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sábado, 3 de janeiro de 2015

Por que Deus permite que haja heresias na Igreja?


Por Igson Mendes

Porém, alguém dirá: por que Deus permite que, com tanta frequência, pessoas insignes da Igreja defendam doutrinas novas entre os católicos? A pergunta é legitima e merece uma resposta ampla e detalhada. Responderei baseando-me não em minha capacidade pessoal, mas na autoridade da Lei Divina e no ensino do Magistério eclesiástico. Ouçamos, pois, a Moisés, que ele nos diga porque Deus por vezes permite que homens doutos, inclusive chamados profetas pelo Apóstolo por causa de sua ciência, ensinem novos dogmas que o Antigo Testamento chama, em seu estilo alegórico, “divindades estrangeiras”, posto que, de fato, os hereges veneram suas próprias opiniões tanto como os pagãos os seus deuses.

Moisés descreve: ”Se se levantar no meio de ti um profeta, ou alguém que diga que teve um sonho” - quer dizer, um mestre constituído na Igreja, cujo ensino seus discípulos e ou vintes julgam provir de alguma revelação - “e predisser algum sinal ou prodígio, e suceder o que anunciou...”. Realmente não conheço nenhum mestre que não tenha sido chamado grandioso e de tão grande ciência que não só tenha dado a conhecer os seguidores aquelas coisas que estão ao alcance do conhecimento humano, mas que também não tenham podido mostrar que conheciam de antemão coisas que superam o entendimento humano; ora, quase todos os discípulos afirmaram que assim foram Valentino, Donato, Fotino, Apolinário e os demais inovadores como estes. E como segue Moisés? “e te disser: vamos, sigamos os deuses estranhos, que não conheces, e sirvamo-los”. Que são estes outros deuses senão as doutrinas errôneas e estranhas que ignoravas, quer dizer, novas e inauditas?

E “sirvamo-los”, ou seja, creiamos neles e sigamo-los. Pois bem, que é o que diz Moisés neste caso? Não ouvirás a palavra de tal profeta ou sonhador. Contudo, eu ponho a seguinte questão: Por que Deus não impede que se ensine o que Ele proíbe que se escute? Responde Moisés: ”Porque o Senhor vosso Deus vos põe à prova, para se tornar manifesto se o amais ou não de todo o vosso coração e de toda a vossa alma.”

Assim, pois estão mais claro que a luz do sol o motivo pelo qual de vez em quando a Providência de Deus permite mestres na Igreja que preguem novos dogmas: ”Porque o Senhor vosso Deus vos põe à prova”. E certamente que é uma grande prova ver um homem tido por profeta, por discípulo dos profetas, doutor e testemunho da verdade, um homem sumamente amado e respeitado, que de repente se põe a introduzir a escondidas erros perniciosos. Ainda mais quando não há possibilidade de se descobrir imediatamente esse erro, visto que toma as pessoas de surpresa, já que se tem de tal homem um juízo favorável por causa de seus ensinamentos anteriores, e se resiste a condenar ao antigo mestre ao qual nos sentimentos ligados pelo afeto.


De Lerins, São Vicente. Comonitório – Regras pra conhecer a fé verdadeira. Niterói: Permanência, 2009.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A perfeição cristã a partir da vida espiritual. (Parte 1)


Autor Ivanildo Oliveira
Revisor Igson Mendes da Silva

Estarei repassando de forma dinâmica (Perguntas e Respostas) uma síntese a respeito da obra de Santiago Judermans que nos mostra a respeito do tema proposto de modo simples e objetivo, contribuindo em alguns momentos oportunos para o melhor entendimento do leitor de maneira que, cada um possa tomar tais conhecimentos para si e posteriormente ao seu exercícios também multiplicá-los.

O que é Ascética?

É a ciência da vida espiritual que ensina a chegar ao pleno desenvolvimento da vida espiritual, é a ciência que trata da vida cristã. É eminentemente a prática que ensina o exercício e a prática das virtudes.

O que é Vida Espiritual?

Significa vida sobrenatural, distinta da vida natural e superior a ela. É infundida na alma pelo Batismo.

Desta forma o batismo também ganha o âmbito de renascimento, ou seja, infundi no ser humano uma participação na vida divina da Trindade.

Não basta a vida natural?

