disse: “Padre, se com uma fisga feita da mandíbula de um burro, David conseguiu derrubar Golias, imagine o que o Senhor poderá fazer tendo nas mãos um burro inteiro!” Estas palavras foram suficientes para revogar a intenção do vigário que, logo de seguida, o enviaria para a comunidade de Ars.

Apesar da história  se parecer a princípio engraçada, e para alguns digna de comiseração, ela só nos mostra como Deus age através de quem Ele quer, como e quando Ele quer.  São João Maria Vianney é um santo, que pelo menos a mim, causa compunção e desejo de ser humilde, simples e oculta. Sua vida instigante, aos olhos do mundo até medíocre, nos faz ver com absoluta certeza a ação divina nesta terra.

São João Maria Vianney nasceu em 1786 e morreu em 1859 - Sua memória é comemorada em 4 de agosto. Foi canonizado em 1925 e é considerado Patrono dos sacerdotes, porque soube ser um sacerdote exemplar, por ter amado e se desgastado pelo seu ofício.  Sua vida retrata o poder da graça divina que o lapida a ponto de tudo perder para o mundo, para ganhar almas de Deus para Deus. Sua humildade, suas lutas contra o demônio, sua luta para a santidade, seu ardor pela Igreja e, sobretudo, pela Santa Eucaristia e pelo Sacramento da Confissão devem ser sublinhadas e retratam bem este santo maravilhoso.

Nascido de família humilde, mas muito devota, teve nos pais camponeses um exemplo de amor a Deus e serviço aos mais necessitados. Em sua época, o terror imperava por conta da Revolução Francesa; padres eram exilados, muitos eram mortos, Igrejas eram fechadas, havia, portanto, uma verdadeira perseguição aos cristãos. E foi exatamente neste cenário que São João Maria sente o chamado de Deus para o sacerdócio, aliás,  desde garotinho gostava de se afastar para rezar. Queria se desgastar,  e este foi sempre o seu lema. Recebeu a primeira comunhão aos 13 anos e a Crisma aos 20 anos, onde recebeu o nome “Batista”.

Após receber o consentimento dos pais para ingressar no Seminário, enfrentou muitas dificuldades nos estudos, pois não conseguia entender o latim e filosofia. Sua dificuldade era tal que chegou a ser despedido do Seminário de Lyon. Deus então lhe envia um santo sacerdote que o ajuda, e foi somente com esta ajuda amorosa do incansável do Pe. Balley, que o ensinou em francês , pode, então, completar seus estudos. Ordenado sacerdote aos 29 anos, em 1815, foi vigário de Ecully durante três anos, mas não obteve permissão para ouvir confissões, pois não era considerado capaz de guiar consciências, o que muito o entristeceu; mas como estava disposto a obedecer e tudo fazer pelas almas, a mortificação e a obediência foram por ele escolhidas como meio. Somente três anos depois conseguiu a liberação para confessar; seu carisma de santidade já o fazia especial diante de alguns.

Deus então o envia a Ars – e foi ali onde ficou por 42 anos que pode exercer seu papel de santo sacerdote. Santo no sofrimento, santo nas injúrias, santo no desapego, santo no amor incondicional.  Ao chegar em  Ars, a Igreja estava praticamente vazia e as tabernas lotadas. A população distante de Deus precisou ser chamada pelo Santo para reconhecer em Deus o Senhor.  São João percorria a cidade, visitava as pessoas, chamava-os ao Banquete do Cordeiro – a Missa -, e sua pobreza e cuidados tocavam a todos.

Sua chegada a Ars em fevereiro de 1818 foi totalmente especial, numa carroça, transportando alguns pertences e o que mais precisava: seus livros; sem saber como chegar, encontra um menino que sem demora o ajuda. Conta a tradição que na estrada ele se dirigiu a este menino pastor dizendo: “Tu me mostraste o caminho de Ars: eu te mostrarei o caminho do céu”. Hoje, um monumento na entrada da cidade lembra esse encontro.

Por quatro vezes tentou a fuga da cidade, por se considerar inapto para o serviço sacerdotal, mas a população que já o amava e se opunha ferrenhamente a sua transferência e a sua fuga, não permitiu. Passava horas rezando, se mortificava até o limite de seu físico, se extenuava no Confessionário. Em resposta a sua fidelidade e luta, o Senhor derramava suas graças copiosas fazendo daquele lugar um reduto de santidade e conversão.

