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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O Catolicismo e o Socialismo.


Por Evelyn Mayer

Na última quarta-feira (13/08/2014), verificamos atônitos a tragédia que envolveu o candidato à presidência, Sr. Eduardo Campos e sua equipe de campanha, bem como a tripulação.

É sempre cruel conferirmos essas tragédias. Mesmo que não ocorra com algum conhecido ou próximo nosso, essas atrocidades mexem com a gente, pois logo pensamos na família dos envolvidos, em como viverão após...

Contudo, podemos aprender – e muito! – com a morte do candidato. E explicarei o porquê.

Foi muito bonito analisarmos durante o funeral do mesmo todas as manifestações de catolicidade da família. Missas, terços, orações... Aliás, soube por alguns amigos que moram em Pernambuco que o falecido sempre comparecia às celebrações eucarísticas em sua cidade, participava das festas paroquiais e que fez questão de educar todos os filhos em uma escola católica influente da região. Foi, inclusive, extremamente generoso com o plano de Deus para os casais: abriu-se à multiplicação e teve cinco filhos, sendo o último aos 48 anos de idade.

Estes exemplos que cito são os que pude observar após sua morte. Confesso que, antes desse evento, eu não sabia quem era Eduardo Campos. Mas, como já citado os motivos, sinto muito pela sua morte tão abrupta.

Entretanto, cabe ressaltar que o ex-governador de Pernambuco participava de um partido socialista: o PSB (Partido Socialista Brasileiro). Não posso dizer quais eram as intenções do candidato vitimado, mas posso dizer quais são as intenções do Socialismo: destruir a influência da Igreja na sociedade; deturpar os valores morais e éticos; criar uma Nova Língua (conhecido como Novilíngue) em que se concebe novas concepções para determinadas palavras, dando outros significados; aprovação do aborto; aprovação da eutanásia; aprovação de casamentos homoafetivos; aprovação de uma agenda completamente imoral e incompatível com a fé católica; apoio a organizações como MST e afins...

O fato é que, para a Igreja, está claro: o socialismo é inverso ao catolicismo. Não se pode dizer “sou católico, mas sou favorável ao aborto”. Não se pode dizer “sou católico, mas apoio a adoção de crianças por casais homoafetivos”. E isto não é ditadura religiosa: isso é regra. Se se escolheu ser católico, deve-se seguir a fé católica em TODAS as suas esferas, e não somente naquilo que nos parece bom. Dizer-se católico é o mesmo que conformar-se com o que esta fé diz. O mesmo vale para o socialismo. Não dá para dizer-se socialista e favorável à castidade. É impossível ser socialista e contra movimentos feministas, entre outros.

Muitos podem estar se perguntando: então o falecido Eduardo Campos era falso? Respondo: NÃO SEI! Sei é o que a fé católica orienta: é impraticável e impossível ser católico e socialista concomitantemente.

Avaliemo-nos, pois, a partir desta tragédia e façamos um verdadeiro exame de consciência. Às vezes, fazemos algo sem saber. Apoiamos o socialismo pensando ser algo bom, quando não o é (talvez o próprio candidato fosse ingênuo ou cria inocentemente na possibilidade de unir religião e política tão distantes). Porém, agora é a hora de deixar a ingenuidade e buscar a Verdade. Não podemos prosseguir no erro. Precisamos deixar de lado a inocência e seguir a Cristo, praticando a fé também na política.

Façamos também a nossa parte e peçamos a Deus misericórdia das almas dos falecidos.



Evelyn Mayer é católica, consagrada à Virgem Maria, casada, mãe, professora de Língua Portuguesa e palestrante de recursos humanos em indústrias.

domingo, 17 de agosto de 2014

A segregação não interfere no progresso intelectual do aluno; antes, auxilia. E o Colégio São Bento provou isto no ENEM.


Por Evelyn Mayer

No ano de 2011, pela quarta vez consecutiva, o colégio fluminense São Bento conquistou o primeiro lugar no ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). A prova é aplicada pelo Ministério da Educação com o intuito de avaliar o desempenho de estudantes da rede pública e privada em todo o país, bem como, por esta avaliação, ajudar os estudantes a ingressarem em faculdades por meio de bolsas de estudos, também estas criadas pelo Governo Federal.

Contudo, o colégio foi alvo de críticas. A professora da Universidade de São Paulo (USP) Cláudia Vianna, especialista em gênero e educação, afirmou que "não é possível desenvolver a personalidade integral do aluno onde há segregação". Pensamento como este também se aplica ao defender a não-aplicação do método “Homescholling” (ensino doméstico) em que os pais dedicam-se em educar os filhos, ensinando-lhes as disciplinas próprias em um ensino regular, só que em casa. Ou seja: os pais passam a ser os professores e ensinam aos filhos conforme suas próprias ideologias e concepções sobre as disciplinas.

Discordo em muito da afirmação da professora Vianna por um motivo muito simples: sua afirmação é falaciosa!

Em entrevista à Revista Exame (veja aqui: http://exame.abril.com.br/economia/brasil/noticias/primeiro-colocado-do-enem-remete-ao-seculo-19-diz-professora-da-usp), Vianna alegou: “É muito complicado dizer que a segregação garante qualidade. Vivemos num mundo misto que aliás, mostra que as meninas têm mais sucesso que os meninos. Que desenvolvimento é esse que só dá certo quando eu separo? Qual a mensagem que você passa? Como se propõe a prepará-los para o mundo que é misto? Que principio é esse que não trabalha com o heterogêneo?", questionou.” Avaliando estas afirmações, nota-se que a professora Vianna não é clara com o que diz. Ou – pior! – não leu a própria entrevista que deu.

O Colégio São Bento está, pela quarta vez consecutiva, em primeiro lugar no resultado do ENEM. A metodologia do colégio não está embasada no Anarquismo, no Positivismo, nas ideologias Freirianas ou Boffianas; ao contrário: o colégio baseia-se numa educação católica, onde a qualidade não está na interação entre meninos e meninas, mas sim, em que o menino seja formado em sua integralidade. É até injusto ver a professora dizer que a metodologia é do século XIX, haja vista a educação  em que meninos e meninas interagem é “recente”. Se você questionar os seus pais – ou, talvez, os seus avós – se surpreenderão ao ver que muitos deles estudaram em escolas cujas metodologias eram de alunos separados conforme o gênero. A qualidade ou adequação ao mundo misto ficou prejudicada por isso? Você, conhecendo seus pais e avós, comungaria da afirmação da professora Vianna? Minha mãe estudou nesta metodologia e não teve nenhum problema em socializar-se com meninos, muito menos ficou prejudicada em sua feminilidade. Minha irmã estudou em um colégio de freiras no final do século XX e também não obteve problema algum de interação ou formação integral.