Para santifica-se e, consequentemente, salvar-se não basta a vida natural, porque a salvação e santificação são obras superiores às forças naturais dos homens. A vida sobrenatural é chamada de vida da graça, alcança o completo e o definitivo desenvolvimento na glória do céu.

Fazendo uma analogia podemos dizer que a vida da graça tem para salvação eterna a mesma função das sementes para as plantas.

Que é Graça Santificante?

É um dom sobrenatural e gratuito que o Espírito Santo Infunde nas Almas, para fazer-nos justos e santos, filhos de Deus e herdeiros da glória celeste. É um dom divino que compenetra e santifica a alma, apagando a mancha do pecado e comunicando uma dignidade sobre-humana.

Como se reconhece a vida da Graça na Alma?

Por meio das virtudes infusas, especialmente a fé, a esperança e a caridade. A graça santificante eleva as virtudes naturais, fazendo que se tornem sobrenaturais e meritórias para vida eterna.

Em que consiste a Perfeição Cristã?

Consiste no pleno desenvolvimento da vida espiritual, isto é no desenvolvimento das virtudes infusas, e em sua prática constante e fervorosa.

Por que devemos buscar a Perfeição?

Pela grandeza e beleza desta missão, que é a maior e mais excelsa de todas que o homem pode realizar; Também por causa da consoladora segurança da salvação; E principalmente por causa do amor a Deus.

Quais os principais meios de Perfeição?

Segundo os grandes mestres espirituais: vontade e decisão, direção espiritual, oração, meditação, leitura espiritual, exercício da presença de Deus, exame de consciência, frequência dos sacramentos.

Quais são os graus de Perfeição?

Santo Tomás de Aquino compara a vida espiritual com na vida natural, como na vida natural há três idades: infância juventude e maturidade, assim também há três idades na vida espiritual: via purgativa, via iluminativa e via unitiva.

No primeiro Grau, via Purgativa, a alma ainda se encontra dividida entre Deus e os falsos atrativos; as paixões são vivas e impetuosas; a prática da virtude é penosa. A principal tarefa neste estágio é remover os obstáculos da caridade, que são as paixões desordenadas. Mortificando as paixões, se purifica o coração.

No segundo grau, via iluminativa, as paixões já estão mais acalmadas e submetidas ao império da razão, as virtudes são praticadas com mais facilidade, o perigo de cair em pecado mortal é menor e mesmo o pecado venial é evitado com mais frequência. A alma se encontra mais iluminada a respeito de Deus e dos deveres cristãos.

No terceiro graus, via unitiva, é o estágio dos perfeitos, as paixões estão dominadas deixando de ser obstáculo para prática da caridade. Praticam-se as virtudes todas com facilidade notável. Os pecados são evitados e busca-se eliminar-se as menores imperfeições. A união com Deus se torna cada vez mais intensa e contínua.

Estaremos trabalhando para lançar o próximo volume o mais breve possível, dando continuidade a esta obra magnífica que contrasta com nossas necessidades espirituais de forma tão simples e objetiva.


Fonte: JUDERMANS, Santiago. Catecismo da Perfeição Cristã. Editora: Ecclesiae, Campinas 2010

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

A perfeição cristã a partir da vida espiritual.


Por Ivanildo Oliveira.
Revisão: Igson Mendes da Silva

            Estarei repassando de forma dinâmica (Perguntas e Respostas) uma síntese a respeito da obra de Santiago Judermans que nos mostra a respeito do tema proposto de modo simples e objetivo, contribuindo em alguns momentos oportunos para o melhor entendimento do leitor de maneira que, cada um possa tomar tais conhecimentos para si e posteriormente ao seu exercícios também multiplica-los.

O que é Ascética?

É a ciência da vida espiritual que ensina a chegar ao pleno desenvolvimento da vida espiritual, é a ciência que trata da vida cristã. É eminentemente a prática que ensina o exercício e a prática das virtudes.

O que é Vida Espiritual?

            Significa vida sobrenatural, distinta da vida natural e superior a ela. É infundida na alma pelo Batismo.

Desta forma o batismo também ganha o âmbito de renascimento, ou seja, infundi no ser humano uma participação na vida divina da Trindade.

Não basta a vida natural?

            Para santifica-se e, consequentemente, salvar-se não basta a vida natural, porque a salvação e santificação são obras superiores às forças naturais dos homens. A vida sobrenatural é chamada de vida da graça, alcança o completo e o definitivo desenvolvimento na glória do céu.