Suas homilias eram simples e fortes e focavam que muito na conversão exigida pelo reino de Deus e no juízo final. No início, São João Maria tendia a incutir o medo nos seus paroquianos, mas depois superou o rigor e cheio de misericórdia exalava em suas pregações e atos, brandura e amor. Sua pregação simples e objetiva chamava à vida e como ele mesmo dizia: “ Não eram mais que a união com Deus”.

Por conta do grande número de conversões, as tabernas esvaziaram, os fiéis aprenderam a amar a Igreja, a Deus, os Sacramentos, a Santa Missa e com elas vieram as calúnias ao Bispo, as perseguições sem tamanho, tanto das pessoas como do demônio. Sofreu amargamente as cruzes, mas ao pedir a Deus que desse a ele amor por ela, aprendeu a ser feliz no meio de toda esta tribulação. Ele dizia: “Precisamos pedir amor das cruzes; então as cruzes passam a ser suaves. Eu fiz essa experiência durante quatro ou cinco anos. Fui bastante caluniado, bastante desmentido. Oh! Como tinha cruzes; mais do que poderia carregar. Comecei a pedir o amor das cruzes e fui feliz” (Mensagem dos Santos – Paulus – Pedro Teixeira Cavalcante – pag 223)

   São João fundou a Confraria do Rosário para as mulheres, e a Irmandade do Santíssimo Sacramento para os homens. Resultado: perseguições e mais perseguições. Mas, ao contrário de que queriam estes perseguidores, Ars virou centro de peregrinações e o Santo mais rezava, mais se mortificava, mais fazia do Confessionário seu lugar. Chegava a ficar 14 horas confessando os paroquianos e peregrinos. Chegou a confessar mais de 200 pessoas num só dia.

 São João viveu o que pregou e soube ganhar as almas de Deus para Deus, servo fiel no pouco de si e no muito de Deus. Muitas e muitas vezes, dizia: “Deixai uma paróquia sem padre durante vinte anos e seus habitantes adorarão animais” e isto o impulsionava a servir, ele sabia o valor de um sacerdote nas mãos de Deus. Sabia de suas limitações, mas também sabia do poder da graça. Seu lema: orar sem cessar, se desgastar, morrer para que muitos possam viver. Criou orfanatos, escolas para pobres, catequese, ajuda aos necessitados, tudo isso fez o santo com a ajuda da Divina Providência. Um simples homem, sem nada, materialmente falando, e, no entanto, tão cheio de graça. Deus de fato, estava presente em Ars.

Sua catequese englobava três pontos: a luta contra o trabalho nos dias de festas e guarda, contra o hábito das blasfêmias  - para ele sinais de ateísmo prático, e a luta contra as tabernas  e contra os bailes, considerados por ele como obra diabólica que  leva à imoralidade.

No dia 2 de agosto de 1859, aos 73 anos, recebe a unção dos enfermos, no dia 3 assina seu testamento deixando seus bens aos missionários e seu corpo à paróquia. Falece no dia 4 - mais de trezentos padres e uma multidão veio despedir-se, bem diferente daquele dia em que chegou a cidade.

Foi proclamado venerável pelo Papa Pio IX em 1872, beatificado pelo papa São Pio X em 1905, canonizado pelo Papa Pio XI em 1925 e por ele foi declarado padroeiro de todos os párocos, em 1929.

Sua vida confirma o que São Paulo Apóstolo escreveu: “Mas o que é loucura no mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios; e, o que é fraqueza no mundo, Deus o escolheu para confundir o que é forte; e, o que no mundo é vil e desprezado, o que não é, Deus escolheu para reduzir a nada o que é, a fim de que nenhuma criatura se possa vangloriar diante de Deus” (1 Cor 1, 27-29).

“Para a honra de Deus e para o bem dos fiéis , o santo Cura restaurou a igreja e edificou várias capelas, dedicando-se ao Ecce Homo, aos santos anjos, a são João Batista e a santa Filomena, à qual atribuía seus milagres, para encobrir  sua fama de santidade. Sua vida foi, pois , não só penitente e mística, mas  também cheia de obras de zelo pelo próximo:  foi a plenitude da vida apostólica desse herói do ministério sacerdotal paroquial que realizou uma de suas palavras: “ É belo morrer depois de ter vivido na Cruz” ( Os santos do Calendário Romano – Paulus – pag 293)

São Cura D’Ars – Rogai por nós!