Pensar que a segregação impede a qualidade é o mesmo que dizer que meninos e meninas dependem um dos outros para aprenderem. Ora, isso não é verdade, afinal, meninos e meninas criam seus primeiros referenciais em casa: pai, mãe, avó, tio, irmãos... logo, ela não precisa necessariamente da escola para socializar-se. Ao contrário: indo à escola, a criança leva consigo sua noção de socialização, vivida primeiramente em casa.

A professora cita que neste mundo misto em que vivemos, as meninas têm mais sucesso que os meninos. Fica vaga esta afirmação, já que a professora não mostra em qual contexto ela se aplica. Quais são as pesquisas que afirmam ou teorizam esta ‘verdade’? Contrapondo o argumento da professora da USP, a Universidade de Otago comparou o desempenho escolar de mais de 900 meninos e meninas no ensino médio de escolas mistas e separadas na Nova Zelândia (ver aqui: http://www.ogalileo.com.br/noticias/nacional/meninos-tem-nota-melhor-se-nao-estudam-com-meninas-mostra-pesquisa). Conforme a pesquisa, quando os alunos estudam em uma escola em que todos os alunos possuem o mesmo gênero, as chances de competirem justamente são maiores. E por quê? Porque os meninos tendem, principalmente na adolescência – graças aos hormônios! – a não se concentrarem nas aulas, perdendo o tempo ‘analisando’ as colegas de classe. Quando estão em uma sala onde só há meninos, conseguem concentrar-se melhor nos estudos.

Se levarmos em conta o que Vianna propõe, o sucesso das meninas de hoje não está em sua capacidade intelectual, mas pela efervescência masculina. Seria isso justo?

 

Observando o que propõe a pesquisa da Universidade de Otago, separando dá-se aos alunos de ambos os sexos o privilégio e a oportunidade de um aprendizado mais concentrado nas disciplinas, no conhecimento; a escola e os professores conseguem preparar devidamente seus alunos, seja na formação humana quanto na profissional e intelectual. A mensagem que se passa é a de que o aluno entende que lá ele está para aprender e não para namorar, sabotar ou exibir-se.


Falaciosa também é a afirmação de Vianna que o colégio São Bento prima tão somente pela heterogeneidade. Na própria entrevista a coordenadora do mesmo (ou seja, uma mulher!) menciona sobre os benefícios de uma educação segregada. O colégio também conta com algumas professoras. Isso não é convívio com o universo feminino?


O que talvez falte à professora da USP é compreender o que a Universidade de Otago já o fez: a segregação auxilia no processo de ensino-aprendizagem. Ganham todos: meninos, meninas, professores (as), sociedade. Ponto a mais para a Igreja Católica, que com tanta eloquência vem há séculos lutando por uma educação de qualidade. Qualidade esta que não se aplica em teorias modernas, mas sem consistência. Antes, sua metodologia é a formação do ser humano em sua tridimensionalidade. Esta sim é uma metodologia que ultrapassa qualquer teoria pautada em revolução.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

O pai e o mundo moderno.


Por Evelyn Mayer

“Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?” Mt 7,11

           
Quando nos perguntamos sobre o papel de pai no mundo moderno, as respostas que se nos dão são as de que este papel mudou: hoje, o pai saiu do papel de “opressor, tirano e totalitário” para um baby-sitter moderno. Dezenas, diria até centenas de matérias, vídeos, reportagens e afins mostram – orgulhosos! – os homens que decidiram realizarem-se (cof!) no papel de “donos de casa”. São tão generosos, tão homens-beta que, a fim de demonstrarem sua sensibilidade à realização da esposa, ficam em casa e viram a “Amélia”.

            Mal sabem estes pais (e mães) que colaboram absurda e ingenuamente para com este programa ideológico e partidário feminista vigente em nossos tempos. Com a ascensão do feminismo, colocar a mulher como dona de casa é mantê-la em submissão ao esposo. Ser submissa é viver sob a opressão machista. Qual a forma “lógica” em “oprimir” o homem, fazendo-o sentir física, emocional e socialmente o que as mulheres sentiram por séculos? Fadá-los ao serviço doméstico. E, assim, os filhos crescem sem compreenderem o que, de fato, representam pai e mãe na sociedade, bem como eles mesmos.

           
Quer dizer então, Evelyn, que você é contra o homem fazer o serviço doméstico? Não. Meu marido, por exemplo, me ensinou a fazer grandes coisas quanto a isto.  Mas, depois de ensinado, não tocou mais a mão, porque compreendeu que agora eu sei, logo domino o mesmo. Entretanto, quando ele nota que estou apurada e/ou sobrecarregada, prontifica-se em auxiliar-me sem que eu peça. Quanto a isso, sou favorável. Contudo, jamais aceitaria que meu esposo viesse a desempenhar o trabalho de dono de casa. E o motivo é simples: não foi para isso que ele foi criado. Os homens, por mais caprichosos que sejam (e o são!) não têm a delicadeza das esposas em pensar nos detalhes mínimos para a casa: enxoval, louça, decoração, flores... Evidenciar isso não é desmerecer os homens. Ao contrário: é dizer que homens têm papéis diferentes das mulheres. Do mesmo modo, não sou favorável que a mulher deva assumir uma profissão de autorrisco, que exija dela uma força descomunal apenas para provar que pode fazer tudo semelhante ao homem. Por qual motivo? Competição?! Que absurdo! Qual a necessidade em perder toda a feminilidade para mostrar-se “tanto quanto” competente ao homem? Sendo o homem mais forte por natureza, que seja ele a fazer o que a Natureza lhe incubiu. Enquanto isso, nós – mulheres – lhes satisfazemos e completamos com a doçura que nos cabe. E, me desculpem as feministas, mas não encontro nisso machismo, e sim, realidade. Verdade!

            Em uma sociedade como a nossa, é fato que a mulher está praticamente vetada ao serviço doméstico. Com uma renda apertada, pouco tempo e/ou condições para formar-se, o homem tem necessitado do apoio de sua companheira para que os filhos tenham comida à mesa. A mulher tem saído de casa mais do que deveria. Não acredito que isso seja culpa dela ou dele (somente), e sim, de uma sociedade que se descristianizou. Retirando Deus do centro do universo, racionalizando todo e qualquer pensamento e paradigma (leia-se “tabu”), nossa sociedade passou a ver cada ser humano como um ser “unissexualizado”. Logo, homens e mulheres devem ter direitos e deveres como se, naturalmente falando, fossem iguais, o que não procede.