            Fazendo uma analogia podemos dizer que a vida da graça tem para salvação eterna a mesma função das sementes para as plantas.

Que é Graça Santificante?

            É um dom sobrenatural e gratuito que o Espírito Santo Infunde nas Almas, para fazer-nos justos e santos, filhos de Deus e herdeiros da glória celeste. É um dom divino que compenetra e santifica a alma, apagando a mancha do pecado e comunicando uma dignidade sobre-humana.

Como se reconhece a vida da Graça na Alma?

            Por meio das virtudes infusas, especialmente a fé, a esperança e a caridade. A graça santificante eleva as virtudes naturais, fazendo que se tornem sobrenaturais e meritórias para vida eterna.

Em que consiste a Perfeição Cristã?

            Consiste no pleno desenvolvimento da vida espiritual, isto é no desenvolvimento das virtudes infusas, e em sua prática constante e fervorosa.

Por que devemos buscar a Perfeição?

            Pela grandeza e beleza desta missão, que é a maior e mais excelsa de todas que o homem pode realizar; Também por causa da consoladora segurança da salvação; E principalmente por causa do amor a Deus.

Quais os principais meios de Perfeição?

            Segundo os grandes mestres espirituais: vontade e decisão, direção espiritual, oração, meditação, leitura espiritual, exercício da presença de Deus, exame de consciência, frequência dos sacramentos.

Quais são os graus de Perfeição?

            Santo Tomás de Aquino compara a vida espiritual com na vida natural, como na vida natural há três idades: infância juventude e maturidade, assim também há três idades na vida espiritual: via purgativa, via iluminativa e via unitiva.

No primeiro Grau, via Purgativa, a alma ainda se encontra dividida entre Deus e os falsos atrativos; as paixões são vivas e impetuosas; a prática da virtude é penosa. A principal tarefa neste estágio é remover os obstáculos da caridade, que são as paixões desordenadas. Mortificando as paixões, se purifica o coração.

No segundo grau, via iluminativa, as paixões já estão mais acalmadas e submetidas ao império da razão, as virtudes são praticadas com mais facilidade, o perigo de cair em pecado mortal é menor e mesmo o pecado venial é evitado com mais frequência. A alma se encontra mais iluminada a respeito de Deus e dos deveres cristãos.

No terceiro graus, via unitiva, é o estágio dos perfeitos, as paixões estão dominadas deixando de ser obstáculo para prática da caridade. Praticam-se as virtudes todas com facilidade notável. Os pecados são evitados e busca-se eliminar-se as menores imperfeições. A união com Deus se torna cada vez mais intensa e contínua.


Estaremos trabalhando para lançar o próximo volume o mais breve possível, dando continuidade a esta obra magnífica que contrasta com nossas necessidades espirituais de forma tão simples e objetiva.

terça-feira, 29 de julho de 2014

A perfeição cristã a partir da vida espiritual.


Autor: Ivanildo Oliveira.
Revisão: Igson Mendes da Silva

Estarei repassando de forma dinâmica (Perguntas e Respostas) uma síntese a respeito da obra de Santiago Judermans que nos mostra a respeito do tema proposto de modo simples e objetivo, contribuindo em alguns momentos oportunos para o melhor entendimento do leitor de maneira que, cada um possa tomar tais conhecimentos para si e posteriormente ao seu exercícios também multiplica-los.

O que é Ascética?

É a ciência da vida espiritual que ensina a chegar ao pleno desenvolvimento da vida espiritual, é a ciência que trata da vida cristã. É eminentemente a prática que ensina o exercício e a prática das virtudes.

O que é Vida Espiritual?

Significa vida sobrenatural, distinta da vida natural e superior a ela. É infundida na alma pelo Batismo.

Desta forma o batismo também ganha o âmbito de renascimento, ou seja, infundi no ser humano uma participação na vida divina da Trindade.

Não basta a vida natural?

Para santifica-se e, consequentemente, salvar-se não basta a vida natural, porque a salvação e santificação são obras superiores às forças naturais dos homens. A vida sobrenatural é chamada de vida da graça, alcança o completo e o definitivo desenvolvimento na glória do céu.

Fazendo uma analogia podemos dizer que a vida da graça tem para salvação eterna a mesma função das sementes para as plantas.

Que é Graça Santificante?