Frases de São João Maria Vianney:

“Se entendêssemos na terra o que é um padre, morreríamos não de susto, mas de amor”

“As pessoas acreditam no inferno, mas vivem como se ele não existisse”

“Apliquemo-nos como São Paulo a consolar a Igreja”

“O homem manda em Deus quando tem o coração puro”

“Há muita gente que saiu deste mundo sem saber o objetivo de sua vinda e não se preocupou com isso. Não podemos fazer a mesma coisa”

“Você não entra num prédio sem falar com o porteiro; pois, então, a Virgem Maria é a porteira do céu”

“Na oração bem feita, os sofrimentos se dissolvem como a neve no sol”

“Onde passam os santos, Deus passa com eles”

“Precisa-se de menos esforço para se salvar, do que para se perder”

“Nunca devemos desdenhar do pobre, porque este desdém recai sobre Deus”

“Virá um tempo em que os homens estarão tão cansados dos homens que não poderão falar de Deus sem que chorem”

“Somente as cruzes vão nos tranquilizar no dia do julgamento. Quando este dia chegar, quão felizes seremos de nossas desgraças, santamente orgulhosos de nossas humilhações  e ricos de nossos sacrifícios.


“A Cruz abraça o mundo; ela é plantada nos quatro cantos do universo; tem um pedaço para todos”

domingo, 3 de novembro de 2013

Santo Afonso de Ligório.

 Por Ana Maria Bueno

“Se desejas (…), alma cristã, agradar verdadeiramente a Deus e gozar de uma vida feliz, permanece então sempre e em tudo unida à sua santa vontade. Pondera que todos os teus pecados de tua vida passada provinham unicamente de te haveres desviado da vontade de Deus. Procura doravante exclusivamente o beneplácito do Senhor e repete, toda a vez que te suceder algum mal: Assim se faça, ó Pai, porque foi de teu agrado (Mt 11, 26).” Santo Afonso de Ligório (Excerto extraído do livro Escola da Perfeição Cristã)

Quando conhecemos a vida e os escritos de Santo Afonso de Ligório, passamos a vislumbrar o que realmente faz a graça no homem que se abre a Deus e o poder e o valor da comunhão dos Santos. Santo Afonso expressa como ninguém - de forma simples, aberta e prática -, os desejos mais íntimos do coração humano sedento de Deus. O Espírito Santo o faz penetrar nos mistérios mais profundos deste coração e o estimula a amar a Deus e desejar profundamente fazer sua santa vontade. Santo Afonso acreditava com todo fervor, que quando se “ propõe adequadamente o bem”, qualquer pessoa a ele se entrega e se transforma, já que todos somos chamados, em grau maior ou menor a ser santos. Assim, qualquer “alma redimida pelo Batismo, tornando-se pela graça templo do Espírito Santo, possui em potência o indispensável para atingir a santidade”. Por isso sentiu, impusionado pela graça, o desejo de entregar sua vida a anunciar a Deus aos pobres e humildes. Alertava a todos que só as orações vocais e atos externos de piedade dificilmente levam à santificação, e que por isso deveriam recorrer a uma vida de intensa piedade interior, estimulando-os à oração mental, tão necessária ao crescimento das virtudes, pois coloca a alma constantemente na presença de Deus e da insuficência própria, iluminando-a a respeito das perfeições de Deus e das limitações e defeitos próprios. Nesta sua caminhada de santidade e de profundo amor a Deus e às almas, descobre como se deve conduzir para se fazer a vontade de Deus que é sempre soberana e que conduz o homem ao seu fim último que é santidade e perfeição. Para ele - , contrariando vários santos que punham pra se chegar à perfeição,  antes da caridade a busca das virtudes morais  -, a caridade deve preceder a tudo, porque somente amando a Deus, que o homem chegará a lutar pelas coisas do alto e pela santidade. Santo Afonso entendeu perfeitamente o que quis dizer santo Agostinho:” Ame, e faze o queres”
Santo Afonso foi Bispo, musicista, pregador, escritor, poeta e doutor da Igreja, além de fundador da ordem do S.S Sacramento, hoje Redentoristas. Nasceu em Nápolis em 1696, em uma família abastada e nobre. Seu pai destinou-o os estudos das artes liberais, das ciências exatas, das disciplinas jurídicas. Aos dezesseis anos doutorou-se em direito civil e eclesiástico, tendo grande sucesso como advogado. Tinha uma personalidade bem marcante, por um lado era forte e decidido e por outro tinha um coração voltado para a fé e para a bondade.  Segundo o historiador Louis Vereeke, C. Ss.R, Santo Afonso era “Alegre, ardente e ricamente dotado por natureza de uma sensibilidade, uma vontade tenaz e inteligência profunda. Afonso era mais dado ao pensamento prático do que à pura especulação. Tinha, uma consciência do concreto, um senso prático. Em seu relacionamento com os outros, possuia nobreza de modos e era afável e benevolente com todos, especialmente com os pobres, e possuia um bom humor sorridente...”
Santo Afonso de Ligório e os primeiros Redentoristas.