            Não é de hoje que a mulher trabalha para auxiliar o marido nas rendas de casa. A mulher citada em Provérbios 31, 10-31, mostra que, além de cuidar do marido e da casa, ela faz trabalhos artesanais para auxiliá-lo na renda. E a alegria desta mulher está em saber que o coração de seu marido a ela está confiado (cf. PV 31,11). E isso só foi possível porque esta é temente ao Senhor. Temer ao Senhor, algo quase que inexistente em nossos dias.

            Cabe a nós, cristãos, lembrar que neste dia dos pais devemos exaltar o real papel do homem na família: chefe. Devemos, como aqueles que desejam imitar o Cristo, fazer valer o modelo de família que, antes, exortou-nos Paulo: “as mulheres sejam submissas aos seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja, seu corpo, da qual ele é o Salvador [...] Maridos, amai vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo e pela palavra [...] Em resumo, o que importa é que cada um ame a sua mulher como a si mesmo,  e a mulher respeite o seu marido.” (Efésios 5, 22-23; 25-26; 33).Ora, dar ao homem o papel de chefe não é dar-lhe o mastro de prepotente, mas de zelador. Note que Paulo compara a vocação de esposo ao de Cristo, evidenciando quão duríssimo é ser esposo quanto espera o Senhor. Zelar pela esposa, santificá-la, fazer de sua casa um lar que bendiga ao Senhor (cf. Js 24, 15) é algo possível àquele que em Deus confia.

            Cabe a nós, também, esposas, observar se não estamos “castrando” os nossos maridos. Com o advento feminista, muitas de nós procuramos tanto nos autorrealizarmos (como se o fato de sermos donas de casa, esposas e mães fosse um sacrilégio) que acabamos por impedir, e até mesmo castrar os nossos esposos. Não lhes damos mais o direito de advogar em nosso favor, não lhes pedimos conselhos tanto quanto deveríamos fazer, colocamos nossas vontades e direitos acima das deles que estes acabam perdidos quanto o seu papel neste núcleo familiar. Submissão não é viver à sombra, mas auxiliar os maridos que nos guiam para Deus. É fazer com que o marido brilhe e o brilho dele seja também o da mulher, que o apoia, que o consola e serve de suporte para toda a vida. Nenhuma mulher que faça valer o seu papel de esposa se sente triste, como pintam as ‘feminazis’. Todas elas sabem que honrar o seu esposo é papel primordial no caminho da salvação. Sabem que, honrando seus maridos, seus filhos terão alegria ao ver que o pai é o reflexo de Deus, da esperança em suas vidas.

            Que São José, pai adotivo de Jesus e benditíssimo esposo da Virgem Santíssima possa abençoar todos os pais neste dia. Que ele também ensine os homens e as mulheres de nosso tempo viver o sagrado sacramento do matrimônio como ensinou-nos São Paulo, pois é isto que de nós espera o Senhor.


Em Cristo.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Do que é que meu filho pode brincar?


Por Evelyn Mayer

A foto ao lado gerou a maior polêmica no FaceBook de uma amiga. Ela quis comprá-lo para a sua filhinha de um ano e pouquinho. Houve pessoas que acharam o fim da picada. Teve, também, os que defenderam arduamente. Achei tão interessante o debate que resolvi transformá-lo em artigo, que agora faço.

As feministas, que tanto acreditam terem feito um bem às mulheres, dando-lhes a oportunidade de trabalhar fora, mal sabem quanto mais ocupações colocaram nas costas das mesmas. Se elas vissem este brinquedo certamente quereriam queimá-lo em praça pública, de preferência se a mesma fosse em frente a uma Igreja Católica. Aproveitariam até para levarem cartazes apoiando aborto (porque vc sabe, feminista, quando vai a manifestação, mesmo que seja para reclamar do preço da carne, luta pelo aborto. Impressionante!).Costumo dizer que o dia que eu encontrar a feminista que teve a 'brilhante' ideia de queimar sutiã em praça pública vou encher a cara dela de sopapo. Por causa dela, eu, Evelyn, tenho que ter dezenas de turnos: em casa, no serviço fora de casa, com filhos... E quem é mãe sabe como isso é corrido.

Particularmente, eu a-do-ra-ria ficar em casa mais tempo, sabiam? Nossa, como eu queria ter um serviço meio período pra poder cuidar da casa, do marido, do filho... Mas nos dias de hoje o mercado de trabalho não ajuda nossos maridos. Cada dia mais exigem experiência disso, curso daquilo, e vai afunilando, e o salário é baixo... Infelizmente a gente acaba tendo que sair de casa mesmo. Por isso eu acho interessante a ideia de o marido ajudar a esposa em casa quando a mesma trabalha fora para ajudá-lo financeiramente. Se o casal não agir como uma equipe, em que um ajuda o outro, e por amor, fica difícil ser feliz... Agora, como um marido vai ajudar a mulher se nunca brincou com algo 'próprio' de menina, como 'fazer comidinha'?

A grande questão que me fica é: por que não brincar de casinha (a menina E o menino)? Em miúdos: Será que dar aos filhos um brinquedinho que remeta ao serviço doméstico é formar a criança para um destino "amélico"? Cruel?

Eu não tenho filha ainda. Só tenho um menino. E ele adora me ajudar. Quando me vê com uma vassoura em mãos, corre e diz: "Dá, mãe! Minha vez!". Ele ainda não fez três anos, mas está perto. Muitas mulheres poderiam achar isso um absurdo. Os machistas, então.. me crucificariam. Mas qual o problema? Nesta brincadeira o meu filho está aprendendo que cuidar da casa é algo bom. Se não o fosse, eu, sua mãe, não estaria fazendo. Da mesma forma, quando meu marido vai lavar o carro ou limpar suas ferramentas, ele corre ajudar. Acha um barato. E nessa brincadeira ele vê que é bom o que o pai faz.

A questão é que além de ser uma brincadeira em que as crianças imitam seus pais, referenciais por excelência - ou que deveriam ser - é próprio da mulher os afazeres domésticos, bem como o do homem os outros afazeres. Instigar a criança a 'brincar' com coisas que fará na vida adulta não é, nem nunca será, uma forma de 'atrasá-la' intelectualmente, e sim, prepará-la, formá-la para os outros desempenhos que deverá tomar.