É um dom sobrenatural e gratuito que o Espírito Santo Infunde nas Almas, para fazer-nos justos e santos, filhos de Deus e herdeiros da glória celeste. É um dom divino que compenetra e santifica a alma, apagando a mancha do pecado e comunicando uma dignidade sobre-humana.

Como se reconhece a vida da Graça na Alma?

Por meio das virtudes infusas, especialmente a fé, a esperança e a caridade. A graça santificante eleva as virtudes naturais, fazendo que se tornem sobrenaturais e meritórias para vida eterna.

Em que consiste a Perfeição Cristã?

Consiste no pleno desenvolvimento da vida espiritual, isto é no desenvolvimento das virtudes infusas, e em sua prática constante e fervorosa.

Por que devemos buscar a Perfeição?

Pela grandeza e beleza desta missão, que é a maior e mais excelsa de todas que o homem pode realizar; Também por causa da consoladora segurança da salvação; E principalmente por causa do amor a Deus.

Quais os principais meios de Perfeição?

Segundo os grandes mestres espirituais: vontade e decisão, direção espiritual, oração, meditação, leitura espiritual, exercício da presença de Deus, exame de consciência, frequência dos sacramentos.

Quais são os graus de Perfeição?

Santo Tomás de Aquino compara a vida espiritual com na vida natural, como na vida natural há três idades: infância juventude e maturidade, assim também há três idades na vida espiritual: via purgativa, via iluminativa e via unitiva.

No primeiro Grau, via Purgativa, a alma ainda se encontra dividida entre Deus e os falsos atrativos; as paixões são vivas e impetuosas; a prática da virtude é penosa. A principal tarefa neste estágio é remover os obstáculos da caridade, que são as paixões desordenadas. Mortificando as paixões, se purifica o coração.

No segundo grau, via iluminativa, as paixões já estão mais acalmadas e submetidas ao império da razão, as virtudes são praticadas com mais facilidade, o perigo de cair em pecado mortal é menor e mesmo o pecado venial é evitado com mais frequência. A alma se encontra mais iluminada a respeito de Deus e dos deveres cristãos.


No terceiro graus, via unitiva, é o estágio dos perfeitos, as paixões estão dominadas deixando de ser obstáculo para prática da caridade. Praticam-se as virtudes todas com facilidade notável. Os pecados são evitados e busca-se eliminar-se as menores imperfeições. A união com Deus se torna cada vez mais intensa e contínua.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Paradoxos sobre São Lázaro - Parte I

Por Igson Mendes (revisor) e Cláudio Cássio da Mata  (Autor)

“É proibido aos sacerdotes católicos
concelebrar a Eucaristia junto com
sacerdotes ou ministros de Igrejas
ou comunidades  que não estão em
plena comunhão com a Igreja católica.”
(CDC[1]. Cân. 908)

PARTE I

Sincretismo Religioso e Imagens
A história da vida de Lázaro foi mal contada e há até fábulas no meio dela.

Exemplo: No site[2] < http://www.saolazaro.org.br  > se conta a história do milagroso são Lázaro, mas, refletindo bem, o próprio Lázaro foi quem recebeu o maior milagre. A história tem coerência, porém a imagem usada ainda é outra parecida com o Lázaro da parábola, rodeada de cachorros. Outro erro é o fato de afirmarem que Lázaro teria vivido após sua ressurreição em Kition, Lanarka. A Bíblia afirma que os príncipes dos sacerdotes teriam atentado contra sua segunda vida pouco tempo depois de sua ressurreição,[3] em virtude de muitos judeus por causa dele passarem a acreditar em Jesus. O uso desse tipo de imagem errônea, que gera confusão no povo seria proposital, falta de conhecimento, ou mesmo pela falta de uma imagem mais autêntica em relação ao santo?

Minhas respostas são as seguintes:
Se proposital – os bispos e os sacerdores, como responsáveis pela educação da fé, magistério docente da Igreja, deveriam responder por falsa piedade ou mesmo exigir a que a verdade seja pregada como tal.

Vejamos o que nos ensina o CIC:

·         O falso testemunho e o falso juramento, além de atentarem contra a verdade e a dignidade humana, são considerados crimes, quando se tornam abusos na sociedade. (cf. CIC[4] 2476)
·         “A mentira é a ofensa mais direta à verdade. Mentir é falar ou agir contra a verdade para induzir em erro (...) A caridade e o respeito à verdade devem ditar a resposta a todo pedido de informação ou de comunicação.” (CIC 2485.2489)

O Código de Direito canônico também ensina:

·         Cân.1187 – Só é lícito venerar, mediante culto público, aqueles servos de Deus que foram inscritos pela autoridade da Igreja no catálogo dos Santos ou dos Beatos.