Mas a graça de Deus já estava em seu coração, depois de uma derrota nos tribunais e por causa de seu engano exclamou! “Ó mundo falaz, agora eu te conheço! Adeus tribunais!” abandonou a carreira, e recusou todas as propostas de Matrimônio e  de vida mundana. Completou os estudos de teologia e se tornou padre aos trinta anos. Sua congregação, - os Redentoristas -, fundada em 1732, tinha como propósito “trazer a boa nova aos pobres”, e hoje trabalha incansavelmente pelo mundo realizando esta vontade de Deus. Aos sessenta e seis anos, apesar de doente, acatou o desejo do Papa Clemente  XIII para que fosse consagrado Bispo e serviu com toda diligência e sabedoria. Morreu entre seus irmãos em primeiro de agosto de 1787 - dia em que a Igreja o comemora, e apenas cinquenta e dois anos após sua morte, em 1839,  foi canonizado e por conta de seus inúmeros  talentos a Igreja lhe conferiu honras especiais. Em 1871 foi nomeado Doutor da Igreja e em 1950, reconhecendo o valor de seus escritos de teologia moral foi nomeado : “o santo Patrono dos teólogos e confessores”.

Santo Afonso em toda sua caminhada e pregação, reafirmou sempre que o mais importante é fazer a Vontade de Deus, e que toda perfeição ou santidade consiste no amor a Deus, entretanto, toda a perfeição do amor consiste em conformar nossa vontade à Sua vontade , porque no dizer de São Basílio,  santo muito citado por ele -,“o efeito principal do amor é: unir as vontades dos que se amam de maneira que tenham uma só vontade”. Nos diz que não há dúvida que agradam a Deus nossos sacrifícios, renúncias e meditações, obras de misericórdia, exercícios de piedade, contanto que tudo esteja de acordo com a sábia vontade do Senhor. Caso contrário, Deus os reprova e são merecedores de castigo. Se nossas obras e atividades não se realizam segundo o agrado divino, - pergunta -, como poderiam agradar a Deus?

Para ele, obedecendo a Deus o agradamos mais que se fizermos sacrifícios, já que o homem que deseja agir por conta própria, comete uma espécie de idolatria, porque neste caso, adora sua própria vontade, não a vontade de Deus. Pode-se dizer seguramente que a maior glória que damos a Deus, segundo ele -, é quando fazemos Sua vontade, - foi o que fez Jesus quando veio a este mundo, justamente para glorifica-lo, pois disse várias vezes que não veio para fazer a Sua vontade mas a do Pai que o enviou e isso se cumpriu quando entrou no mundo se fazendo vítima de expiação para a remissão dos pecados da humanidade. Deus recusou todos os sacrifícios dos homens para receber a vítima perfeita, esta vítima era Cristo. O mundo haveria de entender este amor imenso pela vontade do Pai, que era remir os homens que estavam nas trevas do pecado e da condenação eterna, por isso, a cruz foi o caminho escolhido. Antes de se entregar disse: “ Para que o mundo saiba que eu amo o Pai, e faço como o Pai me mandou, levantai-vos e saiamos daqui”(Jo 14, 31).