Sendo assim, não vejo problema algum em pais que dão às suas filhas brinquedos que arremetam aos afazeres domésticos, nem aos filhos com serviços próprios dos homens (como oficina, jardinagem...). Aliás, eu, como mãe e professora, sou super a favor que os pais, além de darem brinquedos próprios dos sexos, troquem os brinquedos também. Exemplificando: o filho também precisa saber brincar de boneca. Não vai virar um afeminado por isso. A filha também pode ganhar um carrinho sem com isso crescer masculinizada. Vejo isso como uma preparação para o futuro. Quando adulto, seu filho será pai. E se for menina? Como saberá brincar de boneca com ela se nunca teve a experiência? E a menina? Como vai saber lidar com o carro se na infância o pai nunca lhe deu um?

Eu pretendo ensinar o meu filho não só a brincar com brinquedos 'próprios' de meninas, como também os afazeres domésticos, bem como exigirei que meu esposo o ensine tudo que um homem tem que saber (desde trocar uma lâmpada a fazer uma gambiarra no motor do carro até chegar à oficina). Contudo, vou me esforçar em colocar no coração dele que não seja como muitos casais que ficam disputando quem trabalha mais fora e/ou dentro de casa sob pretexto de não se ajudarem. Quero que ele aprenda tudo para fazer por AMOR, além de ser livre, pois quanto mais aprendemos, mais livres somos.

Penso que as brincadeiras - e os brinquedos - ajudam a quebrar paradigmas e tabus que muitas vezes colocamos. Dar aos meninos brinquedos 'típicos' de meninas, e às meninas, 'típicos' de meninos, é fazer com que ambos aprendam como lidar com o mundo do outro. Dar às crianças brinquedos domésticos e/ou que façam menção a profissões é dar-lhes na infância gosto para possíveis profissões  e ações inatas que exercerão no futuro.

Por fim, eu sou gêmea com um menino. Nós brincávamos de carrinho e de boneca juntos. Não desvirtuamos nossa sexualidade por isso, nem somos retrógrados intelectuais por este motivo. Certamente, quando ele tiver um filha, lembrará quando brincava de bonecas, pois brincar de carrinho na infância foi muito útil para mim quando o meu menininho chegou.


Agora, por favor, com licença. Meu neném tá querendo brincando de trator comigo. Fui!

sexta-feira, 7 de março de 2014

O analfabeto político.


Por Evelyn Mayer

Sempre, em todo e qualquer debate, digo às pessoas que o Brasil não vai pra frente, pois o brasileiro não entende lhufas sobre política. No Brasil, se o presidente dá esmola, então é um bom político. E daí que ele roube? Roubou, mas fez. Construiu duas escolas em quatro anos, reformou um hospital de dez que há na cidade - e que precisam de reforma -, construiu mil casas, quando podia fazer vinte mil. Não se dão conta que, o dinheiro todo que ele roubou foi do nosso bolso, dinheiro este que poderia fazer tantas outras coisas muito melhores. Mas o brasileiro não liga pra isso. Estufa o peito e diz: 'não gosto de política!" Tolo e estúpido.

O brasileiro não tem consciência política. O brasileiro tem preguiça de pensar sobre este assunto. É mais interessante falar sobre as bobageiras da internet a decidir seu futuro. Pra ele, se o Brasil for hexa, bênção! Mas se o Brasil cair numa ditadura comunista; se o Brasil virar Cuba; se entrar numa inflação sem volta, não tem problema, pois ele nem sabe o que é isso. Direita e esquerda são coisas que não estão no dicionário do brasileiro, a não ser, é claro, para orientar-se na estrada, no carro que ele comprou em duzentas prestações e que, a cada parcela, juros tão acumulados que poderia dar entrada em outro veículo. Mas ele não pensa sobre isso. Ele quer o hexa!

Reclamam tanto da educação, mas não sabem o que acontece com ela. Mal vão às reuniões dos seus filhos na escola. Concordam com tudo. Está tudo bem, desde que o professor concorde. Afinal, ele - o professor - estudou pra isso. Então, não há o que discutir, inclusive, a incompetência intelectual do professor.


Saúde? Segurança? Isto também não se discute. Discutir pra quê? Vai ficar tudo assim mesmo. Nunca vai mudar. É forever and ever! A gente é que se acustume, que é pra não estressar...

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O vento é encantado.

Por Evelyn Mayer

Quando eu era criança, minha avó contava muitas histórias. Lobisomem, saci pererê, mula sem-cabeça... Mas, hei! Não eram invenções, não. Nem fábulas. Eram histórias reais (rs!). Sim, ela dizia que tinha visto, que o pai tinha visto, o primo da mãe... Teve até um cunhado da minha bisavó que era lobisomem e veio pedir sal à sua mulher...

Segundo ela mesma conta, naquela época cria-se em tudo. "A gente era tonto. Não tinha televisão", diz. Acho que ela se enganou.

Se enganou, porque o fato de termos televisão não nos faz mais inteligentes. Talvez nos faça mais tontos que eles. E não gosto de defini-los. Eram o que eram. Eram trabalhadores que se sustentavam com o que plantavam, eram cristãos que acreditavam piamente na providência divina, eram atores, cantores... eram o que eram.

Eu ouvia as histórias e imaginava os personagens. Como eram? O que faziam? As feições... tudo passava pela minha cabecinha inocente. Era divertido. Todo dia tinha uma história. Coisas que hoje não vemos mais, não é mesmo? Ninguém tem tempo para uma história, mesmo que 'tonta'.

Foi a minha avó quem foi, aos poucos, estimulando minha criatividade. Depois dela, minha mãe, com os livros que comprava. Sempre tinha um numa data especial. E eu os amava! Lia, lia, lia! Era meu maior divertimento depois das histórias da minha avó.

Hoje, minha avó está caduca. Dizem que é Alzeimer. Ainda não foi diagnosticado, mas os traços dão o sinal. Porém, há algumas coisas que ela nunca esquece. Uma delas são as histórias. Sempre se lembra de contar um "causo". Se nos sentamos, ela fala: "Ah, se mamãe visse uma cena dessa, já corria contar uma história. Sabe que ela teve um cunhado que era lobisomem..." Não somente as histórias, ela também me dá conselhos. E tantos bons conselhos.

Entretanto, há uma coisa que ela sempre fala que me deixa intrigada. Bateu um ventinho, e ela fala: "O vento é encantado. A gente não o vê, mas sente".