Se por falta de conhecimento – é necessário catequizar o povo com a verdade. Pregar nas homilias o correto na época das festas, conscientizar o católico que vai a Missa. E amadurecer a formação dos fiéis. Não fingir a verdade em prol de glórias efêmeras ou lucros.

“A caridade na verdade, que Jesus Cristo testemunhou com a sua vida terrena e, sobretudo com a sua morte e ressurreição, é a força propulsora principal para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira.”[5]

Se por falta de uma imagem autêntica – É dever e direito da comunidade pedir a ereção de uma imagem original quanto à vida do Santo. Observemos o que nos ensina o CDC:

·     Cân.1188 – Mantenha-se a praxe de propor imagens sagradas nas igrejas, para a veneração dos fiéis; entretanto, sejam expostas em número moderado e na devida ordem, a fim de que não se desperte a admiração no povo cristão, nem se dê motivo a uma devoção menos correta.

IMAGENS DE SANTOS

As imagens são sinais bonitos para lembrar-nos aonde e em quem Deus agiu de forma especial, é para nos apontar por onde o homem ou a mulher que buscou a santidade seguiu. Imagens são sinais! E o uso errado delas pode gerar muita confusão. Tantas vezes, em algumas Igrejas Católicas, quando Jesus Eucarístico está exposto, há muitos fiéis prostrados diante de imagens enquanto o Senhor Jesus, Santo dos santos, está ali ao lado sem ao menos receber o devido culto. Porque as autoridades competentes não ensinam ou exortam o povo?  É necessário expor a verdade diante de tais fatos.

Observemos o que nos ensina Bento XVI: “- Um cristianismo de caridade sem verdade pode ser facilmente confundido com uma reserva de bons sentimentos, úteis para a convivência social, mas marginais. Deste modo, deixaria de haver verdadeira e propriamente lugar para Deus no mundo. Sem a verdade, a caridade acaba confinada num âmbito restrito e carecido de relações; fica excluída dos projetos e processos de construção de um desenvolvimento humano de alcance universal, no diálogo entre o saber e a realização prática.”[6]

Por vezes, somos ridicularizados como aconteceu em um site: < http://feijaocomnutella.wordpress.com/2008/07/31/ritual-bom-pra-cachorro >, onde há até a foto de um cachorro armado na festa do Lázaro, Nicarágua. E por aqui não é muito diferente. Pesquisem e observem:

Desde os primeiros séculos os cristãos já esculpiam imagens nas catacumbas e nas Igrejas de Roma, mas jamais para adorá-las e sim venerá-las. Foi somente a encarnação do Filho que inaugurou uma nova “economia” das imagens. (Cat. §1159) A Tradição cristã sempre reconheceu o valor pedagógico e psicológico das imagens como suportes para a vida de oração. Assim, os simples e iletrados podiam aprender com mais devoção nos primeiros séculos cristãos.

O culto que a Igreja Católica presta a Deus é único, e é chamado “latria”, isto é, de ADORAÇÃO. Aos anjos e santos chama-se “dulia”, de Veneração. Já Maria, mãe de Jesus, recebe o culto de “hiper-dulia”, de super-venezação, no entanto ainda muito longe da Adoração.

O professor Felipe Aquino[1],dá excelente ensinamento sobre as Imagens desejáveis, desaconselhadas e condenadas pela Igreja no livro a Moral Católica. A Igreja não quer, entretanto, que haja abusos ou exageros em relação as imagens; e também quer que elas sejam confeccionadas de maneira adequada. Aqui faço um breve resumo:

São desejáveis:

- imagens que eduquem a fé ; que levem em conta as reações das crianças e não as dos adultos; que sejam feitas com boa estética; que não desviem do essencial (sem pormenores inúteis); que não tenham exageros.

São desaconselhadas:

- imagens que não suscitem sentimentos de fé e de piedade, com muito expressionismo. (Ex: semblantes de boneca, ideias que remetam homens afeminados. Etc.);

São condenadas:

- imagens que transmitam falsa noção de realidade; que apresentem aspectos muito sentimentais; que contribuam para ridicularizar algum personagem sagrado, algum mistério da fé ou os ritos da Liturgia.