Se tem algo que Santo Afonso nos exorta em seus escritos de forma reinterada, é que ninguém se torna santo sem a busca da perfeição cristã e que toda a luta consiste nisso, em fazer sua vontade se conformar à vontade de Deus; esta é a mais alta perfeição que podemos aspirar e para isso é preciso que entreguemos tudo a Ele, porque se assim o fizermos estamos nos dando a Ele por inteiro. “Quem dá esmolas, entrega ao Senhor parte de seus bens, quem se sacrifica, lhe dá um pedaço de si próprio. Quem pratica o jejum, oferece seu alimento, mas aquele que lhe oferece sua vontade, se consagra totalmente a Deus. Não reserva nada para si” e por isso pode verdadeiramente dizer a Deus: ‘Meu Deus e meu Senhor, sou pobre, mas eu vos dou tudo o que tenho, tudo o que sou, porque dando-vos minha vontade, nada mais me sobra para vos dar’, e é precisamente isto que o Senhor nos pede quando diz: “Meu filho, dá-me teu coração”(Pr 23, 26), isto é, tua vontade.

A mortificação era um dos temas preferidos de Santo Afonso, afinal, sem se quebrantar, sem se mortificar, quem poderá fazer a santa vontade de Deus e ama-lo acima de tudo? Ele exorta aos cristãos a entenderem que em tudo Deus está no comando e  que deve-se tirar proveito de todos os meios que Ele usa para nos santificar. Diz-nos que o Senhor nunca aprova o pecado e a manifestação de injúrias por parte das pessoas, mas se utiliza e até as permite, para delas tirar um bem maior para seus servos e amigos. O Cristão que se exercita no cumprimento desta virtude, não somente se santifica, mas gozará na terra de uma paz impertubável, porque sabe que ”tudo concorre para o bem daqueles que O amam, daqueles que segundo seu desígno, são eleitos”. (Rm 8,28). Diz o livro dos Provérbios: “Nenhum mal atingirá o justo, mas para os ímpios tudo serão males”(Pr 12,21).
A mortificação era uma dos temas principais de
Santo Afonso de Ligório

“As pessoas que se esforçam por querer o que Deus quer, são muitas vezes humilhadas, mas amam as humilhações; padecem pobreza, mas amam a pobreza, enfim, aceitam com amor o que lhes acontece e levam assim uma vida calma, tranquila e feliz. Vem o frio, vem a chuva, vem o calor, vem o vento, o bom cristão aceita tudo por Deus, porque assim Deus o quer.  O homem santo permanece na sabedoria como o sol, mas o insensato muda como a lua. O pecador é como ela: hoje cheia, amanhã, minguante; hoje ri, amanhã chora de remorso, de angústia e tristeza; hoje parece tranquilo e sereno, amanhã furioso como o tigre. E por que? Porque seu contentamento depende das coisas boas ou más que lhe acontecem, e, por isso, mudam segundo sopram os ventos favoráveis ou contrários.  O justo é como o sol, sempre sereno e tranquilo, porque sua paz está fundada na conformidade de sua vontade com a vontade de Deus. Podemos gozar aqui na terra de um paraíso antecipado, pois esta paz causa alegria plena, e foi exatamente o que aconteceu aos santos, independente do que passavam; é uma alegria que o mundo não compreende mas que pode e deve estar no coração daquele que tudo se conforma a Deus, e nada, nem a dor, nem a fome, nem a tribulação, haverá de tirar esta paz e impedir que se cumpra de fato a vontade de Deus em sua vida”( LIGÓRIO, Santo Afonso Maria de Ligório. Conversando Sobre a Vontade de Deus. Editora Santuário: Aparecida. 1986)

“Quem poderá resistir à vontade de Deus? diz, constatando que ninguém pode impedir que se cumpram os decretos divinos, e que por isso, sábio é aquele se deixa conduzir por Deus em todos as ocasiões de sua vida, e que todos os homens, grandes ou pequenos, ricos e pobres deverão carregar sua cruz. Os que carregam cheios de revolta, sem amor, terão neste mundo uma vida inquieta, vazia, e na outra terão sofrimentos maiores, é o que se lê no livro de Jó: “Deus é sábio de coração, forte e poderoso, quem lhe poderá resistir impunemente?”(Jó 9,4).  Usa a palavra  de Santo Agostinho: “Que buscas, ó homem, buscando bens e mais bens? Ama e busca, o único bem verdadeiro, no qual estão todos os bens. Busca Deus, entrega-te a Ele, abraça a sua santa vontade e viverás sempre feliz, nesta e na outra vida”.