O vento é encantado.
Eu acho tão bela esta expressão! O vento é encantado! E por que não? Os encantos do Senhor são tantos... É realmente bonito - e porque não, lúdico! - essa definição para o vento... Tá, eu sei que há todas as explicações científicas para ele, mas eu quero me ater ao lúdico. Chamar o vento de encantado, pra mim, é acreditar na poesia, no mistério, naquilo que não vejo, mas sinto. Isto é encantador. Tem encanto. É encantado.

Conforme o dicionário, o significado da palavra encantado é "efeito sobrenatural dos supostos poderes mágicos". Deus é mágico. Criou tudo sem ter nada, a não ser a Sua Onipotência. Criou algo tão simples e que nos encanta: o vento. Deus nos toca tal qual o vento. A gente não o vê, mas Ele nos toca e nos encanta. Deus é encantado.

Quando partimos para a literatura, vemos que outros encantos para a inteligência Deus nos deu. Um deles é trabalhar o imaginário de quem lê. Tudo o que há lá é regado de encanto. Transforma-nos nas aventuras que só vivemos lá.


Ficar com esta definição do vento que a minha avó acredita é, para mim, perfeita. Quando eles (Deus e o vento) me tocarem, eu sempre sentirei seus encantos, cada qual em seu lugar hierárquico...

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

A caridade.

A Caridade é a Rainha das virtudes. A Caridade é a perfeição do homem. A Caridade é a plenitude da vida cristã. Por quê? Porque Deus é Caridade e quem está na Caridade está em Deus e Deus nele (cf. I Jo 4,16). Mas o que ela é? É o amor total de Deus e do próximo. Não amor humano carnal, mas amor Divino, feito de Graça, que vem do Espírito Santo de Amor. É o amor de Deus difundido nos nossos corações pelo Espirito Santo que nos foi dado (cf. Rm 5,5). É penoso, por isso, é ilusão pensar de amar a Deus ou ao próximo quando se está em pecado mortal na alma. Igualmente é penoso iludir-se de amar verdadeiramente sem que o impulso do amor venha originalmente do Espírito Santo no coração. Quantas aparências de Caridade fazemos, consciente e inconscientemente. Isso diz S. Paulo com palavras que deveriam voltar a si quem quer que seja sem pose de disponibilidade, de abertura aos outros, de viver para os outros, e não olhe se tudo é feito com a Graça de Deus na alma e se venha da consciente e amorosa união com o Espirito Santo no próprio coração. Se não, mais ainda do que de bem vagas disponibilidades e aberturas aos outros, S. Paulo fala muito concretamente de distribuir todos os bens aos pobres e de dar até o próprio corpo para ser queimado pelos outros, para concluir que tudo isto de nada serve se não procede do amor de Deus no coração (cf. I Cor 13,3). A substância principal da caridade, então, é a Graça de Deus na alma, é o amor de Deus no coração e nas intenções. Sem isto, se fala de caridade batendo no ar (cf. I Cor 9,26).


O amor de Jesus empurra


Quando existe o amor de Deus no coração a Caridade pelo próximo é elevada até ao heroísmo mais puro. S. Francisco de Assis, que não só não fugiu, mas aproximou-se e beijou o leproso; S. Isabel de Hungria que pôs na própria cama um leproso abandonado na rua; os missionários que enfrentam riscos e dores mortais pelos infiéis; S. Tereza que se flagelava 3 vezes por semana e Jacinta que batia as urtigas nas pernas pelos pecadores; e tantos outros santos... Quais heroísmos de caridade material e espiritual não fizeram pelos irmãos empurrados pelo amor de Jesus? Valiam de verdade para eles as palavras de S. Paulo: "O Amor de Cristo nos impele" (cf. II Cor 5,14). Não um amor comum, entende-se, mas um amor de fogo devorador (cf. Dt 9,3) que os levava à perda de si no Amado para ter um só coração e um só querer, prontos para amar sem medidas, até à morte. Assim, só assim se explica todo amor sobre humano dos santos. Quando o S. Cura d'Ars converteu a mulher de um rico hebreu , este chegou todo furioso em Ars. Apresenta-se ao Santo e diz-lhe brutalmetne: "Pela paz que destruístes na minha casa eu vim arrancar um olho teu." "Qual dos dois?" Desconcertado, o hebreu respondeu: "O direito!" "Bem, ficará o esquerdo para vos olhar e amar". "E se eu arrancar os dois?" "Ficará meu coração para vos olhar e amar". Tranformado, o hebreu caiu de joelhos e chorou, convertido. Eis a potência do amor de Jesus.


Não mais eu, mas Jesus


A Caridade fraterna mais alta e perfeita é aquela que nos faz amar o próximo com o mesmo coração de Jesus. "Tendes em vós os mesmos sentimentos de Cristo" (cf. Fp 2,5): É este o mandamento novo e sublime de Jesus: "Amai-vos como eu vos amei, porque disto reconhecerão que sois meus discípulos, se vos amar uns aos outros" (cf. Jo 13,35). A medida da perfeição do amor é dada pela identificação de amor com Jesus. A caridade mais alta, então, a tem só o Santo, porque só o ser transfigurado em Jesus pela potência do amor e da dor, só através da morte mística do eu chega-se à identificação de amor com Jesus que faz dizer S. Paulo: "Não sou mais quem vive, é Cristo quem vive em mim" (Gl 2,20). O Santo é aquele que ama loucamente Jesus e como Jesus. Ele sabe encontrá-lO, vê-lO, abraçá-lO, onde quer que Jesus esteja: Eucaristia, no Evangelho, no Papa, nos pobres e enfermos, miseráveis e rejeitados, com os quais Jesus se identificou (cf. Mt 25,31-45). Ama loucamente como Jesus e por isso sabe vender de si mesmo no mercado dos escravos em substituição de outros, como S. Paulino e S. Vicente de Paulo; expõe-se ao contágio de doenças como S. Luiz Gonzaga; enfrenta riscos e trabalhos incomensuráveis para ajudar os irmãos, como S. João Bosco pelos jovens e S. Francisca Xavier pelos emigrantes; sabe fechar-se em confessionários para curar e consolar almas à procura de Graça e Paz, como S. Cura d'Ars e Pe Pio. Quanta bondade e graça no coração dos santos!