O Sincretismo permitido e até incentivado dentro das Igrejas.

OMULÚ (ABALUAÊ, XAPANÃ) - SÃO LAZARO[2]

O núcleo umbandista de São Sebastião ensina que Omulú, Abaluaê e Xapanã são nomes do mesmo Orixá, alguns, no entanto, os separam alegando serem Orixás diferentes. No  terreiro os três nomes são adotados sendo Omulú o mais ouvido.  O sincretismo com São Lázaro é porque entre a maioria dos católicos, a imagem do santo mostra-o de muletas com cães lambendo-lhe as chagas espalhadas pelo corpo todo. Os africanos acreditam que Omulú ou Abaluaê, é o protetor contra as doenças e contra a peste e que seu corpo é coberto com uma roupa de palha que lhe esconde as feridas. Daí a sua ligação com os cemitérios, onde se reza pelas almas, bem como, nos cruzeiros em geral, tais como, os encontrados nas estradas, nos cemitérios e nas igrejas. Desta forma São Lázaro é um Santo que protege e é também uma das portas que se abrem para desmanchar magias maléficas. Por isso muitos devotos pedem a ele a cura de vícios.
A imagem do santo mostra-o de muletas com um cão lambendo-lhe as chagas espalhadas pelo corpo todo. Os nossos irmãos africanos nos ensinaram que Omulú é o protetor contra as doenças e contra a peste, que seu corpo é coberto com uma roupa de palha que lhe esconde as feridas, por esse motivo o sincretismo com São Lázaro ocorreu. Outros o sincretizam a São Roque e outros a São Cipriano. A Omulú recorrem todos que sofrem de moléstias tidas como incuráveis, o que lhe vale a fama de médico dos miseráveis.

Registro Histórico no Brasil

O mais antigo documento histórico que fala sobre a existência da Capela de São Lázaro, no Brasil, é de 12 de outubro de 1737. O local onde esta a Capela chamado "Lazareto", ficando longe do centro da capital baiana, era destinado às pessoas afetadas pelas doenças contagiosas e aos doentes-escravos trazidos da África. Para a manutenção do hospital e da Igreja o rei do Portugal, D. José, instituiu o "Real de São Lázaro". Segundo o antigo documento de 1737 os bens de São Lázaro "não podiam ser vendidos, doados ou trocados".

Orixá ligado às linhas de Oxalá e Africana, Omulú e seus seguidores encaminham as almas dos recém-falecidos ao mundo espiritual e deles absorve os fluídos e miasmas que exalam de um cadáver. Daí a sua ligação com os cemitérios, aonde se condensam as vibrações desse gênero. Quando evocado nos terreiros, a evocação é sempre feita pelos guias, como os Caboclos e os Pretos Velhos, sendo que muitos Pretos Velhos trabalham na vibração de Omulú. Suas cores são o branco e o preto, o branco simboliza o sentido da pureza espiritual dedicado a Oxalá e nas contas negras está representada a ausência da vida. A Umbanda afirma que Omulú não deve ser encarado como algo assustador, para enganar as pessoas. Omulú e seus enviados são atuantes nos cemitérios e impedem o mau uso das energias e fluídos lá depositados, através dos cadáveres sepultados, dispersando na atmosfera esses fluídos e energias que poderiam ser usados por espíritos malignos em seus hediondos trabalhos de baixa magia. Na África ele é considerado o protetor contra a peste, contra a varíola e outras doenças contagiosas. Nas obrigações a Omulú são normalmente usadas velas brancas ou brancas e pretas, cravos brancos ou outra flor branca masculina, água pura ou vinho branco doce.

No Candomblé, é usada em descarrego de pessoas doentes, a pipoca preparada em azeite de dendê (sem sal). Na Umbanda é raro esse tipo de descarrego, porém, ocorre em alguns templos.