Lendo seus escritos, a pergunta que nos vem é esta: poderemos encontrar um amigo que nos ame mais que Deus?  Faz-nos entender que todo o desejo e empenho  do Senhor, é de que ninguém se perca, pois sendo Deus por natureza, a bondade infinita, a própria bondade, e sendo próprio dela se comunicar a outros, Ele só deseja nos fazer participantes de seus bens e de sua eterna e infinita felicidade. Depois que Deus ofereceu ao mundo a salvação em Seu Filho Jesus Cristo pela Igreja, poderá negar-nos alguma coisa? “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” Portanto, nos diz Santo Afonso: “se queres ser agradável ao Senhor e levar neste mundo vida feliz e tranquila, procura estar unido, sempre e em todas as coisas, à vontade do Senhor e permanece fiel à oração nunca se esqueçendo de que todos os pecados, desordens e angústias de tua vida passada tem raiz e fundamento o te haveres separado da vontade de Deus.  Apega-te de hoje em diante à vontade divina e em tudo que te acontece reza como Jesus Cristo: “Sim, ó Pai, porque isso foi do teu agrado” (Mt 11,26). Quando as humilhações e depressões pesarem, que teu espírito cheio de humildade e de conformidade diga a Deus: “Calo-me, já não abro a boca, porque sois Vós que operais” (Sl 38,10.) A isto deves orientar todos os teus pensamentos e orações, pedindo sempre ao Senhor, na meditação, na comunhão, na visita ao Santíssimo Sacramento, que tudo te ajude a cumprir a vontade d’Ele, dizendo: “Aqui me tendes, Meu Deus, fazei de mim o que quiserdes!” Santa Teresa assim o fazia, oferecendo-se a Deus muitas vezes por dia

Santo Afonso por estar em contato com os homens que tanto precisam da graça de Deus e  muitas vezes envoltos em sofrimentos físicos, nos exorta a ficarmos firmes mesmo na doença. Ele nos diz que a enfermidade é a pedra de toque dos espíritos humanos, porque a seu contato se descobre a virtude, o valor que uma alma tem em si. Se suporta a provação sem perturbar-se, sem lamentar-se nem inquietar-se; se obedece ao médico e aos superiores; se permanece tranquila e resignada à vontade de Deus, é sinal que a virtude é sólida. De nada adiantará a murmuração, o lamento, as queixas, já que a alma não crescerá em virtude e não fará com isso a santa vontade de Deus, tornando seus tormentos maiores e pouco frutuosos, já que poderia te-los usados para sua própria santificação.

Devemos também resignar-nos à vontade de Deus nas desolações e securas espirituais. Quando uma alma se entrega à vida de justiça e santidade, o Senhor constuma mandar-lhe todo o gênero de sofrimentos e de desolações espirituais. Por que,? nos pergunta o santo – Para desprende-la dos prazeres da vida, responde:  -“Para ver se nosso amor é verdadeiro, desinteressado; para testar nossa fé e nossa fidelidade; para ver se procuramos “O Deus das consolações ou as consolações de Deus”. Santo Afonso mostra-nos, sempre  em seus escritos, os exemplos dos santos que sofreram muitas desolações e securas espirituais. “Que duro está meu coração, exclamava São Bernardo; não tenho gosto nem para ler, não encontro consolo nem na oração nem na meditação”. Mas eles sabiam que as verdadeiras alegrias, santas e ternas, Deus as reserva para o céu. Esta terra é lugar de merecimento, ao passo que o paraíso é o lugar de prêmio e descanso, de repouso no Senhor.

Finalmente, Santo Afonso nos exorta que devemos nos resignar-nos à vontade de Deus, quando a morte nos visitar, seja quanto ao tempo, ao lugar e ao modo. Viver procurando a Sua vontade em todas as circunstâncias de nossa vida é sinal de grande sabedoria cristã. Quer na vida, quer na morte, quer no tempo, quer na eternidade, nossa felicidade está na realização da vontade divina. Assim procediam Jesus, Nossa Senhora e todos os santos, querem exemplos melhores? O temor de perder a Deus nos faz sermos vigilantes e sempre dispostos a jamais perder a graça alcançada.

Quem ama deseja a presença da pessoa amada. O amor requer presença. E como “quem não morre não vê a Deus”, devemos suspirar e não temer, como os santos pela hora da morte libertadora para entrarem no paraíso. Santo Agostinho rezava pedindo a salvação: “Morra eu, Meu Deus, para ir ver-te!”…E São Paulo desabafou: “Desejo partir para estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor”( Fl 1,23). E o profeta Davi, muitos séculos antes do Apóstolo, suspirava: - “A minha alma tem sede do Senhor, do Deus Vivo. Quando poderei chegar, para contemplar a face de Deus”(Sl 41,3). Assim falavam e rezavam todas as almas enamoradas do Senhor da vida.