A Imaculada: todo amor


Se os santos são maravilhosos, imagine Maria? Ela é Cheia de Graça, de Vida Divina, de Amor Trinitário. Criada incentíssima, Virgem puríssima sempre, Ela é semelhante a um cristal limpidíssimo que espelha luminosamente a Caridade de Deus. Ela chegou ao ponto de nos doar Jesus, seu Divino Filho e Infinito Tesouro do seu Coração, imitando perfeitamente a Deus Pai que tanto amou os homens a ponto de entregar Seu Filho à morte (cf. Jo 3,16). Ó Mãe Divina, como Te agradeceremos pela Tua Caridade sem limites? Que violência transpassou pela a tua alma, fizeste Teu coração de Mãe imolar Jesus pela nossa salvação? Mãe divina e doce, tua Caridade não pode ter iguais: é aos confins do infinito. Seja sempre bendita.


Peço de morrer


Quem ama de verdade a Mãe de Deus chega à semelhança com Ela e produz frutos maravilhosos de Graça e virtude, sobretudo no exercício da Caridade. S. Maximiliano tornou-se semelhante a Maria no sacrifício, tão louco era seu amor: imolar sua vida de sacerdote, apóstolo, fundador das cidades da Imaculada, pedindo de morrer em tenebroso bunker para salvar a vida de um pai de família. Soube escolher a morte atroz naquele subterrâneo de Auschwitz, mas o amor cresce gigante entre as dores gigantes. Ele, amando loucamente Maria, feito conforme seu filho (cf. Rm 8,29) na medida máxima do amor proclamado por Jesus: "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos" (cf. Jo 15,13).

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Por favor: não demonizem o Papai Noel.

Por Evelyn Mayer

Às vésperas do Natal observo que ainda há grupos que queiram tirar o Papai Noel de cena. Uns alegam que o Bom Velhinho tira a real sacralidade da festa; outros querem retirá-lo por sacralizá-la. Exageros pautados em puritanismos, preconceitos e falta de entendimento.

É verdade que o comércio aproveitou-se da imagem do Papai Noel para fazer desta época uma oportunidade de lucro. Também se utiliza do Coelhinho da Páscoa para o mesmo fim. Porém, precisamos analisar se realmente estes símbolos são assim tão "maus" que devam ser extintos.

São Nicolau
A ideia do Papai Noel, embora inspirada em S. Nicolau, é uma caricatura da história do santo, um santo tão querido do Ocidente e do Oriente. Reza a história que S. Nicolau era um homem rico, e que três moças da redondeza desejavam casar-se, mas não tinham dinheiro. Ao ouvir os lamúrios que faziam da janela, Nicolau depositou na noite de Natal uma bolsa cheia de moedas de ouro, o que permitiu às moças condições de conseguirem marido. Daí vem a "lenda" de colocarmos o sapatinho na janela. S. Nicolau também é lembrado por ser o protetor das crianças e auxiliador dos pobres.

Contudo, há uma onda de muitos puritanos em que falar do Papai Noel é retirar o verdadeiro sentido do Natal. Nada mais mentiroso. E explico o porquê.

Primeiro que todos sabem que o Natal só existe graças ao nascimento de Cristo, assim como a Páscoa só existe graças à Sua Ressurreição. Mesmo que o comércio fale sobremaneiramente dos símbolos, a essência destas festas sempre será cristã. O aniversariante é Cristo e cabe aos pais explicar sobre este real sentido. Não é o comércio quem estará preocupado com isso, porque são os pais  quem introduzem nos filhos os valores morais e éticos. A escola e a sociedade só trabalhará a partir do que a criança já tem. Não é dever deles ensinar, e sim, da família.

Cabe lembrar também que o Papai Noel é um símbolo cristão que influência a todos. A
bondade e a misericórdia estão presentes no Bom Velhinho, principalmente na assistência às crianças carentes que ficam radiantes com os presentes encontrados. Ele também nos lembra a vida abundante que Deus no dá, as alegrias que o Natal nos representa. Ele reflete as características da personalidade cristã. Sem contar que o uso desta imagem pode incitar nas crianças o desejo pela obediência.

Os símbolos sempre se fizeram presentes na fé católica. E o Natal está repleto deles: na guirlanda, na árvore, nos enfeites... Como isto pode ser excluído em nome de falácias que estes símbolos descontroem o nascimento de Cristo, se eles remontam, relembram, mencionam ao próprio Cristo?

O conceito de usar metáforas para dar uma moral é pedagógico e eficiente. Todas as fábulas têm em si um fundo moral. Se olharmos as origens dos contos de fadas e das fábulas, veremos que eles nasceram para os adultos. Com o tempo foram introduzidos para as crianças. Se estudarmos a origem dos contos e das fábulas, por ex., veremos que as histórias tratavam da realidade histórica e social da época. A primeira fábula que se tem notícia é a fábula do corpo e o estômago (Fábulas de Esopo). Em miúdos, o corpo resolveu rebelar-se contra o estômago, que nada fazia e ficava com a melhor parte: a comida. Porém, o corpo enfraqueceu. Então o corpo entendeu que o trabalho do estômago era diferente da do corpo. Assim voltou a comer. Sabem para quem esta fábula foi contada? Para escravos na Grécia, justificando seu trabalho para o Rei. Portanto as fábulas, todas elas, trazem um fundo moral, um sentido para a vida, para algo que se queira ensinar. O mesmo acontece com as fábulas chinesas, sempre cheias de moral e que se fazem presentes em filmes, livros...

Se pegarmos os clássicos literários, veremos que muito foi adaptado conforme a evolução histórica. A  entrada do Caçador, valorizando o papel do Camponês no conto de Chapéuzinho Vermelho, só foi introduzido pelos Irmãos Grimm. E por que? Porque as fábulas e os contos mostram a evolução moral que a sociedade teve, e muito graças à Igreja durante a Romanização. Portanto ficar demonizando as fábulas e os contos é ver chifre em cabeça de cavalo, além de ser uma atitude violenta invadir a inocência de uma criança por causa de uma cisma com o velhinho.

Jesus utilizava parábolas com seus discípulos e todas tinham o objetivo de ensinar algo. É verdade que as parábolas diferem-se das fábulas, pois elas partem de algo real para o sobrenatural, ao contrário das fábulas, que partem do fantasioso para o real. Contudo, ambas são associações, assimilações, metáforas que tem o objetivo de ensinar, de mostrar algo, de construir um pensamento, de filosofar.