Assim, nos orienta a Palavra de Deus em defesa a essas barbaridades:

 “A manifestação do ímpio será acompanhada, graças ao poder de Satanás, de toda a sorte de portentos, sinais e prodígios enganadores. Ele usará de todas as seduções do mal com aqueles que se perdem, por não terem cultivado o amor à verdade que os teria podido salvar.” (II Tes 2,9s)


[1]
                Aquino, Felipe Queiroz de. A Moral Católica e os dez mandamentos. Ed. Cleófas, 2010. (livro com IMPRIMATUR, pelo Bispo †Dom Benedito Beni dos Santos, de Lorena.  Pág. 83s
 



[1]Código de Direito Canônico.
[2]Donos: Santuário do Céu Azul, Belo Horizonte – MG.
[3]Jo 12,10
[4] Catecismo da Igreja Católica.
[5] (Do Sumo Pontífice Bento XVI, Carta Encíclica CARITAS IN VERITATE. Parágrafo 1, pág.3. Ed.Paulinas,2009. 
[6] CARITAS IN VERITATE, parágrafo 4, pág.7. Ed.Paulinas-2009.

terça-feira, 29 de abril de 2014

O demônio presente na noite escura do Espírito.


Por Igson Mendes da Silva

Para melhor assimilação do presente tema - primeiro, é necessário esclarecer alguns conceitos relevantes. Isto se deve ao fato da má compreensão que se tem hoje de certos fenômenos ligados à vida mística.

Santa Verônica em visão de Cristo cruciificado
Não é raro na atualidade entender por “vida mística”, àquela caracterizada por fenômenos extraordinários: com visões, êxtases, estigmas, etc. Tal concepção é errônea. Não são esses feitos extrínsecos, sensíveis, que consiste a essência da Mística. Na verdade, a vida mística, longe de ser algo extraordinário - deve ser tida como uma etapa natural na ordem das coisas em que o cristão vive no decorrer de sua vida espiritual. Dela, pode-se tirar como conceito fundamental, a experiência profunda cuja criatura humana faz Deus presente no íntimo de sua alma. Não obstante, após percorrer uma longa jornada!

Tomemos por exemplo, grandes santos e santas que se dedicaram à oração e práticas ascéticas. Estes, por sua vez, acabaram por ingressar numa fase conhecida por noite escura do espírito ou da alma. O termo refere-se metaforicamente ao processo de purificação da alma, que se dá na obscuridade da fé, e que nos dispõe ao matrimônio místico com o Senhor.  Em outras palavras, consiste na “ausência” de Deus na vida daquele que crê. É como se de repente Deus o tivesse abandonado ou como se sua vida de preces tivesse entrado em colapso. Mas, segundo São João da Cruz (séc. XVI), um dos maiores místicos da Igreja, sem "noites escuras" não se pode aproximar de Deus como convém. Por esse motivo, tal fase é de suma importância.

Após esclarecer alguns conceitos chaves de maneira sintética, de agora em diante desejo evidenciar à existência dos demônios e sua influência na vida espiritual; Haja vista, no presente momento, tanto sua existência como ação ser bastante contestada por certos “cristãos” e até de boa parte docente da Igreja. Para isso, recorro novamente ao testemunho deixado por grandes santos e místicos da Igreja Católica!

São João da Cruz e a
Noite Escura do Espírito
A literatura dos santos é riquíssima em textos retratando a noite escura do espírito assim como da existência do demônio. Como exemplo, temos o relato da humilde costureira e mística do século XIX, Javiera de Valle. Na sequência apresento a descrição feita por essa humilde costureira do século XIX:

“Quando a alma resolve não querer nada senão seguir o seu amado Redentor, e colocando seu olhar fixo sobre Ele, se pudesse ver o que fez e sofreu por ela seu adorável Redentor, Satanás enfurecido prepara uma grande batalha”.

(…) Se propõe arrancar de nós as três virtudes teologais. Mais onde vai colocar diretamente seu alvo é na fé, porque, obtida essa, fica mais fácil conseguir as outras duas coisas; porque é como o fundamento sobre a qual se levanta todo edifício espiritual, que é o que ele (demônio) mais quer e deseja, e pretende destruir.

Deus então silencia, não o impede em sua intenção, antes prepara o caminho para que a batalha seja mais dura. E também mantém seus olhares firmes nele, pois prepara os caminhos para deixá-lo confuso na batalha, enganado e derrotá-lo completamente, para que saíamos verdadeiros vencedores desta batalha e nos tornemos invencíveis no que vier.

Quando Satanás já se aproxima da luta, a primeira coisa que diminui é a luz clara e formosa que Deus havia nos dado, para com ela conhecermos a verdade.