Devemos, no dizer de Santo Afonso, aspirar os bens espirituais -, Esta ambição que deve cultivar no coração: amar a Deus o máximo que puderes. Todavia não se deve desejar um grau de amor maior do que aquele que o Deus de amor determinou nos conceder desde toda a eternidade. Disse o bem-aventurado Pe. João de Ávila: - “Não creio que tenha existido um santo que não desejasse ser melhor do que era. Mas isso não lhe tirava a paz e estava sempre contente com os dons recebidos”. Por outro lado, exorta-nos a que sejamos diligentes e fervorosos em procurar nossa perfeição, usando todos os meios ao nosso alcance. Não devemos permitir jamais que a rotina e a tibieza invadam nossa vida espiritual e religiosa, dizendo: “Se Deus quiser, tudo vai dar certo”…”Deus é Pai e misericordioso”.
Bens espirituais: o verdadeiro tesouro.

Santo Afonso insiste em nos dizer que não devemos nos deixar levar pelo desânimo e arrastar fraquesas, sem fazer esforço algum para romper com o egoísmo e os pecados. Sem perder a coragem, o ânimo e a confiança em Deus, com humildade, paciência e firmeza, procurando valer-nos da oração e dos sacramentos, do Evangelho e da devoção a Nossa Senhora, prosseguindo a caminhada para o alto. Que não percamos tempo desejando coisas sublimes como êxtases, visões, revelações, arroubos e outros dons sobrenaturais, o que interessa é a graça da oração, o amor de Deus e zelo pela salvação dos irmãos. E se não for do agrado de Deus levar-nos a tão sublime grau de perfeição e glória, tudo bem; o mais importante é o cumprimento de Sua vontade santa e santificadora.

Em suma, devemos olhar como vindas das mãos de Deus todas as coisas que nos sucedem ou nos podem atingir. Todas as nossas ações sejam orientadas ao único fim de agradar a Nosso Senhor e de cumprir sua santa vontade, ela é o caminho mais seguro e firme que nos leva à justiça e à santidade. Para termos êxito neste caminho, pede que deixemo-nos guiar por nossos superiores e pela direção caridosa e sensata de nosso conselheiro espiritual.  Que esforcemo-nos por servir ao Senhor do modo que Ele deseja, para que evitemos um engano muito comum, engano e erro em que muitos ainda estão, perdendo lastimosamente seu tempo precioso, alimentando fantasias, pensamentos tolos e dizendo ainda: “Se eu entrasse para o convento, para a vida religiosa, se me retirasse para um lugar solitário, fora de casa e longe dos amigos e dos parentes, eu me faria santo; eu me dedicaria mais à oração e à penitência!”…Contentam-se com dizer: “Eu me faria santo…eu me faria santo!” E, no entanto, não levam a cruz com amor, paciência e conformidade; não aceitam a vontade de Deus.

Santo Afonso nos diz que cumprindo à risca a vontade do Senhor, certamente seremos santos, em qualquer estado ou situação de vida.  Que não queiramos mais do que Deus quer e, então, Ele levará o nosso nome gravado em suas mãos e em seu coração. Tenhamos sempre em mente algumas passagens da Escritura, que nos convidam a entrar no esquema da vontade divina: ”Senhor, que queres que eu faça?”( At 22,10); “Sou vosso, salvai-me”(Sl 118,94); Sim, Pai, eu vos bendigo, porque foi do vosso agrado fazer isto”(Mt 11,26). Mas entre todas as orações, é esta que devemos repetir e viver todo dia e todo momento: ”Seja feita a vossa vontade” – Seja para sempre bendita e louvada a vontade do Senhor, como também a Imaculada e bem-Aventurada Virgem Maria”. A Virgem que ele tanto amou e reverenciou. Em Santo Afonso havia um amor profundo à Nossa Senhora e à Santíssima Eucaristia. Enfim, Santo Afonso nos deixou um legado enorme e le-lo nos faz vislumbrar o Céu e desejar ardentemente, fazer a santa vontade de Deus.

Santo Afonso – Rogai por nós!