A própria Bíblia se utiliza de metáforas e nem por isso a achamos mais ou menos sacra. O livro do Cântico dos Cânticos, por ex., é poesia repleta de metáforas que falam do amor esponsal de Deus por Sua Igreja. E se na fé existem símbolos e metáforas que nos auxiliam a associar o Divino, por que excluiríamos as fábulas para auxiliar no processo cognitivo, filosófico e formador da criança? Por puro puritanismo? Por favor!!!


Deixem o Bom Velhinho em paz. Chega de santanizá-lo por nada!

sábado, 7 de dezembro de 2013

O ignorado Natal.


Por Evelyn Mayer

Às vésperas de uma das festas mais importantes e solenes da Sagrada Liturgia, o Natal vem sendo ignorado ano após ano.

Dia desses eu ia em um ônibus a um lugar e não pude deixar de ouvir a conversa de duas moças:

- Pois é, menina! Chegou o Natal!
- Ah, eu nem ligo muito pro Natal. Eu gosto mais é do Ano Novo.
- Já eu não ligo pra nenhum e nem outro.
- É mesmo? Ah, eu não dou bola pro Natal porque não tem nada pra fazer neste dia. No ano novo a gente se agita mais.
- É, tem razão...
- Vou descer no próximo ponto. Tchau. Fica com Deus.
- Vai com Ele. Deus abençoe.

Confesso que fiquei intrigada. A primeira coisa que me veio à mente é: como alguém que não dá a mínima para o Natal roga a Deus que abençoe alguém?

Não cabe a mim julgar a atitude de ninguém, mas posso refletir sobre. Creio que a maioria das pessoas que se admitem cristãs não sabem o que, de fato, seja o cristianismo. Conferem-no apenas um sentido supersticioso e determinante, algo como "eu peço a Deus e Ele me faz porque me ama. Amém". Mal sabem estes cristãos que Jesus quis vir ao mundo para salvar a cada homem que existe, existiu e existirá.

Ao vir ao mundo, Jesus quis fazer uma nova aliança com o povo de Deus. Quis vir ao mundo pelo seio de uma Virgem. Desejou esta Virgem em Seu Coração desde toda a eternidade. Escolheu-a com total dignidade. Criou-a para uma única missão: ser Sua mãe. Sendo assim, se cremos que Deus é Onipotente e Onisciente, sabemos que Ele, ao criar Maria, já sabia o que dela esperar. Logo, é inaceitável e perigoso à fé pensar que Maria poderia ter dito não. Apesar de ela ter sido livre, Deus já a havia criado para este maravilhoso fim: gerar o filho de Deus. Maria foi porta do céu para o mundo. A porta da graça.

Contudo, quantos cristãos entendem isto? Muitos nem acolhem Maria como mãe. Ignoram o amor incondicional de Jesus por Sua Mãe como se Ele fosse um machista ou um filho muito mal educado. Confundem amor com adoração ou idolatria porque desconhecem a profundidade desta realidade divina: Cristo se fez um no seio de Maria, e ela a Ele se submeteu como escrava. Humanamente falando é impossível entender. Apenas com a graça e os olhos da fé.

Gerado no seio da Virgem, Jesus passou pelo mesmo processo que todos nós passamos. Foi um embrião, depois um feto, um bebê. Quando formado, nasceu. Foi amamentado, recebeu os primeiros alimentos, aprendeu a engatinhar, andar, falar. Recebeu a educação judaica. Observou os bons exemplos de seus pais terrenos. Formou-se marceneiro por influência de São José. Sua mãe foi Sua companhia até a cruz.

Refletir sobre a vida de Jesus desta forma faz com que reflitamos sobre a urgência de
resgatar o sentido do Natal. Apesar de apreciarmos a imagem do Papai Noel, desconhecemos que este bom velhinho se origina de um Santo bispo Católico chamado Nicolau, por exemplo. Porém, mais do que esquecermos de São Nicolau, nos esquecemos do aniversariante deste dia: O próprio Cristo Jesus. Ele, que quis vir ao mundo para nos salvar, é rejeitado e ignorado. Continua, assim como em Sua época, a não ter um lar para nascer. Talvez hoje não lhe sobre nem uma manjedoura. Apenas corações empedernidos, esquecidos da riqueza espiritual que esta data nos traz.

Independente se foi ou não o dia em que Jesus nasceu - e isto realmente não é o mais importante, afinal, Ele NASCEU! Isso é o que realmente importa - deveríamos neste dia 25 lembrarmos que a nossa história mudou no dia que Nosso Senhor Jesus Cristo nasceu. Sua vinda transformou a nossa vida. Seu nascimento mudou todo o rumo da humanidade. Sua morte erradicou nossa desgraça. Sua ressureição trouxe-nos a esperança perdida com o pecado original.

Se o Natal hoje perdeu o seu sentido, não é apenas porque deixamos elencarem esta data para um grande boom comercial, e sim, porque passamos a vê-lo como uma data "que não se tem o que fazer". E como há! É o dia em que devemos comemorar como se fosse o nosso aniversário. É o dia em que devemos louvar a Deus por Seu amor incondicional que trouxe ao mundo o Verbo Divino. É o dia em que devemos mostrar gratidão suprema ao Único Digno de todo louvor e glória.

Peçamos a Deus que não caiamos no marasmo. Que ano após ano possamos nos alegrar com esta data mais do que em qualquer outra.

São Nicolau, rogai por nós.

Um Santo e feliz Natal a todos.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A importância da modéstia.

Às vezes a gente usa de forma errada a palavra modéstia. Geralmente a usamos para dizer que a pessoa que se gaba conosco não é humilde. Você mesmo já deve ter dito a alguém que se gabou: "hmmm, quanta modéstia, hein?". Pois é. A modéstia não tem nada a ver com gabar-se, mas com postura, delicadeza, humildade. Para mim, humildade e modéstia chegam a ser sinônimos.


Ser modesto é ser comedido. A uma mulher, por exemplo, a modéstia deve estar no vestir, no falar, no pensar... E isto também vale ao homem. Porém, note: ser modesto, ou seja, comedido, não tem nada a ver com ser puritano. O puritanismo não é sinônimo de modéstia, mas antônimo. Porque no puritanismo não tem espaço para a adequação, ou seja, para aplicar a moral conforme a realidade. Um exemplo disto é que hoje os homens não precisam usar saias até os joelhos como na época de Jesus, nem as mulheres precisam cobrir a cabeça - pelo menos não na nossa civilização ocidental. Claro que isso não nos libera para pôr uma blusa tomara-que-caia (que ao final do dia vira "tomara-que-segure"), nem uma micro saia. Mas podemos pôr uma blusa justa que, dependendo da situação e do molde, fique mais modesta se fosse larga. Também aos homens, não fica bem pôr uma calça mega apertada, e em alguns casos, a camiseta pode ficar mais modesta que uma camisa apertadinha. Então, do que irá depender? Da situação. E quem irá nos ajudar com isso? A moral.