A escola [do Espírito Santo] se fecha; a memória e a razão pela força da dor e o sentimento que a alma tem parecem perdidos. Pobre alma que busca a Deus e não sabe. Quer chamá-lo e não pode articular uma palavra. Tudo que sabia foi esquecido; com uma profunda piedade, sente-se sozinha, sem companhia alguma.

A quem me compararei neste estado? A nada, senão é essas  noites de verão que de repente se levantam esses nevoeiros tão fortes e horríveis, quer por sua obscuridade tenebrosa nada se vê, senão relâmpagos que assustam, trovões que deixam alguém tremendo, tufões que recordam a justiça de Deus no fim do mundo, o granizo e a pedra que parecem destruir tudo.

Não digo ao que poderia comparar: somente, sem Deus, sentir ir até ela um exército furioso, que gritam a ela que está enganada, que não existe Deus, e a cercam por todos os lados[...]

[...] Mas não a deixam prontamente, e com raciocínios tão fortes e violentos, à força, querem fazer com que ela acredite que não existe Deus, e com horríveis deboches dizem que não há o tal Deus a quem ela busca e o fazem como com um poder sobre as potências, para ao poder nem refletir nem acreditar em outra coisa se não naquilo que a força nus querem fazer entender e crer, querem que não se acredite em mais nada além daquilo que eles dizem, e não acredite em nenhuma coisa mais.

[...] Assim é uma alma sem voz, e gaguejando, como que quisesse dizer: me uno a todo o credo de minha mão, a Igreja e não quero crer em ninguém mais. E sem poder dizer mais nada, nem falar, nem entender, assim se foram meses e meses, até se passarem dois anos.

Eu tinha dezoito anos quando isso aconteceu, e quando eu tanto sofria e chorava sem consolo a perda da minha fé, amanheceu para mim o dia claro e formoso.

E assim como eu sem saber de nada, nesse estado em que me vi metida, agora também vi e senti que me tiraram dele.
Javiera Del Valle(1856-1930)
Decenário do Espírito Santo, oitavo dia


Percebemos assim que a noite escura não possui um tempo pré-determinado de passagem, por esse motivo o demônio se empenha a todo custo em deter o avanço espiritual do individuo, fazendo-o sucumbir vários pecados. Assim o faz, pelo fato de não suporta a alma que se eleva ao mais longe de seu alcance tendo uma profunda experiência de Deus, deleitando-se apenas pela vida espiritual.

Santo Inácio de Loyola sofreu tentações
de suicídio em sua noite escura do espírito
A noite escura do espírito supõe uma série de tentações de ateísmo, de escrúpulos, de suicídio ou depressão, e, em qualquer caso, são muito intensas. Santo Inácio de Loyola e Santa Teresa de Lisieux sofreram tentações de suicídio. Já Madre Teresa de Calcutá sofreu de terríveis tentações que colocavam em perigo a fé e a existência de Deus. Não há como evitar o sofrimento nestas noites, e quanto pior forem tais tentações, mais breves serão; e quanto mais brandas, mais prolongadas; No entanto, tenhamos convicção que mesmo diante da ação maligna, elas só acontecem com plena permissão de Deus, que também pode determinar o espaço de tempo necessário para que termine.

Com base no testemunho da mística Javiera Del Valle, pode-se ratificar o que sempre esteve presente na Doutrina Católica. Sobretudo, a respeito da existência dos seres decaídos, isto é, dos demônios. Como também, de sua ação e embate travado contra as almas que anseiam por alcançar a vida intima com Deus.  

Ademais, é com profundo pesar na atualidade, o fato de determinadas correntes teológicas – pra não dizer heréticas -  tratarem como fábulas uma presença real e que há muito tem arrastado almas ao precipício.

“Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo oportuno. Confiai-lhe todas as vossas preocupações, porque ele tem cuidado de vós. Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar. Resisti-lhe fortes na fé. Vós sabeis que os vossos irmãos, que estão espalhados pelo mundo, sofrem os mesmos padecimentos que vós. O Deus de toda graça, que vos chamou em Cristo à sua eterna glória, depois que tiverdes padecido um pouco, vos aperfeiçoará, vos tornará inabaláveis, vos fortificará. A ele o poder na eternidade! Amém.”  (I Pd. 5,6-14) 

Igson Mendes da Silva
Presidente do Instituto Missionário Porta Fidei
 Fundador do website: www.paraclitus.com.br