Enfim. O que nos ajuda a ser modestos é a forma como aplicamos a modéstia. E quem nos ajuda com isso é a Moral. Eu não posso me olhar no espelho e dizer: "Quero sair para que os homens me olhem de cima a baixo". Se eu for assim, não serei modesta, mas Imodesta. Até porque, a nossa roupa fala muito da gente e ela mesmo nos diz como estamos e quem somos. Se eu sair na rua com um micro vestido, certamente quem me olhar não achará que sou uma mulher de família, mãe, concluinte do curso de Letras, professora, católica... Agora, se eu me vestir como alguém que se respeita, ou seja, sem a intenção de que olhem para as minhas curvas, mas para o meu ser, a minha essência, obviamente eu estarei dando testemunho através do meu vestir. Aliás, que falta faz hoje às pessoas observarem o sorriso do outro, né? Com estas roupas minúsculas que a moda cria, já não sabemos nem mais a cor dos olhos dos nossos amigos...

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O que as pessoas pensam sobre nós também é importante.

Por Evelyn Mayer.

Reza a história que um dia um dos discípulos de São Francisco
pediu para ir até a aldeia com o nobre santo para evangelizar.
Preparou-se no dia anterior com jejuns e orações.
Ao chegarem na aldeia, ficou aguardando o momento
em que iriam evangelizar. Porém, não disseram nada; apenas caminharam
diante dos aldeiantes. Injuriado, o discípulo perguntou por que não
haviam dito coisa alguma. Não esperava tal resposta:
"Devemos falar só quando for necessário. Antes, evangelizemos
com o nosso testemunho, pois é este quem arrasta".


Dias desses uma amiga me disse que não ligava muito para o que as pessoas pensavam sobre ela. "Ah, dane-se sobre o que pensam ou deixam de pensar sobre mim. O que importa é o que eu penso sobre mim mesma".  A princípio parece autoconfiança, mas depois nota-se que nada mais é que um orgulho tremendo, além de autosuficiência. Temos consciência suficiente para sabermos que não nos conhecemos plenamente. Então por que agirmos desta forma quando alguém diz o que pensa sobre nós?

Não preciso dizer que todos nós temos o desejo de esconder o que somos até de nós mesmos. Tentamos, inclusive, esconder até de Deus, mas como Ele tudo sonda (Cf. Sal 138), de nada adiante nosso vão esforço.

Se você for sincero consigo, saberá que todos sempre procuram uma máscara para vestir. Ninguém, por mais que se esforce, é 100% autêntico. Todos sobre a face da Terra tem vergonha de algo, não quer que alguém saiba disso ou aquilo, e então se maquia, veste a máscara que bem quiser e posa de bom-moço, boa-praça...

É natural que façamos isso. A decorrência deste fato nasce do nosso pecado. Quando lemos nos primeiros capítulos de Gênesis vemos que, ao pecarem, Adão e Eva cobriram-se, pois viram-se nus. Essa nudez não é apenas corporal, mas sobretudo de espírito. Eles viram o que realmente eram. Eles perceberam que eram pó. O ato de cobrirem-se não foi por humildade, e sim, vergonha. Sentiram-se descobertos, ou seja, foram revelados sem que tivessem permitido (é verdade que desejaram livremente o fruto proibido, porém quando digo "sem que tivessem permitido", quero dizer que não haviam autorizado tal revelação, já que não haviam pensado nesta hipótese).

A partir de Adão e Eva continuamos a repetir este "cobrir-se", "mascarar-se". Prosseguimos imitando-os com a diferença de que sabemos o que pode ocorrer caso "comamos do fruto proibido".

Como continuamos nos mascarando, queremos crer na pessoa que vemos em nossa imaginação e não a que vemos no espelho. Logo, é natural que o que os outros pensam a nosso respeito não nos interessa, porque eles veem o que somos e não o que gostaríamos que vissem. Um exemplo disso é quando alguém chega e diz em nossa cara tudo o que passamos a vida inteira escondendo. A primeira coisa que fazemos, movidos pela ira, é negar. Negamos até o último instante. Contudo, lá no fundo, o que verdadeiramente sentimos é vergonha de termos sidos descobertos. Sabíamos que aquilo não era bom, mas insistíamos em escondê-lo até o dia em que fomos revelados. E a revelação dói porque não nos preparamos para ela, e sim, para ocultá-la até o fim. Outro exemplo disso é quando alguém está se envolvendo com alguma pessoa que não vale a pena. Todos instruem-na a se distanciar; no entanto, ela insiste. Não é só porque a pessoa "se faz de cega" que não se afasta enquanto for revelada, descoberta toda a verdade, e sim porque esta pessoa insiste em enxergar o que quer ver, e não o que é. Estes dois exemplos mostram o quão orgulhosos e sentimentalistas somos.

O intuito deste texto é dizer que o que as pessoas pensam sobre nós também é importante, principalmente se aspiramos a santidade. É verdade que nem tudo o que pensam o é. Já ouvi pessoas dizendo que sou uma feminista disfarçada, quando luto ardentemente contra este mal. É preciso "peneirar" tudo o que pensam e falam sobre nós. Não podemos seguir nossa vida apenas sobre o que pensam ou dizem sobre nós. Até porquê muitas pessoas dizem e pensam embasadas em seu egoísmo, enxergam em nós a vida que desejariam ter, a personalidade que queriam ser, e movidas pela inveja, cravejam palavras vãs. Contudo, muitas outras coisas que se falam e pensam sobre nós refletem aquilo que achamos que encobrimos, quando na verdade estão mais expostos que mulher pelada em revista pornográfica.


Façamos o exercício de extinguir o egoísmo, a vaidade e o orgulho que há em nós e nos esforcemos por exercitar o dom da humildade. Antes de se autodefender de ataques e palavras torpes, humilhe-se e reflita sobre o que as pessoas dizem ou pensam sobre você. Analise se o que elas dizem não tem lá um fundo de verdade. Questione se você é o único que se esforça em esconder o que não é assim tão necessário. E lembre-se que há muitas pessoas que se espelham em nós. Se não vigiarmos nossa conduta, poderemos perder muitas almas. E Deus nos pedirá conta de cada uma delas.